Amor e Progresso
Mediante o amor, todos despertarão para as responsabilidades que lhes dizem respeito.
O amor é o mais prodigioso fomentador do progresso moral, do qual decorrem todas as demais formas de desenvolvimento.
Quando não viceja no ser humano, as conquistas realizadas, por mais brilhantes, tendem à destruição ou são filhas especiais do egoísmo, que as realiza para atender fins nem sempre respeitáveis.
A atualidade tem-se feito caracterizar por muitas formas de progresso, que têm impulsionado a cultura e a civilização a níveis elevados, não obstante a vigência dos crimes hediondos, da fome estarrecedora, das enfermidades infectocontagiosas, das guerras contínuas, dos abusos do poder, dos preconceitos ainda não erradicados, da intolerância de vário matiz, dos descalabros morais por meio dos vícios destruidores como o alcoolismo, o tabagismo, as drogas químicas...
A Ciência e a Tecnologia têm impulsionado o indivíduo a relevantes realizações, porém esquecidas do amor, e dessa forma as máquinas que ele criou substituem-no, desumanizam-no enquanto o superpovoamento das grandes cidades alucina-o, tornando-o mais agressivo e estressado. [...]
... E o ser humano superconfortado transita sob injunções tormentosas, derrapando em transtornos neuróticos, psicóticos, mergulhando no fosso da desolação.
Sucede que o progresso, sem amor, está sem Deus, portanto, sem o alicerce seguro do equilíbrio e da libertação das vidas dos seus atavismos primitivos, que as escravizam no primarismo de onde procedem. [...]
O amor fomenta o progresso, nunca eliminando a criatura humana, sua meta e seu destino. [...]
O ser humano é o grande investimento da Divindade, que aplicou centenas de milhões de anos na sua construção, conduzindo-o, passo a passo, na longa travessia das experiências de crescimento.
Mediante o amor, de que se constitui, e na maioria ainda se encontra em latência, conseguirá romper os envoltórios resistentes, para sair a flux e desenvolver as aptidões, aumentando o campo de realizações que lhe dizem respeito.
Por meio da lucidez do amor, a Tecnologia trabalhará em favor da paz, jamais promovendo guerras de extermínio, a soldo das ambições desmedidas de indivíduos e de governos alucinados, egotistas e mercenários.
Os poderosos auxiliarão os fracos, emulando-os à conquista de recursos dignos, mediante os quais adquirirão valores para a existência saudável.
O comércio terá características humanitárias e não apenas de exploração do homem pelo homem, gerando a escravidão monetária, qual vem ocorrendo lastimosamente.
As indústrias respeitarão os direitos do cidadão, mediante horários de trabalho justo e espaços para repouso, espairecimento e estudo, mas também preservarão a Natureza. [...]
A agricultura receberá maior respeito, tomando-se milagroso instrumento de provisão para as multidões, que não mais experimentarão fome ou escassez de alimentos.
O tráfico, em todas as formas como se apresente, será diluído na solidariedade que há de viger entre os seres pensantes da Terra. [...]
Como é possível uma sociedade, na qual alguns poucos detêm o poder financeiro, que todo o restante da população do mundo, somada, não consegue sequer aproximar-se, menos ultrapassar?! Como estabelecer-se uma cultura, em nome do progresso, na qual a miséria total espia com ira a abundância e o desperdício acintoso dos poderosos?! Como aguardar-se a paz social, estabelecida por tratados internacionais de conveniência, firmados pelas Nações mais desenvolvidas e ricas da Terra, olvidando-se dos estertores agônicos daquelas outras que lhes sofrem as injunções penosas, na condição de escravas, sem direito à palavra, à liberdade, à esperança, encontrando-se na linha abaixo da miséria estabelecida?!...
Tudo isso ocorre somente porque o amor não foi consultado, quando se cuidou de desenvolver o progresso do mundo, longe dos sentimentos da compaixão e da solidariedade para com o próximo, que não é apenas aquele que está mais perto, senão todos os seres existentes.
