Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação
e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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MENSAGENS DE BEZERRA DE MENEZES


(POR AZAMOR SERRÃO, FUNDADOR E ORIENTADOR-GERAL DE NOSSA CASA)


O EVANGELHO NO LAR

Foto de Bezerra de Menezes e Azamor SerrãoJesus nos abençõe.

Trabalhemos pela implantação do Evangelho no lar, quanto estiver ao alcance de nossas possibilidades.

A seara depende da sementeira. Se a gleba sofre o descuido de quem a lavra e prepara; se o arado jaz inerte e o cultlvador teme o serviço, a colheita será sempre desengano e necessidade, acentuando o desânimo e a aflição.

É imprescindível nos unamos todos no lançamento dos princípíos cristãos no santuário doméstico. Trazer as claridades da Boa-Nova ao templo da familia, é aprimorar todos os valores que a experiência terrestre nos pode oferecer.

Não bastará entronizar as relíquias materiais que se reportem ao Divino Mestre, entre os adornos da edificação de pedra e cal, onde as almas se reúnem sob os laços da consanguinidade ou da atração afetlva. É necessário plasmar o ensinamento de Jesus na própria vida, adaptando o sentimento à Sua beleza excelsa.

Evangelho no lar é Cristo falando ao coração. Sustentando semelhante luz nas igrejas vivas da família, teremos a existência transformada na direção do sumo bem.

O céu, naturalmente, não reclama a santificação de nosso espirito de um dia para o outro, nem exige de nós, de imediato, as atitudes espetaculares dos heróis amadurecidos no sofrimento renovador.

O trabalho da evangelização é gradativo, paciente e perseverante. Quem recebe na inteligência a gota de luz da revelação cristã, cada dia ou cada semana, transforma- se no entendimento e na ação, de maneira imperceptível. Apaga-se nas almas felicitadas por essa bênção o fogo das paixões e delas desaparecem os pruridos da inquietação inútil e da maledicência que lhes situam o pensamento nos escuros resvaladouros do tempo perdido. Enquanto isso ocorre, despertam para a edificação espiritual com serviço por norma constante de fé e caridade, nas devoluções a que se afeiçoam, de vez que compreendem por fim, no Senhor, não apenas o Amigo Sublime que salva e ajuda, mas também o Orientador que corrige e educa para a felicidade real e para o bem verdadeiro.

Auxiliemos assim a plantação do cristianismo no santuário familiar, se desejamos efetivamente a sociedade aperfeiçoada no amanhã sublime da Terra.

Em verdade, no campo vasto do mundo, as estradas se bifurcam, mas é no lar que começam os fios do destino e nós sabemos que o homem, na essência, é o legislador da própria existência. É o dispensador da paz ou da desesperação, da alegria ou da dor, a si mesmo.

Ajudar semelhante realização, estendendo-a aos círculos de nossa amizade, oferecendo-lhe o nosso concurso ativo na obra da regenerarão dos espíritos, na época atormentada que atravessamos, é sagrada obrigação que nos reaproximará do Mentor Divino, que iniciou o seu apostolado na Terra, não somente entre os doutores de Jerusalém, mas igualmente nos Júbilos domésticos da festa de Canã, quando simbolicamente transformou a água em vinho, na consagração da glória familiar.

Que a Providência celeste nos fortaleça para prosseguirmos na tarefa de reconstrução do lar sob os alicerces do Cristo, nosso Mestre e Senhor, dentro da qual cumpre colaborar com as nossas melhores forças são os votos sinceros do irmão e servo humilde" - BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.01, a 29 de agosto de 1965)

A CASA DE DEUS

A casa de Deus, filhos, é o universo inteiro, porque Deus está em toda parte, a revelar-se para que as forças do mal não conduzam para as trevas os que buscam a luz, para orientar-lhes a caminhada pela estrada da vida, em roteiro seguro para perfeita união com o Pai, que é o supremo amor, a suprema alegria, tão bem representado pelo espelho sublime que sua imagem reflete - Jesus.

O nosso Mestre amado ensina-nos em seu Evangelho de amor o caminho da Verdade, fazendo de nossos corações um verdadeiro templo de Deus, pelas vibrações celestiais que deles emanam. Esses corações, alimentados por pensamentos puros de mentes já iluminadas para orientar as atitudes fraternas de paz e amor a serviço do Cristo de Deus, esclarecem as ovelhas a fim de que não se desviem do caminho verdadeiro, fazendo das casas de oração casas de comércio. Onde as almas se reúnem para o maravilhoso encontro com Deus, não se permite nem um só gesto que identifique qualquer transação comercial, porque o ouro traz a ambição e a ambição pelo ouro é que perde as almas, interrompendo a caminhada para Deus.

