Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

Estude o Esperanto,
o idioma universal da Paz!

Estrela verde que simboliza o Esperanto
Comunicado de realização do XXII Congresso Roustaing em nossa CASA.

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Convite

Imagem com cartaz de divulgação da palestra Amor, A Alma dos Evangelhos.

Em comemoração ao "mês de Bezerra e Azamôr", quando referenciamos agradecidos ao Patrono de nossa CASA, cuja última encarnação ocorreu em 29/08/1831 e ao fundador e Orientador Geral da mesma, desencarnado em 01/08/1969, convidamos a todos para a palestra em homenagem a ambos a ocorrer no dia 29 deste mês:

Amor, A Alma dos Evangelhos


Contempla Mais Longe

Fotografia mostrando um caminho de terra, ladeado à direita por extensa plantação de girassóis.

“Porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão.” – Jesus. (Lucas, 6:38.)

Para o esquimó, o céu é um continente de gelo, sustentado a focas.

Para o selvagem da floresta, não há outro paraíso, além da caça abundante.

Para o homem de religião sectária, a glória de além-túmulo pertence exclusivamente a ele e aos que se lhe afeiçoam.

Para o sábio, este mundo e os círculos celestiais que o rodeiam são pequeninos departamentos do Universo.

Transfere a observação para o teu campo de experiência diária e não olvides que as situações externas serão retratadas em teu plano interior, segundo o material de reflexão que acolhes na consciência.

Se perseverares na cólera, todas as forças em torno te parecerão iradas.

Se preferes a tristeza, anotarás o desalento, em cada trecho do caminho.

Se duvidas de ti próprio, ninguém confia em teu esforço.

Se te habituaste às perturbações e aos atritos, dificilmente saberás viver em paz contigo mesmo.

Respirarás na zona superior ou inferior, torturada ou tranquila, em que colocas a própria mente. E, dentro da organização na qual te comprazes, viverás com os gênios que invocas.

Se te deténs no repouso, poderás adquiri-lo em todos os tons e matizes, e, se te fixares no trabalho, encontrarás mil recursos diferentes de servir.

Em torno de teus passos, a paisagem que te abriga será sempre em tua apreciação aquilo que pensas dela, porque com a mesma medida que aplicares à Natureza, obra viva de Deus, a Natureza igualmente te medirá.

(Pão Nosso – Emmanuel/Francisco Cândido Xavier).


Um Mais Avançado Conceito de Deus e da Vida

[...]

Assim, a obra é feita de um único pensamento, sempre mais aprofundado. Este pensamento é a Lei. Aproximamo-nos dele em dois momentos: primeiro, para conhecê-lo, depois para obedecer-lhe. Conhecê-lo é importantíssimo, porque isso nos faz evitar os erros que são a causa de nossas dores. Se este conhecimento não é adquirido por esforço da mente, devemos conquistá-lo à custa de sofrimentos. Ninguém pode escapar da obediência à Lei sem pagar as consequências. O fim da Obra é iluminar, ensinando com métodos de compreensão, menos duros que os de semelhante escola. A arte de viver consiste no desenvolvimento da inteligência para compreender mais a Lei, e compreender mais serve não só para obedecer-lhe melhor, como também para estar melhor e sofrer menos. O nosso objetivo é prático e utilitário. [...]

Tudo que existe está imerso nessa Lei; não podemos, pois, ir de encontro a ela a cada passo. Devemos compreender que a finalidade da vida é redimir-se da dor, efeito da revolta, e que isto só se consegue através da evolução. [...]

Vê-se, então, que qualquer que seja nosso comportamento mental, a Lei funciona igualmente para todos. O ateu vive imerso no pensamento de Deus tal como o crente. O homem de ciência não faz outra coisa senão estudar esse pensamento numa de suas ramificações. Ele observa seu funcionamento e sabe que, se não lhe segue com exatidão as regras, em leis invioláveis estabelecidas pelo pensamento divino, o resultado que vai obter será um desastre. Quando o cientista quer enviar um míssil à lua, deve estudar todas as regras que aquele pensamento estabeleceu e deve obedecer-lhes, se não quiser ver destruídos os seus mecanismos. A Lei com os fatos fala claro. Se o médico não observa as leis do funcionamento orgânico, mata o doente. Se o engenheiro não respeita as leis da gravidade, de equilíbrio, de resistência dos materiais etc., a sua construção cai. Se um indivíduo pratica o mal, acreditando que vai ter recompensa, esse mal termina por voltar-se contra ele mesmo. [...]