O amor verdadeiro, portanto, é aquele que se estabelece em todos os segmentos sociais, culturais, científicos, religiosos, artísticos, priorizando sempre a criatura humana, seu objetivo, sua razão de existir...
Com o seu hálito vivificador, comanda as consciências e os sentimentos, nunca permitindo que alguém deseje, ou faça com outrem, aquilo que não gostaria que lhe fosse feito.
Quando essa compreensão abarcar os homens e as mulheres, conduzindo-os pela trilha da evolução, o progresso será real, profundo e plenificador.
Começa, então, desde agora, com esse compromisso de amar, não pensando em resultados, exceto os do próprio amor.
O futuro encarregar-se-á de levá-lo até onde não consigas chegar, e isso, sim, é o que se faz importante.
(Garimpo de Amor – Joanna de Ângelis / Divaldo Franco)
Dimas
Aqueles terríveis dias anunciados se concretizavam.
A semana, que se iniciara festiva entre cânticos e júbilos, culminava em tragédia de hediondez. [...]
A crucificação era prerrogativa de Roma, que punia com crueza os inimigos de César e do Estado.
As tricas infames e as intrigas soezes levaram o Justo a uma triste peregrinação entre Anás, Caifás e Pilatos, num enredo político-religioso que a embriaguez farisaica, amparada pelos interesses subalternos do representante do Imperador que embora reconhecendo a inteireza moral do Réu - cedeu às pressões hábeis da indignidade mal disfarçada, entregando-o aos Seus inimigos.
Ele não reagira de forma alguma, como se aguardasse o veredicto já adrede tomado. [...]
Agora, a música lúgubre das marteladas empurrando os cravos enferrujados que lhe rasgavam as carnes, os tendões e os ossos, provocando dores acerbas, ficaria ribombando surdamente nos ouvidos das testemunhas...
Dois ladrões faziam-lhe companhia, como a caracterizá-lo na mesma condição de bandido, Ele que era a demonstração viva da Verdade. [...]
As pessoas contemplavam a cena hedionda, quando Ele disse estar com sede em um grito rouco, para que se cumprissem todas as Profecias.
Deram-lhe uma esponja mergulhada em fel e aloés presa na ponta de uma lança, que foi encostada aos Seus lábios rachados, sangrentos...
Disfarçado na turbamulta, para não ser identificado, Tiago, que era Seu discípulo, acompanhava com lágrimas o trágico acontecimento e se interrogava em silêncio:
Onde o carinho de Deus para com o Seu Filho?! Não era Ele o Messias?! Assim retribuía o Céu às atividades de amor, que Ele realizara na Terra? [...]
Ninguém que o houvesse acompanhado. Nem os amigos de ministério se faziam presentes, à exceção de João, que abraçava a Sua mãe, ao lado de outras mulheres, trêmulas e receosas.
Tiago não pôde dominar a aflição que o tomou por inteiro e pôs-se a chorar convulsivamente.
O Mestre olhou-o compassivo, e murmurou ternas palavras nos ouvidos do seu coração.
No mesmo instante, Dimas, o ladrão que estorcegava ao Seu lado direito, procurou identificar no grupo exótico que se movimentava aos pés das cruzes, alguém conhecido, e os seus olhos se cruzaram com os de sua mãe Tamar.
Pelas reminiscências, a memória evocou-lhe a infância e a adolescência na orfandade paterna bem como os sacrifícios daquela mulher extraordinária.
Foi na juventude que se iniciara na rapina, unindo-se a outros desordeiros e atirando-se aos abismos do crime.
O instinto de mãe havia percebido a mudança do filho e o advertira mil vezes, sem que ele se resolvesse por qualquer mudança real, embora não lhe confirmasse as suspeitas.
Quando se tornou notória a sua infeliz conduta, ele lhe prometera e à noiva Esther, que aquela seria a última viagem às terras fabulosas do além-Jordão, para poder oferecer-lhes a segurança de um lar honrado após consorciar-se e construir a família.
De tal maneira elaborou e apresentou o plano da viagem, que as duas mulheres acreditaram...