O Mestre Jesus nos adverte quanto a isso de forma bem concisa, que não deixa nem uma dúvida. Mas certos orientadores religiosos é que não querem entender a Divina Mensagem do Mestre.

Quando Jesus fez sua entrada triunfal em Jerusalém, o povo veio alegremente para as ruas para recebê-lo, bradando em vozes fortes e cheias de entusiasmo: "Viva Deus nas alturas e Jesus entre os homens!"

Jesus foi ao templo. Pelos pátios, pelos arredores e dentro do templo, se fazia mercado de animais, cereais e tudo quanto aquela gente possuía para vender, com o consentimento dos sacerdotes. Então, Jesus mandou que se retirassem dali com suas mercadorias, pois era sacrilégio fazer da casa de orações um covil de especulações e trapaças. O templo é lugar consagrado às súplicas das criaturas a seu Criador.

Foi para terem aquele recanto reservado, onde pudessem falar com Deus e seus anjos (ou Espiritos), que os homens construíram seus templos. É ali que as almas de abrem, cheias de fé, porque lá estão as vibrações puríssimas do Amor do Pai para as suas criaturas.

Ali é a famosa escada de Jacó, por onde sobem as preces, as súplicas, as manifestações de amor e gratidão, e por onde descem, em catadupas de amor, as bênçãos e as respostas que os céus enviam às almas da Terra. Profanar um templo é grande crime. Por isso, o Divino Senhor espantou daquele lugar sagrado os que o maculavam com sua cobiça e egoísmo. Naquele acumulado de vibrações de Amor, de Prece, de Perdão, na explosão da sua fé e confiança em Deus, as criaturas achavam-se em Jesus. Ele estava ali na manifestação da mais alcandorada efusão de amor para com Deus; e, por isso, Ele disse: "A minha casa é casa de oração". Sim, ali, e "onde quer se faça oração, está Ele", «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estarei". De qualquer forma que o homem se una com o seu Deus, estrá unido com o Cristo, porque Ele disse: "Eu e meu Pai somos Um". Assim, bem claro flcou seu pensamento quando disse a João: "Não proibais que curem em meu nome, esses não são contra mim". E para que estejamos com Cristo, necessário se faz cumpramos seus ensinamentos evangélicos, não desobedecendo as suas determinações e procurando estar com Ele tanto quanto Ele está conosco.

Deus nos guarde e Jesus nos abençõe.- BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.02, outubro de 1965)

SEMENTES

Jesus nos abençõe.

Foto de uma plantaçãoO pensamento é o verdadeiro arquiteto de nossa vida. Sendo a mente uma usina de alta potência, a energia que dela promana tem poder para realizar algo que pode ser bom ou mau, consoante a natureza do pensamento.

Tornemos simples nossa vida, vivendo-a com naturalidade, pensando com acerto, refletidamente, sempre dirigindo nossos pensamentos para o bem. São os pensamentos que determinam o futuro de cada individuo, que poderá ser feliz ou infeliz, com paz ou guerra, conforme a qualidade da semente lançada no curso da existência. Eis porque se faz conveniente selecionar as boas sementes, através da reflexão.

Semente lançada por um pensamento de ódio fará germinar a árvore da vingança, cujos frutos tendem a alimentar a perdição.

Semente lançada por pensamento de censura amarga fará germinar a árvore da indignação, cujos frutos ácidos induzirão à indisciplina.

Semente lançada por pensamento de ociosidade fará germinar a árvore da preguiça onde escasseiam alimentos. Seus frutos serão secos, como a indolência que causa a fome.

Semente lançada por pensamento de orgulho fará germinar a árvore da humilhação, que produz os frutos do ódio e da vingança.

Mas se o pensamento for de amor, nascerá a árvore da amizade pura e duradoura, que adoça a vida das criaturas, santificando-as.

Semente lançada por pensamento de perdão fará germinar a árvore da esperança, cujos frutos sazonados alimentam a alma, enchendo-a de luz.

Semente lançada por pensamento de trabalho fará germinar a árvore da compreensão, cujos frutos despertarão a vontade de servir, do amar ao próximo, sem esperar ser convidado e de entender a caridade como uma imposição do amor divino.