O conhecimento dos fatos não é senão um prolongamento do conhecimento da existência de Deus. Trata-se, pois, somente de fazer avançar a ciência ainda materialista a fim de que possa chegar mais alto até compreender também os problemas do espírito. Com os seus métodos experimentais positivos, o conhecimento levará também aos bancos de prova dos laboratórios os fenômenos desse tipo, para compreender-lhe a técnica funcional e descobrir-lhe os princípios diretivos, já estabelecidos pela lei geral dada pelo pensamento de Deus.

Escultura de um pórtico com uma Bíblia aberta em que se lê Dieu est Espirit.

Trata-se de uma revolução profunda que ocorrerá, antes de tudo, no cérebro humano. Não se pretende dizer com isso que se possa compreender completamente a Deus, conquistando o absoluto. Pode-se, porém, chegar a um contato direto com Deus até onde permitir o caminho percorrido na evolução, em proporção ao desenvolvimento atingido pela nossa inteligência e, pois, capacidade de compreensão. Não se pode superar tal limite, mas, até aquele ponto, o contato é possível e o diálogo pode ser uma real troca de ideias. Ora, o livro da vida já foi todo escrito por Deus, mas ao homem falta ainda olhos para lê-lo e a mente para compreendê-lo. Ele poderá lê-lo, cada vez melhor, à medida que a evolução desenvolve aqueles olhos e aquela mente. A história da humanidade é todo um diálogo com Deus. Diálogo profundo e completo. [...].

Colocados na estrada de uma religião positiva, toda a vida individual e social poderá ser orientada de outro modo. No campo moral, poder-se-ão prever as consequências das próprias ações, controlar a correção da trajetória do próprio destino e o lançar a partir de novo impulso e desenvolvimento nele contido, calculando-lhe a natureza. Em vez de comportar-se como hoje, às cegas, em relação ao futuro, poder-se-á, com uma regulamentação racional da própria conduta, estabelecer previamente uma planificação da própria vida, dirigindo-a conscientemente para os fins pré-estabelecidos, evitando erros e dores que os seguem. A ética poderá tornar-se uma ciência exata e isso é possível porque ela faz parte de uma lei justa. Certamente, então, a conduta humana seguirá métodos diversos. Cada pensamento e ação deverá ser feito com absoluta sinceridade e honestidade, dirigido para fins determinados, porque se sabe que a Lei é justa e responde com a mesma linguagem que se usa com ela. [...] A Lei responde restituindo o que lhe foi dado e dando o que foi merecido. Assim, o que conta não é o que se diz, mas o que se faz. [...]

A justa posição é a de usar os valores do mundo, mas não como única finalidade, e sim apenas como meio para conseguir um fim mais alto e longínquo, aquele proposto pelo ideal. Aceitar assim o mundo, mas em função de uma superação. Deste modo a vida na Terra se torna uma escola de aprendizagem. Então, a sabedoria está em servir-se dela para preparar-se, a fim de entrar na outra vida, em uma posição espiritual mais elevada. É respeitada assim a imperiosa necessidade de ocupar-se das coisas materiais indispensáveis para viver, mas, ao mesmo tempo, este trabalho é canalizado num sentido evolutivo, em direção ascendente, para o alto, de modo que não dê apenas um fruto imediato, mas seja também útil para a nossa evolução.

(Trecho de volume com mesmo título, de Pietro Ubaldi)


Nova Aurora

Graças a Deus que raiou a aurora. Graças a Deus que foi aberta a porta da prisão aonde eu, graças ao Criador, pude pagar algumas das minhas imperfeições.

Não pensei nunca que me fosse dado despertar tão depressa para a nova vida, que de há muito esperava. Não porque eu quisesse me libertar da minha prova, mas sim porque agora já posso me locomover para onde for necessária minha presença, já que lágrimas estão sendo derramadas pelo meu desenlace e sou feliz por ter adquirido tantas amizades no meio dos humildes, como sinceros colaboradores na minha passagem por essa Terra, a que poucos sabem dar o real valor. “Vale de lágrimas”, dizem muitos, e eu digo, “Mar de perfeição”, onde o Pai colocou toda a beleza e toda a sabedoria para a elevação de seus filhos e para a sua purificação.

