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Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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Estrela verde que simboliza o Esperanto
Comunicado de realização do XXII Congresso Roustaing em nossa CASA.

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Matrimônio

Pedro Richard (Espírito)

Fotografia de recém-casados abraçados, à beira de um lago, em um por do sol.

Casar-se!

A solenidade terrestre do casamento é invariavelmente um contrato legal, acompanhado de acontecimentos festivos. Não há, porém, dois matrimônios absolutamente iguais. Há cônjuges que somam terras e fazendas e não reúnem diminutas parcelas de compreensão; outros, se entrelaçam superficialmente, mas não sintonizam as mínimas vibrações do sentimento. Milhares de homens e mulheres desposam casas, fortunas, comodidades, títulos, influências e beleza física, sem ligeira ideia, sequer, das necessidades do espírito. E o resultado de semelhantes uniões é sempre o condomínio atormentado de dois corpos e a fria separação de duas almas que se defrontam, revoltadas, sob a canga de compromissos que se julgam incapazes de resolver.

Ele define a companheira como sendo «uma víbora!». Antes, asseverava: «é uma santa!». Ela afirma a respeito dele: «é um monstro!»; antes, repetia, feliz: «ele é um anjo!».

Agiganta-se o conflito doméstico e, em muitas ocasiões, os antagonistas não encontram outra escapatória que não seja a dissolução ou a delinquência, o suicídio ou o manicômio.

Se problemas desse jaez te acicatam a vida, recorre ao estabelecimento espírita, como quem adquire a medicação providencial.

Todos os que se casam o fazem sem ser constrangidos. Dizem o “sim” por resolução pessoal. Só há decepção mútua quando não se enlaçam pelo espírito. E muitos casamentos apenas têm o seu início na festa nupcial para nunca chegarem à conclusão definitiva.

Ninguém se casa ao acaso. Em cada reduto familiar o passado está revivendo. Se te casaste, aprende a casar-te todos os dias sob a inspiração da bondade e da tolerância. Somente nessa base construirás no companheiro ou na companheira do teu destino o entendimento necessário à ruptura de todas as cadeias do passado, para respirares, enfim, livre, em plenitude de amor perene.

(Página recebida pelo médium Waldo Vieira, transcrita do livro “Lindos Casos do Evangelho”, de Ramiro Gama).


Laços de Família

O lar, na Terra, é um bendito laboratório para as experiências inabordáveis da evolução do Espírito.

Por sua vez, a família constitui o campo sublime de realizações intelecto-morais, no qual ressurgem os labores que ficaram interrompidos pela imprevidência e agressividade, aguardando futura regularização. [...]

Em face do largo processo reencarnatório - a simbólica escada bíblica de Jacó - no qual, os insucessos, não poucas vezes, superam os êxitos nas atividades empreendidas, ei-los que retornam a fim de se realizarem os indispensáveis ajustamentos, com novas programações para o futuro. [...]

Na consanguinidade, portanto, encontram-se os laços que vinculam os Espíritos, uns aos outros, proporcionando-lhes a convivência necessária para a aprendizagem de comportamentos saudáveis, ao tempo em que faculta o desenvolvimento dos valores adormecidos, assim como das possibilidades de serviço auto-iluminativo com vistas ao progresso da sociedade. [...]

Nesse santuário de bênçãos, que é o lar, e nesse convívio familial, inimigos se acercam, atados pelos recursos genéticos, que impõem os impositivos da fraternidade, embora as lutas prossigam, não poucas vezes, acirradas, limando arestas, até o momento em que se possa triunfar sobre a animosidade, perdoando-se reciprocamente e passando-se a amar e compreender... [...]

Algozes recomeçam sob a dependência das suas antigas vítimas, agora em situação diferente, a fim de recomporem os compromissos da vera fraternidade, instituindo o programa do bem comum, em forma de edificação pessoal e coletiva.

Pais e filhos, que foram comparsas em erros ou se fizeram adversários sistemáticos, novamente defrontam-se, sem justificação válida para a postergação do dever de união e de paz.

Amantes traídos e traidores do sentimento afetivo, reaparecem em carência e vivenciam o vazio existencial, incompreendidos e desolados, aprendendo respeito ao seu próximo e compreensão em torno da solidariedade que deve viger entre todos.

Afeições dignificantes que foram perturbadas pela vilania dos desejos inferiores, ressurgem na família, exigentes e aterradoras, em confusão de sentimentos que a desconsertam...