Aprendamos a purificar os nossos pensamentos como iniciação de um porvir promissor, porque é dando que recebemos, é servindo que seremos servidos pela graça de Deus. Como criaturas de Deus, todos necessitamos uns dos outros, do bem servir sem aguardar retribuição. Servir com dedicação e simplicidade; ajudar sem humilhação nem orgulho.

Jesus nos abençõe. - BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, Ed. 03 - Dezembro de 1965 - Janeiro de 1966)

A ORAÇÃO E A VIDA VITORIOSA

Paz e amor em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ilustração de alguém em ato de preceFilhos: Quantas vezes perguntais: que relação existe entre a oração e a vida vitoriosa? ou seja: que relação há entre a oração e uma vida bem sucedida?

A oração é o aprofundamento, é a exaltação, é o alargameno da nossa fé. Oração é o reavivamento do nosso Espírito. Oração é elevar o nosso pensamento a Deus. Oração é a busca de mais luz e de maior entendimento. É despertar em nós mesmos uma capacidade maior para mais viver e dar. Trazer os nossos pensamentos e sentimentos sob o amoroso controle do Cristo. É nos tornar, a nós mesmos, canais pelos quais o amor divino se irradie em favor dos nossos semelhantes.

Vemos na Epístola de Paulo aos Colossenses, cap. 4, v. 2, a seguinte recomendação: "Perseverai na oração, vigiando com ações de graças". Quem ora, sentindo verdadeiramente a oração, passa a amar os seus semelhantes com tolerância e respeito, pois censurar os outros é somar negação à negação. O caminho da sabedoria é o do abandono da censura e da condenação dos outros por qualquer realidade ou fantasia. O caminho do crescimento é derramar uma benção sobre tudo, passado e presente. O caminho da alegria, da paz e da luz, é saber que vivemos em Deus e que Seu Espírito está em nós. O caminho da felicidade é fazer um esforço continuo, pensamento por pensamento, sentimento por sentimento, oração por oração de modo a dar oportunidade para brotar a semente do amor que mora dentro de nós, e de aprendermos o caminho apontado por Jesus.

Vigiai e orai, para assim prescrutardes a chegada do inimigo ou da inconsciência de seus atos, pela aproximação de um delinquente. São os desertores da casa do Pai, que não querem voltar ou perder a direção da estrada. Adormeceram na mata, esquecendo de seus deveres, como o mau estudante que retorna ao colégio até que aprenda direito suas lições. Assim, esses desviados terão que voltar à escola em que o Mestre é o nosso Pai, até que cumpram os mandamentos de amor, regressando tantas vezes à Terra, ou a outros lugares, a fim de tudo aprenderem pela doutrinação de seus Espíritos, os fulgores da caridade e do amor ao próximo, viandantes das mesmas estradas, para a aquisição de sua personalidade espiritual.

Somos todos irmãos perante Jesus, enlaçados pela fraternidade, como baluarte na defesa e difusão do Evangelho, riqueza deixada por Jesus, que é o nosso Mestre Divino, a quem foi entregue o Planeta Terra para a completa transformação do mesmo e a regeneração de seus habitantes, trazidos da raça adâmica.

Oremos para que aprendam a amar e servir com respeito e tolerância.

Jesus nos abençoe com paz e amor. - BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.04, Fev/Mar de 1966)

DEUS E A NATUREZA

JESUS nos abençõe.

foto de paisagem - folhagem exuberanteFiihos: No meio deste mundo tão belo, cujas harmonias demonstram a sublime melodia tocada por anjos e regida por uma Divina Sabedoria, que dá o testemunho de tão grande artista, qual é precisamente a posição deixada ao homem? Pedimos desculpas aos queridos irmãos, pois o que afirmamos não leva a autoridade de um mestre e, sim, o resultado colhido por experiências de muitas lutas que a bondade do Pai nos concedeu em sucessivas reencarnações na grande escola terrena. Assim, com humildade, queremos lembrar-vos: Amai a Deus, amando a Natureza e toda sua criação.

Filhos: Basta um simples olhar sobre o homem para compreender o verdadeiro plano das coisas, para ver que Deus é o Senhor, e a que ponto, a despeito de suas adoráveis descobertas científicas, o homem continua humilde, frágil e dependente criatura. É verdade que temos descoberto as forças da Natureza, suas incalculáveis e misteriosas energias. Ei-las dominadas e postas a nosso serviço; porém, elas somente nos obedecem sob uma condição: a de lhes obedecermos em primeiro lugar.