Agora, surpreendido pelos soldados que o haviam emboscado no desfiladeiro por onde passavam as caravanas que ele e Giestas pretendiam assaltar, foram aprisionados e ali estavam punidos.
A mãe aflita chorava, interrogando em dorido silêncio:
- Por quê, meu filho? Em que errei na tua educação?!
Afogada em lágrimas esteve a ponto de cair, quando foi amparada pela jovem companheira, Esther, a noiva inditosa.
Dimas desejou gritar, estremunhado e louco, no justo momento em que o Mestre o fitou com suavidade.
Tomado de honesto arrependimento pelas alucinações praticadas, exorou, em agonia e fé:
- Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no paraíso.
Havia sinceridade e unção.
O arrependimento chegava-lhe na hora extrema. Reconhecia os erros e desejava reabilitação, anelava por confortar a mãezinha agônica e a noiva humilhada, mas era tarde.
Debatia-se na angústia, quando o Rabi, empapado do suor de sangue misturado ao pó, com as chagas abertas como flores rubras e roxas de bordas rasgadas, lhe respondeu, misericordioso:
- Em verdade, em verdade, te digo hoje: entrarás comigo no paraíso...
Uma aragem fresca e suave passou pela alma do bandido.
Acompanhando a cena grandiloquente, Sua mãe percebeu a outra mulher quase desfalecida. Acercou-se-lhe com o passo trôpego e interrogou-a com voz trêmula:
- É teu filho, o crucificado da direita?
- Sim, é meu filho!...
- Então, mulher, se meu filho, o do meio, disse ao teu filho, que o atenderia, crê, porque meu filho é o Excelente Filho de Deus, o Seu Messias.
As duas mulheres se abraçaram, e novamente a terra tremeu, a tormenta voltou, e entre o ribombar dos trovões e o balé do relâmpago que cortava ziguezagueante as nuvens carregadas, Ele gritou:
- Está tudo consumado!
A Humanidade infeliz, vítima da ignomínia, tentou silenciar a Verdade que viera para libertá-la, método infame utilizado pela covardia para retardar o próprio progresso.
Sempre, porém, haverá oportunidade para o homem arrepender-se e recomeçar.
Dimas era a última lição de arrependimento e de recuperação.
(Mensagem “Dimas: Arrependimento e Recuperação” em ...Até o Fim dos Tempos/Amélia Rodrigues/Divaldo Franco)
Porta estreita
“Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.” - Jesus. (Lucas, 13:24.)
Antes da reencarnação necessária ao progresso, a alma estima na “porta estreita” a sua oportunidade gloriosa nos círculos carnais.
Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina. Compreende a dificuldade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.
Obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço de retificação e aperfeiçoamento.
Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a procurar as “portas largas” por onde transitam as multidões.
Fugindo à dificuldade, empenha-se pelo menor esforço.
Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal. Longe de servir aos semelhantes, reclama os serviços dos outros para si.
E, no sono doentio do passado, atravessa os campos de evolução, sem algo realizar de útil, menosprezando os compromissos assumidos.
Em geral, quase todos os homens somente acordam quando a enfermidade lhes requisita o corpo às transformações da morte.
“Ah! se fosse possível voltar!...” - pensam todos.
Com que aflição acariciam o desejo de tornar a viver no mundo, a fim de aprenderem a humildade, a paciência e a fé!... com que transporte de júbilo se devotariam então à felicidade dos outros!...
Mas... é tarde. Rogaram a “porta estreita” e receberam-na, entretanto, recuaram no instante do serviço justo. E porque se acomodaram muito bem nas “portas largas”, volvem a integrar as fileiras ansiosas daqueles que procuram entrar, de novo, e não conseguem.