Por isso, não se tem a família na qual se gostaria de estar, mas aquela que se torna necessária para a mais valiosa conquista de espiritualidade. [...]

*

A verdadeira família, sem dúvida, é a espiritual.

Ilustração de um laço no formato de um coração.

O grupo físico, que se reúne no teu lar, constitui a oportunidade reeducativa para o teu processo de evolução.

Encontrarás familiares queridos em outros clãs, que gostarias estivessem contigo, mas por enquanto ainda não os mereces. Tem paciência e confia no amanhã. Corrige e aplaina a retaguarda, a fim de que possas voltar a percorrer essa mesma estrada sem dificuldades no futuro.

Cada membro do teu lar é uma gema preciosa que Deus te concede para lapidação, a fim de que a grandeza que lhe dorme sob a ganga seja desvelada e possa brilhar ante qualquer claridade que a atinja.

Esforça-te por amar a tua família, por mais avessa seja ao sentimento de ternura, não deixando que o lar se esfacele, mesmo que os rudes camartelos das discussões e ressentimentos golpeiem-no de contínuo.

*

Há, sim, famílias consanguíneas que reúnem Espíritos queridos, que se amam e se ajudam, mas isso não constitui regra geral... [...]

Os laços, pois, de família, são de estrutura espiritual, no entanto, mediante as reencarnações felizes, nas quais se resgatam velhos compromissos, surgem o amor e a bondade para os unir definitivamente. [...]

(Iluminação Interior – Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)


Estesia – LVII

Em plena juventude, qual verde uva que aguarda a Primavera para enriquecer-se de vinho, anelei pelo amor, a fim de ser feliz.

O amor passava de longe com guizos e guirlandas de flores, cantando aos ouvidos de outros corações em festa, enquanto eu aguardava, triste e só.

Na maturidade da vida, ainda mantinha a esperança de ser penetrado pela sua claridade abençoada, todavia, não consegui viver o calor da sua presença.

Agora, que me debruço à janela da velhice, fitando a ponte que me levará ao país de lá, noutra dimensão, o Amor passa, com alegria, pela minha porta entreaberta.

Desenho de janela entreaberta mostrando um campo florido com aves em um céu azul e límpido.

Coloco, apressadamente, flores de laranjeira na casa do meu coração e atapeto o chão para que ele entre com pés de prazer, iluminando a escuridão da minha soledade.

Da janela engalanada, vibrando de emoção, ouço o cortejo real que o traz, aproximando-se, e vejo as bailarinas que dançam, e penetra-me os ouvidos a música embriagadora, anunciando a sua chegada.

Tremo de ternura, mas já não sofro desejo nem aflição.

Ele detém-se, e os seus olhos felizes fitam os meus olhos quase apagados, reacendendo neles a luz que volta a brilhar novamente.

Há tanta beleza no Amor que me inebrio.

Superando o egoísmo, já não lhe peço que entre e domine o meu coração rejuvenescido...

... E em razão de o amar, deixo-o seguir, porque não o tendo agora, tê-lo-ei para sempre, na visão sem-fim daquele momento de intérmina felicidade.

O Amor passou por mim, mas não se foi, porque, amando, já não peço nada, podendo doar-me aos que vêm atrás, em abandono e solidão.

(Estesia – Rabindranath Tagore/Divaldo Franco)


OS EVANGELHOS EXPLICADOS

A Queda do Homem

Imagem simbólica de expulsão de Adão e Eva do paraíso.

122. Como podem os Espíritos, em sua origem, quando ainda não têm consciência de si mesmos, gozar da liberdade de escolha entre o bem e o mal? Há neles algum princípio, qualquer tendência que os encaminhe para uma senda de preferência a outra?

“O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo. Já não haveria liberdade, desde que a escolha fosse determinada por uma causa independente da vontade do Espírito. A causa não está nele, está fora dele, nas influências a que cede em virtude da sua livre vontade. É o que se contém na grande figura emblemática da queda do homem e do pecado original: uns cederam à tentação, outros resistiram.” (O Livro dos Espíritos)

262. Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e carecido de experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?

“Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazeis com a criancinha. Deixa-o, porém, pouco a pouco, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, senhor de proceder à escolha e só então é que muitas vezes lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por desatender os conselhos dos bons Espíritos. A isso é que se pode chamar a queda do homem." (O Livro dos Espíritos)


Galgado esse ponto, eles se mostram mais ou menos dóceis aos encarregados de os conduzir e desenvolver.