A Natureza é o próprio Deus, e aqueles que a amam, adoram a Deus. Em tudo quanto palpita e vibra na Terra, dentro dessa harmonia de movimento e de ação, está a obra material que a humanidade observa no seu eterno percurso pela vida. Resta que o homem, admirando o explendor da Natureza, desde o reflexo coruscante de um raio do Sol ao brilho merencório de uma estrela no Céu, ame o Divino Autor de tudo isso que lhe encanta a vida, que lhe empolga o espírito, que lhe desperta as energias para o desejo de bem viver. Daí a concepção de que o mundo é bom e a vida é bela, até mesmo para os cegos, porque - Sábio, Perfeito, Bom e Justo - Deus só poderia ter criado um paraíso na Terra para que fosse habitado pelo homem bom, perfeito, sábio e justo.

Foi o homem que transformou o seu Éden de felicidade nesse inferno de angústia que é o mundo. Foi ele quem claudicou, envenenando a vida com os entorpecentes da ambição. Imperfeitas suas condições morais, seus preconceitos, sua vaidade, seu orgulho, tornaram imperfeito o ambiente da Terra. É que o homem, imaginando-se Rei da criação, iniciou sua jornada pelo mundo dentro dessa concepção de poder discricionário, absoluto e despótico, no qual fosse sua vontade obedecida, sob uma superioridade ilimitada, daí advindo seus sentimentos de orgulho e vaidade. Com ele, nas primitivas eras da criação do mundo, conviviam todos os animais grandes e pequenos, todas as aves de espécies diferentes, uns e outros. A Natureza, em plenos desertos e em imensas florestas, constítuia o grandioso palco da vida, onde se uniam todos os habitante da Terra. Os homens falavam o mesmo idioma e se compreendiam pelos mesmos sentimentos que os irmanavam. Foi o erro dessa vaidade e desse orgulho, a falsa noção desse poder de grandeza e de superioridale, os fatores que determinaram a confusão, da qual originou a Babel que dividiu a Humanidade em raças e povos, e o mundo em Países e Nações.

Os animais fugiram do homem. As feras procuraram seguros refúgios. Elas, porém, não deixaram suas tocas para invadir as cidades e ai atacarem o homem. O homem é que vai, pelo contrário, atacá-las nas florestas, em caravanas bem preparadas para emboscada.

Nada a Natureza modificou no mundo. O mesmo hino harmonioso das aves, o mesmo gorjeio sublime da passarada, tornam alegre a vida. O mesmo perfume das flores embalsama os bosques, enebriando a existência sobre a Terra.

Nada a natureza modificou. Só o homem se modificou a si mesmo. Seus instrumentos, seu arado, e sua charrua ele os transformou em armas mortíferas de ataque cruel!

Vieram à Terra os gênios inspirados. Séculos sobre séculos a humanidade progrediu. A ciência tudo transformou. Veio o domínio da e!etricidade assombrar o mundo. O avião alçou voo pelo espaço, graças ao gênio humano, mas, se esse gênio subsistisse à sua grande obra, como se entristeceria ao ver transformado o seu ideal de aproximação e união dos povos em instrumento ceifador de vidas humanas!

O progresso, como se vê, foi apenas de ordem material, porque a parte espiritual regrediu. Mas nem tudo foi perdido. Na vida dos povos, porém, sempre houve apóstolos e missionários. Um surge no cenário do mundo, pelo ano de 1182, na cidade de Assis, na Itália. É Francisco de Assis, o amigo da Natureza em todo o seu divino esplendor. Convencido de que a humanidade cada vez mais procurava as trevas em vez da luz; cada vez mais se deixava arrastar para o labirinto da vida material, entre as ambições e os ódios; cada vez mais se entregava à obra sinistra da impiedade - concebe o meio mais seguro de fugir dos homens. É quando o seu espírito compreende ser preferível viver dentro do palco imenso da Natureza, no seio das florestas, nos recantos mais afastados das cidades, longe de seu tumulto, da agitação febricitante das multidões açuladas umas contras as outras.

Embrenha-se pelos matagais, percorre florestas virgens, busca a solidão, isola-se da humanidade e vive assim entre os pássaros e os animais que povoavam aquelas regiões imensas, onde a civilização ainda não havia penetrado. Seu espírito transcende à incidência da luz que lhe vai esclarecendo a inteligência e o instinto da razão. Torna-se um amigo leal daqueles habitantes que o amam e respeitam, porque vêem nele o exemplo da bondade, o símbolo da afeição entre o homem, que é rei da Natureza, e os irracionais que poderiam ser seus vassalos humildes não tivesse aquele, pelo instinto do mal, o irrefreável impulso de exterminar os últimos.