(Vinha de Luz – Emmanuel / Francisco Cândido Xavier)
OS EVANGELHOS EXPLICADOS
Jesus e a Perfeição Sideral
“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? R. Jesus.” (O Livro dos Espíritos, Q. 625)
“Todas as entidades espirituais encarnadas no orbe terrestre são Espíritos que se resgatam ou aprendem nas experiências humanas, após as quedas do passado, com exceção de Jesus Cristo, fundamento de toda a verdade neste mundo, cuja evolução se verificou em linha reta para Deus, e em cujas mãos angélicas repousa o governo espiritual do planeta, desde os seus primórdios”. (Emmanuel, O Consolador, Q. 243)
“Jesus é um Espírito que, puro na fase da inocência e da ignorância, na da infância e da instrução, sempre dócil aos que tinham o encargo de o guiar e desenvolver, seguiu simples e gradualmente a diretriz que lhe era indicada para progredir; que, não tendo falido nunca, se conservou puro, atingiu a perfeição sideral e se tornou Espírito de pureza perfeita e imaculada”.
“Jesus, já o dissemos, é a maior essência espiritual depois de Deus, mas não é a única. É um Espírito do número desses aos quais, usando das expressões humanas, se poderia dizer que compõem a guarda de honra do Rei dos céus. Presidiu à formação do vosso planeta, investido por Deus na missão de o proteger e governar, e o governa do alto dos esplendores celestes como Espírito de pureza primitiva, perfeita e imaculada, que nunca faliu e infalível por se achar em relação direta com a Divindade. É vosso e nosso Mestre, Diretor da falange sagrada e inumerável dos Espíritos prepostos ao progresso da Terra e da humanidade terrena e é quem vos há de levar à perfeição”. [...]
“Jesus é servo e bem-amado de Deus, pela sua qualidade de Espírito puro e perfeito. Deus o elegeu quando o fez Protetor e Governador do vosso planeta. Nele se compraz, fazendo-o participar do seu Poder, da sua Justiça e da sua Misericórdia, dando-lhe a investidura de vosso Mestre, encarregando-o de presidir à formação da Terra, de a guiar e conduzir, com tudo o que nela se move e existe, com a humanidade que a habita, pelas vias do progresso físico, moral e intelectual, incumbindo-o de vos levar à perfeição que haveis de atingir”.
(Fonte: "Os Quatro Evangelhos", org. de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Ed. Ibbis, Brasília, 2022. Tomo I, Item 56, parágrafos 72 e 73 e Tomo II, item 158, parágrafo 2)
ESTUDOS FILOSÓFICOS:
A maior e melhor série de artigos
da literatura espírita brasileira está de volta!
Artigo CDXLII - Gazeta de Notícias, 07-06-1896
Apostamos que o Apóstolo já está com saudade do bom abade Almignana, embora não tenha a franqueza de dizê-lo, nem mesmo ao seu confessor.
Pois nós, apesar de possesso do demônio, sentimos gosto em dar água ao sequioso, a exemplo da samaritana.
Quem dera que, em trevas, recebêssemos algo semelhante ao que disse àquela mulher o Redentor!
E a propósito: que significam aquelas palavras: “dia virá em que não se adorará a Deus nem em Jerusalém, nem no monte Gerezin; mas em Espírito, porque Deus é Espírito e em espírito e verdade é que quer ser adorado”?
Enquanto cogitais sobre esta passagem, nós transladaremos para aqui as de Almignana. “Ouvindo dizer que certas pessoas havia, cujas mãos, impelidas sem que o soubessem, escreviam coisas admiráveis, a quem chamavam médiuns, resolvi certificar-me do fato. “Certo dia, tomei um lápis, e, pondo-o sobre o papel, concentrei-me quanto me foi possível. “Decorridos alguns minutos apenas, senti que minha mão era impelida e a vi traçar, sem saber como, linhas, letras e palavras.
“Havendo repetido esta experiência frequentemente, cheguei a ser médium, ainda que de ordem secundária.
“Com a intenção de saber se neste fenômeno havia o quer que fosse diabólico, para não mais me ocupar dele, interroguei à força ou Espírito que me movia a mão se era o demônio. “Como fosse negativa a resposta, disse-lhe que me desse uma prova disso.
“Mal havia eu pronunciado estas palavras, quando, arrastada com vivacidade, minha mão traçou uma grande cruz
“Em seguida fiz-lhe as mesmas perguntas que fiz à mesa, e as respostas por escrito foram as mesmas”.