A vontade, atuando então no exercício do livre-arbítrio, traça uma direção boa ou má ao Espírito que, deste modo, pode falir ou seguir simplesmente e gradualmente o caminho que lhe é indicado para progredir.

Muitos se transviam: alguns resistem aos arrastamentos do orgulho e da inveja.

O orgulhoso é invejoso por não poder suportar o que quer que seja acima de si; é egoísta, pretendendo ser para tudo o ponto de referência; é presunçoso, pois deposita em suas energias e inteligência uma confiança, tão errônea quanto condenável, que o leva muitas vezes a revoltar-se contra a prudência de quem lhe interdita atos superiores às suas forças.

Não tendes visto crianças que tentam executar os vossos trabalhos, gabando-se de fazê-lo tão bem como vós, tal a confiança que depositam em si, nas suas inteligências, e que se revoltam, não raro, contra a prudência dos pais, que vedam a esses temerários a prática de atos que estão acima de suas forças e que lhes poderiam ocasionar graves acidentes? São Espíritos que há séculos sofrem expiações e reencarnações sucessivas e que ainda se não purificaram. O orgulho, a presunção, o egoísmo, a inveja que neles assim se manifestam são sinais e foram causa de suas primitivas quedas.

Indóceis, rebeldes à influência dos Espíritos incumbidos de os conduzir e desenvolver, os que se transviam atraem, por seus maus sentimentos, tendências e pendores, Espíritos maus a quem esses sentimentos, tendências e pendores são simpáticos. Mas, notai-o bem, porquanto as nossas palavras precisam ser exatamente compreendidas: o Espírito cai por si mesmo, não cai porque outro o arraste à queda. Acabamos de dizer que os Espíritos seguem livremente este ou aquele caminho. Portanto, é por ato da própria vontade, por impulso próprio, que entram numa ou noutra senda. A simpatia que experimentam pelos Espíritos inferiores e que os domina resulta da disposição própria de cada um. Só após a queda se estabelecem as suas relações com os inferiores.

Inversamente, aqueles que, dóceis, seguem simplesmente e gradualmente o caminho que seus guias lhes indicam para progredirem, atraem os bons Espíritos, simpáticos às suas tendências boas, aos seus bons sentimentos e pendores.

(Fonte: "Os Quatro Evangelhos", org. de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Ed. Ibbis, Brasília, 2022. Tomo I, Item 56, parágrafos 48 a 54)


ESTUDOS FILOSÓFICOS:
A maior e melhor série de artigos
da literatura espírita brasileira está de volta!

Artigo CDXXXVIII - Gazeta de Notícias, 03-05-1896

Imagem com as capas dos cinco volumes da obra Estudos Filosóficos.

Já que interrompemos a série de nossos estudos sobre o livro de Almignana, primeiro, para atendermos ao que disse São João sobre os Espíritos que são ou não de Deus, em suas comunicações com os vivos, e segundo, para darmos fraternal expansão ao sentimento que nos punge pelo desaparecimento da liça de um dos nossos mais valentes contendores; aproveitemos esse destrilho para atendermos ao que disse outro venerando Apóstolo, S. Paulo, a quem a Igreja romana glorifica por palavras, mas não por obras, visto que não aceita os de S. João, sobre a comunicação dos Espíritos.

S. Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, ensina que o homem tem dois corpos: um animal, pelo qual a alma se põe em relação com o mundo material; outro espiritual, fluídico, incorruptível, pelo qual a alma se põe em relação com seu próprio corpo.

É precisamente o que ensina o Espiritismo, que designa o corpo fluídico ou espiritual pelo nome de “perispírito”

O perispírito é aquele corpo fluídico que Moisés chamou “corpo de todas as vidas da alma”, e é este corpo “espiritual” de que fala S. Paulo.

É o invólucro do Espírito, que o põe em relação com o corpo, durante a vida carnal – e é durante a vida espiritual ou do Espírito fora do corpo, quem lhe dá a forma deste, porque o Espírito, em sua essência, não tem forma, ao menos em relação aos órgãos da visão humana, mesmo para os videntes

O perispírito é semiespiritual e semimaterial; um fluido essencializado, que chega quase a confundir-se com o que chamaremos substância espiritual; mas que, ainda assim, tem um toque sutilíssimo da substância material, como seria, grosseiramente comparando, o aroma da flor em relação à substância da mesma flor.

Tendo algo de material, ele pode receber do corpo as impressões – e tendo algo de espiritual, pode, por igual razão, transmiti-las à alma.