Francisco de Assis amou a vida. Amou a vida porque soube, com a pureza de seus sentimentos humanos, com a grandeza de seu coração bem formado, com a superioridade do seu espírito muito evoluído, amar a todas os seres da criação divina. Amou os pássaros, admirando as melodias do seu gorjeio. Amou plantas, as árvores e as flores, cujo aroma embalsama a vida e perfuma os bosques. Amou profundamenta toda a obra grandiosa de Deus, desde o rugido assustador das feras do deserto, que não lhe faziam mal. porque tinham o instinto de respeitá-lo e amá-lo também. Amou a Natureza em festa, desde a epopéia divina do esplendor da luz do Sol iluminando a Terra, até ao negror sinistro das noites sem estrelas! Sua obra revelou os aspectos da sua vida, os sentimentos humanos de seu superior espírito. Ele personificou a bondade, exemplificando, pelo amor a tudo quanto revela ao mundo e à humanidade, a obra de Deus.

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Compreendam as gerações, concebam as multidões que se espalham pelos quadrantes dos mundos planetários, que tudo aí é obra suprema do Supremo Arquiteto: Deus. Compreendam todos que onde haja vibração, onde haja sintonia de vida existe sensibilidade, existe sensação, existe manifestação de dor.

Amai toda a Natureza, sede humanos, esquecendo a crueldade, olvidando o mal e não praticando tão abomináveis crimes contra vossos irmãos irracionais. Entregai-vos à obra aperfeiçoada de vosso espírito. Aproximai-vos de Deus, amando tudo que é de sua origem. Imitai o santo que, em sua vida terrena tanto bem espalhou, até ser cognominado, por sua humildade, sua renúncia, seu amor, sua justiça e bondade, de "o pobrezinho de Assis", que foi também o grande amigo da Natureza.

Que Deus vos ampare, Jesus vos guie e Francisco de Assis vos proteja.

Paz e Amor em Jesus. - BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed. 05, Abril/Maio de 1966))

O EGOÍSMO DO HOMEM

Paz e amor em Jesus.

Foto de homem admirando o pôr do solFilhos: O solo da Terra está cheio riquezas, em condições, portanto, de proporcionar ao homem os meios necessários para a sua manutenção, pois o Senhor abençoa o solo a fim de que este nos sustente, ampare em nossas necessidades, dando-nos forças físicas. Assim protegidos, ficamos mais aptos a aprender a lição de cada dia, que a divina escola da vida nos oferece. Todavia, a terra abençoada não prescinde dos cuidados que lhe devemos dedicar na medida dos nossos esforços, com a responsabilidade de prestarmos o testemunho devido, para, no fim, sermos aprovados ou reprovados, conforme guardarmos a lição. A seara depende da semeadura. Se a gleba sofre o descuido de quem a lavra e prepara ou se o cultivador teme o serviço, a colheita será sempre desengano e necessidade, acentuando o desânimo e a aflição que destroem a esperança. Até agora, nem todos compreenderam a lição de amor que nos identifica como verdadeiros cristãos.

Disse Jesus em seu Evangelho de amor: "Amai-vos uns aos outros, tanto quanto eu vos amei". No entanto, há homens que odeiam e perseguem, como se estivessem praticando boas ações a serviço de Deus. Dois mil anos quase são passados e nem todos os homens foram capazes de assimilar e praticar o divino ensino. Podemos mesmo afirmar que somente reduzido número de criaturas conduz seus passos na vida orientadas pelo Evangelho. No entanto, só unidos pelo desejo e a boa vontade de servir, auxiliando a criação, sentiremos vibrar a fraternidade que nos leve a entender os divinos ensinamentos de Jesus. Seria bem mais rápido o nosso progresso espiritual, porque Deus nos deu a terra para trabalhar, servir e progredir,aprendendo. É portanto, do nosso dever, procurar nela mesma todos os recursos de evolução. Infelizmente, os homens ainda guerreiam por um pedaço da terra que Deus nos empresta para que nela aprendamos a amar e a servir. O pior ainda é que muitos homens estão, por seu egoísmo, desejosos de se mostrarem mais sábios e poderosos do que seus irmãos. Não usam a inteligência em benefício do solo em que habitamos, e, gastando somas incalculáveis, procuram outros planetas, querendo saber o que neles existe. Se aínda não conseguiram conhecer o solo em que pisam e necessitam conhecer e amar, para dele melhor se servirem, de que valerá buscar em mundos distantes de nós outras preocupações, se ainda nem sequer conseguiram resolver os problemas do planeta em que vivem?

