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Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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SALVE OS 150 ANOS DE “A GÊNESE”!

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal”. – O Que É Espiritismo, Preâmbulo

retrato de Allan KardecAgora no dia 06 de janeiro último celebramos os 150 anos de publicação de “A Gênese”, a quinta e última das obras que compõe a Codificação Espírita. Kardec faleceu pouco mais de um ano depois de trazê-la a público, em 31 de março de 1869. Foi seu canto do cisne. Missão dada, missão cumprida...

Ao Mestre Lionês, a nossa eterna reverência e gratidão. “O Cristão Espírita” soma a sua voz ao coro de homenagens programadas para este ano, a propósito desta celebração, nos cinco continentes.

Precisamos estudar mais e melhor “A Gênese”. Talvez seja essa a melhor forma de retribuir todo o esforço e sacrifício de Kardec no desenvolvimento de sua obra. Foi um verdadeiro “mártir do trabalho”. Seu corpo sucumbiu ao peso de um esforço hercúleo em prol da missão que o Espírito abraçara...

Kardec e os Espíritos que o orientaram em sua missão se revelaram inicialmente muito cuidadosos no trato da origem dos Espíritos. Diante desse tema as respostas foram muitas vezes breves, evasivas, reticentes, reservando para momento oportuno estudos mais aprofundados:

“O princípio das coisas está nos segredos de Deus” (LE, Q.49) [...] “Quanto [...] ao modo por que nos criou e em que momento o fez, nada sabemos”. (LE,Q.78) [...] “A época e o modo por que essa formação se operou [...] são desconhecidos.”(LE,Q.79) [...] “A origem [dos Espíritos] é mistério” (LE,Q.81)

Parece paradoxal, por isso, a inserção do estudo de nossa natureza e origem na própria definição da Doutrina, como apontamento mesmo de sua missão essencial, conforme se vê acima, na epígrafe em destaque.

Capa da edição original de A Gênese, em 1868A solução do aparente paradoxo é simples. O papel da Terceira Revelação, em consonância com a promessa solene do Cristo, é o de nos ensinar “todas as coisas” (João, XIV: 15 a 17 e 26). Essa Revelação será constante (“ficará eternamente convosco”) mas “essencialmente progressiva” (A Gênese, Cap. I, Caráter da Revelação Espírita, item 55), servindo-se para tanto de uma variedade de modos e meios, proporcionais à nossa evolução e maturação psíquica: “Penetrará o homem um dia o mistério das coisas que lhe estão ocultas? R. “O véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura” (LE, Q.18).

Foi exatamente com a publicação de “A Gênese”, segundo os próprios Espíritos, que o estudo de nossa origem mais essencial mudou de patamar, abrindo-se desde então portas para novos e mais desenvolvidos estudos sobre o tema:

“A questão de origem que se prende à Gênese é para todos uma questão apaixonada. Um livro escrito sobre esta matéria deve, em consequência, interessar a todos os espíritos sérios. Por esse livro, como vos disse, o Espiritismo entra numa nova fase e esta preparará as vias da fase que mais tarde se abrirá, porque cada coisa deve vir a seu tempo. Antecipar o momento propício é tão prejudicial quanto deixá-lo escapar”. São Luís (Revista Espírita, Fev/Pág.92 Ed. FEB – Comentário sobre o lançamento de A Gênese)

Outro modo interessante de celebrar e homenagear a edição original de “A Gênese” pode ser o de lembrar e esclarecer ao máximo aquilo que a Doutrina Espírita já nos revelou sobre a nossa origem. Aqui podemos lembrar pelo menos dois aspectos essenciais:

1º. A ideia de que fomos criamos “simples e ignorantes” (LE, Q.115), num estado a que poderíamos chamar de “infância espiritual” (LE, Q.190) foi útil àquele momento de início da Doutrina e mais tarde para a popularização da ideia de progressividade do Espírito, mas sua divulgação e ou aceitação hoje meio “axiomática” (para não dizer dogmática) acabou por tornar-se um problema. Kardec foi claro, muitas vezes, a dizer que essa era uma solução parcial e provisória, enquanto na se buscava mais intensamente o estudo de nossa VERDADEIRA ORIGEM. Por escassez de espaço, citamos a passagem em que a respeito ele se mostra mais incisivo:

“Deixemos então de lado a questão da origem, insolúvel por enquanto; consideremos o Espírito, não em seu ponto de partida, mas no momento em que, manifestando-se nele os primeiros germens do livre-arbítrio e do senso moral o vemos a desempenhar o seu papel humanitário, sem cogitarmos do meio onde haja transcorrido o período de sua infância, ou, se o preferirem, de sua incubação”. (A Gênese Cap. XI, A Gênese Espiritual, Item 29)

Nos dias de hoje a repetição “mecânica” ou irrefletida de que fomos criados “simples e ignorantes” pode tornar-se até um prejuízo para o entendimento da Doutrina, fazendo-a parecer “criacionista”, no sentido de não aceitar a evolução do animal para o homem, quanto ela tem exatamente entre os seus principais valores o fato de ser evolucionista por natureza, com reiterados ensinos nesse sentido desde suas primeiras horas: “É assim que tudo serve, tudo se encadeia, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que começou um dia por ser átomo” (LE, Q. 540) [...] “Observai como tudo se encadeia na imensa Natureza que o Senhor vos faz descortinar. [...] Passando sucessiva-mente por todos os reinos e por aquelas espécies intermediárias, o Espírito, mediante um desenvolvimento gradual e contínuo, ascende da condição de essência espiritual originária à de Espírito formado, à vida consciente, livre e responsável, à condição de homem. São elos preciosos que tudo ligam”. (Os Quatro Evangelhos, Tomo I, item 56)

2º. O segundo ponto que nos cumpre sempre salientar, no estudo dos primeiros ensinos da Doutrina sobre a nossa Criação original, é o que nos trazem as questões 85 e 86 de O Livro dos Espíritos, destacadas no Resumo da Doutrina Espírita apresentado pelo próprio Codificador na introdução desse mesmo volume: “O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita”.

retrato de Allan Kardec“Deus é ESPÍRITO”, ensinou-nos Jesus através de seu diálogo com a samaritana (Jo.4:24) e, como “Causa primária de todas as coisas”(O Livro dos Espíritos, Q.1), só poderia ter como resultado de sua criação algo que fosse de sua própria natureza – uma criação, portanto, toda ESPIRITUAL. Se “todo efeito inteligente tem uma causa inteligente”, conforme tantas vezes nos ensinaram Kardec e os próprios Espíritos, o inverso também é verdadeiro: causas inteligentes têm efeitos inteligentes. O efeito reflete sempre a natureza da causa que se origina, e mais ainda quando está próximo dela. A água é tão mais pura quanto mais próxima à fonte. A luz mais intensa nas imediações da lâmpada. O calor mais forte ao redor da chama. “Vós sois deuses” (Salmo 82:6 e João 10:34), lembrou-nos também o Cristo, a despertar-nos para a consciência de nossa filiação e origem.

Podemos, portanto, não ter ainda muitos detalhes de nossa criação primeira, mas já podemos garantir que nosso mundo de origem era todo ESPIRITUAL, que a matéria surgiu depois, e que o universo por ela constituído poderia “nunca ter existido”, sem com isso comprometer a realidade do primeiro, que “preexiste e sobrevive a tudo”.

Os melhores desdobramentos do volume “A Gênese”, de Allan Kardec, nós os encontramos nos volumes “Deus e Universo” e “O Sistema” de Pietro Ubaldi, aos quais dirigimos aqueles que se interessam mais intensamente pelo estudo de nossas origens.

Por ora, só desejamos concluir dizendo: “Salve os 150 anos de A Gênese!".

Que Kardec, onde quer que esteja, sinta em seu coração, a vibração de gratidão e amor dos nossos, em prece por sua evolução e felicidade. Amém!

P.S.: A propósito de algumas controvérsias recentes sobre as traduções brasileiras de "A Gênese", a Federação Espírita Brasileira se pronunciou, há algunas dias, com excelente texto sobre o tema, ao qual remetemos aqueles que estiverem interessados. Para acessar, basta clicar o botão fixado na nossa barra de menus, à esquerda da tela.