A matéria radiante, descoberta por Crookes e aceita pela ciência hodierna, aproxima-se, porventura, da substância perispiritual – e, em todo caso, dá luz para compreender-se essa substância infinitamente eterizada – dinamizada – essencializada até à mais alta sublimação.

Na vida de relação, a função do perispírito ou corpo espiritual é pôr a alma em relação com o corpo, um instrumento para a manifestação de todas as suas faculdades – essas que o homem perde temporariamente quando dorme ou quando está anestesiado; isto é, quando o corpo não está sob a ação direta e natural do Espírito ou alma, exercitando apenas as funções vegetativas, que são funções de sua matéria vitalizada.

Se o sábio estudasse o homem atenta e conscienciosamente, no estado de sono e no de vigília, distinguiria, no turbilhão das funções humanas, quais são as essenciais ao corpo e quais as essenciais à alma, isto é, reconheceria que umas, por acompanharem o corpo em todos os seus estados, não podem ser atribuídas senão ao organismo vitalizado – e que outras, desaparecendo durante certos estados do corpo, não lhe podem ser atribuídas como essencialmente suas.

Dormem, dizem – ficam inertes durante aqueles estados.

Que não se dirá quando se quer sustentar uma ideia fixa? Mas não se quer palavra – quer-se observação sem preconceitos.

Dormem; porém por que não dormem as funções da vida vegetativa, que precisam da atividade de todos os aparelhos orgânicos, inclusive do aparelho nervoso, e principalmente deste?

Meditem e reconhecerão que alguém, que é o senhor dessas funções que curam com o sono e com a anestesia, não está aí com o corpo, nesses estados, e por isto é que tais funções não se manifestam em tais estados.

Não está aí com o corpo nesses estados, integralmente, porque se desprende dele, sem, contudo, deixá-lo em absoluto, por que lhe fica preso por um tênue cordão perispiritual, que não dá, entretanto, para funcionar.

Meditem e reconhecerão, pelo sono e pela anestesia, como pelo sonambulismo e pelo hipnotismo, a existência da alma, que é a essência humana, não sendo o corpo senão um instrumento vivo.

O perispírito, pois, é que recebe do cérebro, condensador das impressões, todos os abalos que neste se produzem por movimentos externos e os transmite à alma que, à vista deles – sente, pensa e resolve – e pelo perispírito transmite ao cérebro, seu instrumento central, as volições determinadas por aquelas impressões.

É assim que, se a impressão é de luz, ela vê, por seu aparelho próprio, o objeto que lha deu; se é de som, ouve pelo aparelho próprio; se é de dor, sente; se é de ordem moral, reflete, pensa – raciocina e resolve, etc, etc.

Na vida espiritual, o perispírito não deixa o Espírito, purificando-se na mesma razão em que se purifica o Espírito, até se fundir nele, quando o ser pensante tem chegado, por seu progresso intelectual e moral, à transformação completa do que foi o homem, no que é o anjo: puro Espírito.

Enquanto ainda prevalece a barra humana, o Espírito atrasado serve-se do seu perispírito relativamente grosseiro, como de um instrumento material, condensando a substância desta natureza, que nele existe – e produzindo, por este modo, a materialização observada por Crookes – os fenômenos de transporte de objetos pesados, observados por Lombroso – e tudo o mais que, por si mesma, uma substância imaterial não pode produzir

Tudo isto, que tão levianamente se atribui à alucinação, são fenômenos reais, sujeitos ao exame experimental – e já hoje observados pelos maiores sábios do mundo

E, pois, digam os nossos sábios se a ciência espírita, que aprofunda e esclarece este mundo novo, é coisa de fazer rir!

Bem sabemos que a maior ciência é mais cega do que a completa ignorância; mas, por Deus! se querem rir, riam-se de si antes, que desses que procuram alargar os horizontes do saber humano, com estudos sérios, que não com frioleiras.

Aos católicos romanos só pedimos: que estudem os ensinos de S. Paulo e de Moisés, quanto a corpo espiritual – corpo de todas as vidas.

E acrescentamos: não se referem às sagradas letras à vida corpórea e à espiritual, porque, em tal caso, dir-se-ia: corpo da vida material e da vida espiritual, ou, por abreviatura, de ambas as vidas da alma.

Estudem – e chegarão a reconhecer, na Bíblia e no Evangelho, o princípio fundamental do Espiritismo – reencarnação ou pluralidade de existência da alma.

Max.

Reproduzido conforme texto original. Confira na edição da Gazeta de Notícias de 03-05-1896 Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
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