Se o Criador dos seres e das coisas, que é Sábio e Justo, nos deu a Terra como escola adequada ao aprendizado que necessitamos fazer, porque deixarmos o que está próximo de nós para buscar o que Deus pôs longe do nosso planeta? Não é isso egoísmo do homem? Se aqui podem os homens encontrar o que lhes é necessário e construir os degraus evolutivos através do aprimoramento íntimo pelas lições do Evangelho, porque lançar-se à aventura das conquistas no Cosmos?

O nosso solo íntimo, isto é, o nosso Espirito, necessita de cuidados para que as sementes evangélicas nele plantadas possam florescer e, à maneira da rosa que perfuma o vento que passa, beneficiando a quantos dela se aproximam e a muitos que passam mais longe, sem que lhe reconheçam o valor, ela deslumbra olhos dos que a contemplam. Dá sem pedir, mesmo àquele que lhe mutila as pétalas. Por que não imitamos a rosa, dando o pefume dos nossos bons pensamentos e a beleza dos nossos atos, compreendendo e servindo indistintamente aos nossos semelhantes?

Preocupemo-nos em cuidar do solo da Terra, lançando nele a semente do Evangelho, fazendo do mundo em que vivemos um jardim florido, para que o perfume do amor nos inspire o desejo de servir sem egoísmo, unindo-nos a todos no firme propósito de transformar o mundo num paraíso.

Na estrada do mal ainda existe o bem para despertar no homem os sentimentos elevados e divinos que se encontram adormecidos.

Entendamos o Evangelho como orientador seguro e infalível.

Jesus nos abençoe. - Bezerra de Menezes

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.06, Junho e Julho de 1966)

HOMENAGEM

Certa vez, ao aproximar-se a data do nascimento do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, o orientador da Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes, Azamor Serrão, animou-se do desejo de realizar uma homenagem festiva ao nobre mentor espiritual. Foi combinado que haveria muitos doces e bolos para distribuir com os presentes à sessão, na sede daquela Casa. Não tardou que o Dr. Bezerra fizesse ver ao médium a desnecessidade de uma homenagen dessa natureza, em que se premeditava misturar os prazeres da alma com os prazeres do estômago.

Se desejassem lembrar a data em que reencarnara (29 de Agosto de 1831, no Riacho do Sangue, Estado do Ceará), então procurassem satisfazer apenas os anseios espirituais de quantos comparecessem à reunião. Diante disso, os preparativos para uma festa nos moldes profanos foram imediatamente cancelados, prevalecendo a ideia de uma sessão unicamente espiritual, com base na Doutrina e no Evangelho.

Foto de criaça famintaLogo depois, o Espirito do Dr. Bezerra de Menezes deu ao médium a luminosa mensagem que abaixo reproduzimos, na qual se expande toda a sua ternura:

Paz e amor em Jesus.

Filhos: As homenagens que os vossos corações cheios de amor prestam a este humilde servo do Senhor, devem converter-se em sublime oportunidade para nos encontrarmos unidos, menos para reverenciar um Espírito que se esforça por alcançar a suprema glória de servir a Deus, nosso Pai, do que para cuidar da Doutrina que o Senhor nos concedeu através do Espírito Missionário de Allan Kardec. Nada ou pouco temos feito. Apenas procuramos colaborar na obra do Senhor,pondo em pauta os ensinos anotados no Evangelho. Estudemos, pois, para que o divino Médico, o Cristo de Deus, não diagnostique carência evangélica em nossas atitudes. Lembremos a recomendação do apóstolo Paulo numa de suas epístolas: "Homem, cuida de ti e da doutrina, segundo os exemplos do Cristo - Jesus".

Assim, perguntamos: "Que fizemos para merecer tantas homenagens?" Responderemos: "Nada". Na verdade, muito temos a fazer, pois o Cristo tudo fez por nós com o objetivo de nos ensinar o caminho que nos levará à eterna alegria. Portanto, filhos que tanto quero, peço que tais homenagens não visem a engrandecer este Espírito, que,com muito contentamento, serve ao Senhor, mas que se transformem em preces que iluminem a todos os Espíritos encarnados e desencarnados,envolvendo-os nas mais puras vibrações de amor. Que nasça nas expansões de bondade de cada coração uma rosa de ternura, para que cada coração irradie o perfume do amor e da esperança, modificando o mundo, transmudando-o num jardim de paz e trabalho benéfico, onde Maria Santíssima, Anjo tutelar da humanidade, nos ampare com o amor sacrossanto da Mãe sagrada e nele possa colher as mais belas flores do sentimento para continuar enfeitando o Céu.