Este padre julga-se ainda no tempo em que a santa Igreja de Jesus Cristo sancionava as mais diabólicas torturas a que eram submetidos os ímpios, ad majorem Dei gloriam.
Naquele tempo de santíssima recordação para Roma, com efeito fazia prova plena de ser de Deus o Espírito que traçasse no papel uma grande cruz; porque o ensino era: que o demônio fugia à vista do sagrado lenho.
E devia ser assim, se efetivamente existisse o demônio pessoal, pois que o Espírito das trevas não poderia suportar a luz divina, como não podemos nós encarar de frente o Sol.
É verdade que a Igreja nos ensina que o Espírito imundo enfrentou com o próprio Jesus, levando-o ao alto de um monte – daí acima do Templo – oferecendo-lhe todas as grandezas da Terra para que o adorasse
E quem enfrenta com uma pessoa não há de fugir de sua imagem.
Nós, porém, possessos do demônio, explicamos aquela passagem do Evangelho como uma das muitas parábolas que ali se encontram.
O demônio representa o príncipe do mundo: o mal procurando avassalar a divina encarnação do bem: Jesus1.
Seja, porém, como for, o caso é que a prova que o padre Almignana, em sua consciência de bom católico, julgou ser a última ratio contra a intervenção do demônio nas manifestações espíritas, não convence a seus colegas de hoje – e até parecer-lhes-á ridículo.
Certas verdades católicas mudam com os tempos – e esta é uma delas.
O demônio foge da cruz: logo, jamais poderá traçar uma cruz; logo, quem moveu a mão de Almignana e se manifesta pelos médiuns, não pode ser o demônio.
Assim raciocinou o virtuoso padre, firmado no ensino da Igreja, mas …
Mas, assim como, para esplendor da fé, o papado pôs de parte o regnum meum non est de hoc mundo e adornou-se com uma coroa de rei e propôs-se a dominar os reis do mundo, assim – e sempre por amor da fé – fará e desfará verdades, segundo as necessidades da ocasião.
A comunicação dos Espíritos pelos médiuns abala os alicerces do edifício romano, quanto ao destino das almas depois da morte. Apara-se o golpe, explicando-se o fato, visto não se poder negar, por esta tirada: não Espíritos mas demônios, é o que fala ou escreve pelos médiuns.
Vem, porém, um respeitável sacerdote e diz: Não o demônio, pois que traçou uma grande cruz no papel – e agora?
E agora, nada mais simples: os demônios perderam o medo da cruz – os Espíritos das trevas já podem encarar a luz divina.
E plaudite, beati
De modo que, se o abade Almignana voltasse à Terra, ficaria envergonhado de sua infantilidade – de ter acreditado que os meios ensinados pela Igreja contra as possessões eram… fumo, que se desfaz com o vento – verdades, que o tempo gasta.
Que nos dizem a isto os reverendos do Apóstolo?
Se o ensino sagrado é verdadeiro, o demônio não pode fazer uma cruz – se o demônio não pode fazer uma cruz, quem se comunicou com Almignana não era o demônio.
E se as comunicações que tem Almignana, foram todas escoimadas de diabolismo, cale o Apóstolo – cale o clero católico suas apóstrofes contra as manifestações espíritas – e reconheçam e confessem: que os mortos podem falar com os vivos – e que, portanto, não se define eternamente o destino do homem, após a morte.
Ilustres senhores do Apóstolo – sabemos quanto custa substituir uma crença enraizada, pois que passamos por essa dura prova; mas a consciência deve ser esclarecida pela razão – e foi por não procurar esclarecer a sua que o sacerdócio hebreu – anciãos – escribas – e fariseus repeliram a luz – e crucificaram o Filho de Deus. [Max]
1 Vide a respeito Os Quatro Evangelhos, psicografia de Émilie Collignon e organização de Jean Baptiste Roustaing, Tomo I, item 61, Ed. Ibbis, 2022, de longe a melhor explicação que conhecemos sobre essa passagem evangélica, na Doutrina Espírita.↩
Reproduzido conforme texto original. Confira na edição da Gazeta de Notícias de 07-06-1896 Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
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