ONDE ESTÁ A TUA FÉ?

silhueta de criança se jogando confiante nos braços de seu paiFilhos, venho, como humilde peregrino, esmolar um pouco da vossa confiança e, assim, apelar para todos que já começaram a compreender o verdadeiro sentido da vida, para que não vacilem, pois a falta de fé em Deus é que dificulta a caminhada para o Alto, tomando-nos surdos ao chamado divino e impedindo-nos de aproveitar a oportunidade que Ele nós dá.

Lembrai-vos e que a obra é meritória, só dependendo de renúncia e muito esforço, manei- ra peja qual podemos evidenciar nossa confiança na Suprema Bondade, que sempre ampara as realizações de caridade sincera e pura, capazes de ajudar a transformar esse Planeta em evolução.

Para que o homem possa realizar qualquer obra, é necessário que ele tenha fé no resultado final do seu trabalho. Nenhum lavrador plantaria se não esperasse colher. Nenhum construtor ergueria uma casa se não contasse habitá-la. Nenhuma jornada seria iniciada, se não houvesse a esperança de ser atingido o destino colimado. Assim, igualmente, nenhum mandamento de Deus seria obedecido, se não houvesse a fé que nos dá a certeza daquilo que desejamos. Com essa ideia diante de nós, podemos repetir as palavras do Apóstolo Paulo aos Hebreus: «Ora, sem fé ê impossível agradar a Deus: porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que é galardoador dos que o buscam» (Hebreus Cap. 11, vv.6).

Encontramos também a aplicação positiva dos princípios de fé, nos vários casos de cura realizados por Jesus. “Tua fé te salvou” - era a invariável advertência que o Mestre estendia a todos, mesmo aos Apóstolos.

Ao perceber a falta desse princípio, Jesus fez recriminações em termos enérgicos. Disse certa vez, quando lhe perguntaram: “Por que não podemos nós expulsá-lo? E Jesus lhes respondeu: «Por causa da vossa pouca fé; porque, em verdade vos digo, se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a este monte: passa daqui para acolá e haveria de passa e nada vos seria impossível (Mateus, Cap. 17, vv. 19 e 20). E mais uma lemos: “E não fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles” (Mateus. Cap. 13, vv.58).

Ser espírita é ter certeza de vencer no cotejo entre o bem que semeia e o mal que espalha. Sua consciência não teme nem a análise mais rigorosa nem o julgamento mais perfeito por parte do juiz incorruptível que cada um tem dentro de si próprio.

placa de estrada apontando fé raciocinadaSer espírita é condicionar toda a beleza da vida à obra fraterna do amor ao próximo, tendo por apostolado a missão sublime de erguer os que caírem, amparar os desgraçados, ensinar os transviados. E, com ardorosa fé, com espírito de sacrifício e renúncia, trabalhar incessantemente por todas as formas possíveis para que a humanidade modifique, na hora presente, o triste cenário do mundo, deste mundo que se apresenta convulsionado pelas baixezas irrefreáveis, pelos ódios, pelas ambições, pelo egoísmo, pela inveja e pela mentira, daí resultando as angústias, as dores, os sofrimentos em que se debatem os homens, dentro das mais tormentosas paixões , que os escravizam à baixa atmosfera da Terra, destruindo todos os supremos ideais de evolução e aperfeiçoamento dos Espíritos.

Sede espíritas cheios de fé, conscientes de que tendes sobre os ombros pesada cruz, a qual conduzireis até o fim da vossa jornada pela Terra, pelo mundo a que viestes cumprir nova jornada em busca da perfectibilidade.

Sede criaturas de fé! Sede espíritas! Cumpri vosso dever; dever imposto à vossa consciência, à claridade do vosso Espírito. Trabalhai impulsionados pelas vibrações que hão de vos sacudir arrebatadoramente, despertando-vos as energias que jamais permitirão vos entregueis à inércia, mas, antes e acima de tudo, que vos conduzirão à glória e à eternidade futura. E que cintile sobre vós a luz irradiadora da fé, o calor do mais fervente entusiasmo pela obra do Bem, o bafejo cálido dos que vos há de levar ao triunfo e à vitória. Paz e amor em Jesus

Bezerra de Menezes

(Mensagem recebida por Azamor Serrão - Transcrito de O Cristão Espírita No. 09 0 Dez 1966/Jan 1967)