Que as bênçãos de Deus caiam sobre toda a humanidade, são os votos deste humilde servo do Senhor!

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed. 07, Agosto/Setembro de 1966))

REENCARNAÇÃO

Paz e Amor em Jesus.

A reencarnação é a nova vestimenta que o Pai Celeste nos concede, como oportunidade de aproveitamento de que necessitamos para evoluir, ganhando a experiência que somente poderemos adquirir nas provas pelas quais passamos. Assim, podemos limpar as vestes que sujamos com os erros do passado, embora muitas vezes ainda as sujemos mais com os erros do presente. O corpo carnal é portanto, a nova roupa concedida pelo Pai, Sabio e Bom, Criador dos seres e das coisas. Permitiu Ele que, na Grande Oficina Universal, usemos a roupa adequada para o trabalho que nos é confiado.

Obedecemos às leis divinas que regem os três reinos da Natureza: Mineral. Vegetal e Animal, acatando, do mesmo modo, as leis da Física e da Química. A veste de carne que usamos nas provas terrenas para adquirirmos o grau de evolução a que fizemos jus, atende ao feitio determinado pelas leis das combinações fluídicas, as quais tornam os corpos densos de matéria. Muitas vezes, porém, vestimos roupas limpas e bem adequadas a determinado compromisso, sem termos, entretanto, o conteúdo desejado para satisfaze-lo. Se, no entanto, com elas nos apresentarmos em condições capazes à realização dos compromissos que nos aguardam não as sujamos e, quando as sujamos, logo percebemos, que apenas aparentávamos por fora, o que ainda não éramos por dentro.

Dessa forma, o Pai nos vai dando, pacientemente, novas roupas até que aprendamos a usá-las com amor e sabedoria, apurando as lições que poderão promover-nos a uma classe superior. Há roupas de todas as cores e feitios: roupas muito limpas por fora, mas sujas interiormente; roupas de tecidos finíssimos, que parecem de grande valor, representadas pela beleza física e pela riqueza da Terra, mas são roupas frágeis, que não resistem à lama nem ao pó das estradas, por serem vestes fracas, criadas pela ilusão, não possuindo o forro que protege e fortalece para o serviço de Deus no mundo, sem temor da lama ou do pó, nem receio do contato com os mais necessitados... Assim, faz-se mister que as vestes sejam humildes, para que a humildade nos ajude a aproveitar os ensinamentos e a adquirir a experiência que vêm das provas.

Vamos relatar a vida de um Espírito, que bem ilustra esta lição.

Nos meados do último século, em Roma, cidade próspera, onde a força do poder religioso e político - ou seja, de religiosos que buscavam exaltar-se, escorados pelo poder politico, nessa época - havia uma jovem de rara beleza, que reencarnara para que, possuidora de grande riqueza e poder, ajudasse a muitas almas aflitas, que a buscariam a fim de as abrigarem na sua proteção. Mas o coração endurecido da jovem não se compenetrou da missão que lhe fora atribuída ao assumir tal compromisso, antes de reencarnar. Por isso, fugiu a todas as oportunidades de ajudar o próximo. Quando os infelizes, aflitos, a procuravam, dizia, com altanaria e orguIho, que jamais se deixaria prender numa gaiola, pois queria liberdade de ação. Acrescentava mesmo: "quero ser livre, quero viver a minha vida..."

Só pensava em festas e prazeres e, como era linda, a todos fascinava. Gabava-se da maciez de sua pele e da perfeição de suas formas. Certa vez, entregaram-lhe trinta crianças famintas e friorentas, vítimas de uma catástrofe que destruíra a terra de suas famílias e as deixara na mais terrível situação. Dominadas pela extrema miséria, acicatadas pela fome, essas crianças foram entregues a alguém que delas cuidasse até levá-las à cidade, onde a jovem citada as deveria proteger e amparar, como se comprometera quando ainda no mundo espiritual. Ela, no entanto, esqueceu-se do compromisso assumido, envolvida que fora pelo ambiente de luxo e prazer que a cercava. Tornara-se dia a dia mais egoísta e vaidosa. Desse modo, a Bela Adormecida pelo luxo, orgulhosa de sua beleza, julgando que com ela poderia conquistar a eterna felicidade, seguiu imprevidentemente seu caminho, usando a delicada roupa de aspecto suntuoso - a sua formosura e elegância passou a enchê-la de lama e pó, sem dela tirar o proveito de galgar uma classe mais alta, pois não deu assistência às desditosas crianças, deixando-as em completo abandono. Perdeu assim a oportunidade de valorizar-se, servindo.