Tempo virá em que ireis transformar vossas lágrimas em verdadeiros colares de pedras preciosas e vos tornareis mais belos. Vosso olhar será puro e transparente e sairão de dentro dele fachos de luz que dissiparão todas as trevas, por mais espessas que estas sejam e aí vós cantareis hosanas, hosanas ao Senhor pela grande graça de poderdes habitar a terra prometida, onde todos se amarão e se ajudarão mutuamente, onde não haverá mais velhice mas sim a verdadeira mocidade, a verdadeira harmonia, aonde haverá mais beleza nos vossos corpos que hoje tanto vos custa transportar.

Fotografia de um radiante nascer do sol em uma praia.

Vós estareis aonde for preciso a vossa presença, quase tão rápido quanto o vosso pensamento.

Trabalhai para isso, aceitai as provas que hoje vos são dadas, dando Graças a Deus pela grande oportunidade de fazer o vosso progresso, procurando sempre evoluir, ajudando vossos irmãos a evoluir juntos. Vosso planeta estará em constante evolução.

O meu desejo é que possais ser sempre os escolhidos do Pai.

Paz, amor, e muitas saudades, do amigo que se faz presente.

(Azamôr Serrão - Mensagem recebida no “Amparo Tereza Cristina”, pela médium Elvira Dias Barreiros, uma ou duas semanas após de seu desenlace – consta do volume Antena Celeste, edição CRBBM)


OS EVANGELHOS EXPLICADOS

Evolução do Perispírito

“A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito”.

(A Gênese, de Allan Kardec, Cap. XIV, item 9)

Imagem representando o corpo perispiritual e seus centros de força.

Sob a influência atrativa dos fluidos em geral, os do perispírito variam incessantemente, acompanhando a marcha progressiva do Espírito cujo envoltório formam, até que o mesmo Espírito tenha atingido a perfeição e isso se dá quer se trate de um que permaneceu sempre puro, quer de um que haja falido. De acordo com as suas tendências e com o grau do seu progresso, o Espírito assimila constantemente os fluidos que mais em relação estejam com a sua inteligência e com as suas necessidades espirituais.

Quanto mais inferior ele é, tanto mais opacos e pesados são os fluidos perispiríticos. Da maior ou menor elevação do Espírito depende a maior ou menor quantidade de fluidos puros na composição do seu perispírito.

Assim, os corpos fluídicos constituídos pelos perispíritos apresentam maior ou menor fluidez, são mais ou menos densos, conforme à elevação do Espírito encerrado nessa matéria. Dizemos matéria porque, efetivamente, para o Espírito, o perispírito é matéria.

O perispírito, tanto do Espírito que faliu, como do que se manteve puro, forçosamente se modifica de conformidade com as fases da existência e com as provações.

Só quando o Espírito atingiu a perfeição, e só então, lhe é dado modificar voluntariamente o seu perispírito, de acordo com as necessidades do momento, com as regiões que tenha de percorrer, com as missões que o Senhor lhe confia, conservando-se inalterável a essência purificada do mesmo perispírito.

(Fonte: "Os Quatro Evangelhos", org. de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Ed. Ibbis, Brasília, 2022. Tomo I, Item 56, parágrafos 55 a 59)


ESTUDOS FILOSÓFICOS:
A maior e melhor série de artigos
da literatura espírita brasileira está de volta!

Artigo CDXXXIX - Gazeta de Notícias, 16-05-1896

Imagem com as capas dos cinco volumes da obra Estudos Filosóficos.

Enquanto o ilustrado autor das Cartas Parisienses do Paiz diz a seus leitores, do Brasil, que a elite da sociedade parisiense se [convenceu] ante o fato de retratos dos Espíritos, um dos redatores do Jornal do Brasil, descrevendo um caso de bruxaria, de que tomou conhecimento a polícia, leva de cambulhada com semelhantes práticas as do Espiritismo, sem distinções.

É questão de meio.

O Espiritismo, na Europa, abala a mais seleta sociedade e prende a atenção dos mais respeitáveis homens da ciência.

O Espiritismo, no Rio de Janeiro, apreciado à luz da ciência indígena, é atirado para os antros em que se fazem bruxarias e feitiçarias.

Felizmente não há de ser pelos grãos de areia que o redator do Jornal do Brasil atira às rodas do carro do progresso que a verdade há de deixar de brilhar.