Noiva de belo patrício (membro da classe dos nobres romanos), a quem enganava e subjugava, apesar do grande carinho que a sua futura sogra lhe dedicava, pois tudo fazia para que ambos se casassem e fossem felizes, a jovem relutava, ciosa da sua liberdade. Duma feita, estavam ambas em luxuosa sala, diante duma lareira. A jovem tagarelava, alegre, contando as suas faceirices, e a matrona de quando em quando lhe dirigia conselhos, ditados pela experiência que tinha da vida. Em dado momento o fogo estalou e algumas brases saltaram, queimando a mão da moça, que gritou de dor. Ao ser socorrida pela futura sogra, observou que algumas brasas haviam atingido o colo da senhora, sem que esta se apercebesse disso. Deduziu daí, apressadamente, que a senhora não demonstrava sensibilidade por estar atacada do mal de Hansen, a lepra, a terrível moléstia que tanto temia, manifestando nojo e desprezo pelos que sofriam dessa enfermidade, passando por tão dura e dolorosa prova. Ao ter este pensamento, afastou-se depressa, abandonando a senhora sem piedade e nunca mais quis ver o noivo, que tanto a amava. Portanto, mais uma vz não soube aproveitar a veste carnal que recebera de Deus e somente quando o seu Espírito despiu essa roupa foi que ela pôde compreender que desperdiçara a grande oportunidade, não aproveitando a lição.

Depois de muitas provas, durante as quais adquiriu algum aprimoramento, seu Espírito reencarnou novamente na Terra trazendo,de início, traços de sua antiga beleza carnal quando vivera em Roma, mas agora em condições humildes, embora ainda conservasse algumas tendências do velho orgulho. Surge, então, o reverso da medalha: a mãe de seu ex-noivo dela recebia todo o carinho e dedicação,e o seu amor pelo rapaz era algo de sublime. Era, entretando, necessário que seu Espírito se engrandecesse, aprendendo a lição que a Divina Sabedoria lhe ministrava, para que pudesse alcançar e aprender as lições perdidas em outras eras. Estava-lhe ainda destinada uma provação terrível: contraiu a moléstia que tanto temera, perdendo completamente a beleza física. Conseguiu, porém, curar-se, recuperando-se relativamente quanto ao físico. Todavia mais se recuperou na iluminação de sua alma, pois, desprezada e suportando sua enorme dor, ainda nos ajudou a servir a Deus em sua grandiosa obra de amor e caridade.

Que esta impressionante lição inspire a todos na compreensão do Evangelho de Jesus, ajudando-nos a conhecer a Verdade que nos libertará, superando hoje com o bem o mal que ontem fizemos.

Desça sobre todos a Paz de Jesus.

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.08, Outubro-Novembro de 1966)

PACIÊNCIA

Quadro de Egger-Lienz - Der Sämann - O semeador -1903

Jesus nos abençoe.

Filhos: semeando com calma e aguardando com paciência, boa colheita será conseguida. «Quem espera sempre alcança», diz velho adágio.

O pomicultor que deseja colher frutos magníficos sabe esperar seu amadurecimento na própria árvore, para recolhê-los no momento preciso. Não ignora que da boa semente nasce o broto e deste surge a árvore. Tudo tem seu tempo. O fruto não aparece da flor. Vem verde e a madureza completa o seu sabor, pois este é que lhe identifica a qualidade.

É necessário que o cultivador saiba ter paciência, porque verá amplamente retribuídos os seus desvelos com a semente lançada no seio generoso da terra. Boa semente e cuidados constantes garantem produtos bons.

Assim é também na vida humana. Sejamos sempre pacientes, pois somente com paciência poderemos obter boas colheitas na vida de relação. O seguidor de Jesus se assemelha ao cultivador da terra. Cada irmão deve ser para ele como uma semente, digna de todo cuidado, de todo carinho, para que, desenvolvendo-se, possa, no futuro produzir frutos excelentes, assegurando o êxito da colheita.

Bezerra de Menezes

Mensagem recebida por Azamor Serrão e publicada na edição 10 de O Cristão Espírita, em Fev/Março de 1967.