O ilustrado Sr. Xavier de Carvalho, em sua última carta de 2 de abril, discutiu filosofia espírita a propósito dos retratos dos Espíritos – e fê-lo com a seriedade própria de quem possui o critério literário e científico.

Naturalmente, não dispondo dos conhecimentos específicos da nova Doutrina, faliu em muitas de suas apreciações; mas é de justiça confessar que procedeu corretamente como profano na matéria.

Nem repeliu nem aceitou os fatos, porque não os estudou, nem assistiu às experiências!

Lendo-o, sentimo-nos possuído do desejo de concorrer com o nosso pouquinho a preencher lacunas que se notam no interessante trabalho.

Antes, porém, de fazê-lo, permitir-nos-á o distinto correspondente do Paiz que digamos duas palavras sobre o caso da moça Couédon, que foi mal apreciado por S.S..

Aqui, no Rio de Janeiro, casos daquela espécie contam-se por centenas; mas passam despercebidos, porque os médicos qualificam-nos logo de loucura – e ficam sendo loucura.

Loucura são porque assim se chama toda a alienação da razão; porém a experiência, baseada nas observações de Esquirol, distingue categoricamente loucura de loucura.

Aquele sábio, cujo fim desastroso ainda enluta a ciência, que esclarecida com a luz claríssima de sua possante mentalidade reconheceu: que há loucura com lesão cerebral e loucura sem a mínima lesão deste órgão da manifestação do pensamento.

Os que pertencem à primeira ordem são verdadeiros loucos – os segundos que serão?

Se o órgão transmissor do pensamento acha-se em perfeito estado fisiológico, qual a causa da alienação?

O médico, em geral, não cogita disto – e, reconhecendo a alienação, prefere o [vae victis]: louco.

Aquele, porém, que fez da ciência um sacerdócio não se prende a palavras cabalísticas, cujo fim é encobrir nossa ignorância – e vai procurar a lei oculta, que possa dar a razão do caso excepcional.

E o homem de ciência, à luz do Espiritismo, arrancou das trevas do chamado incognoscível a lei que rege toda aquela ordem de fenômenos.

Se a lesão do cérebro explica a loucura propriamente dita, pela clara razão de que não se pode fazer obra com um instrumento imprestável, é intuitivo que, se qualquer coisa obstar a ação do cérebro, embora se ache ele organicamente são, o efeito, quanto à manifestação do pensamento, será o mesmo do caso da lesão [...].

Ao artista tanto faz ter o instrumento enferrujado, [...], quebrado, como tê-lo em bom estado, porém [...].

É, pois, a alienação, um estado fisiológico do cérebro, efeito de uma causa que lhe perturba a ação.

E a causa, cuja [constatação] pode ser feita experimentalmente, o que vale por dizer: pode ser vista e [estudada] por quem quiser dar-se ao trabalho de [investigar] – esta causa é um Espírito desencarnado, que persegue o chamado louco, ou por vingança de mal, que lhe há ele feito, ou por simples gosto de fazer mal.

Colocando entre o ser pensante e o cérebro seus fluidos maléficos, perturba mais ou menos a comunicação entre um e outro – e dominando a vontade do infeliz, leva-o a representar os mais tristes e ridículos papéis.

Quereis remover esta causa e restituir à razão ao [alienado]?

Convencei o perseguidor a abandonar sua vítima – [e, na medida] em que ele aquiescer aos nossos rogos, arrependido do mal que faz, o alienado cobrará sua razão.

Eis uma explicação que vai ser [classificada] como bruxaria, bem o sabemos; mas, em primeiro lugar, [...] declaração de que, em cerca de 20 casos, obtivemos a cura do doente instantaneamente [...] – e, em segundo lugar, repetiremos o que tantas vezes temos dito: este estudo experimental pode ser feito por quem quiser aprofundar os princípios espíritas.

Assim, pois, a menina de [...], que tanto tem interessado a [...] de Paris, não é mais nem menos do que uma [obsediada].

O obsessor, tendo dominado sua vontade, [...].

Max.

Reproduzido conforme texto original. AS LACUNAS DO TEXTO SE DEVEM ÀS MÁS CONDIÇÕES DO MATERIAL ORIGINAL. Confira na edição da Gazeta de Notícias de 16-05-1896 Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
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