Deus

Após a necessária separação da fé religiosa com a investigação científica dos fatos a partir do século XVII e com o renascimento do atomismo grego, o materialismo avançou com segurança pelos desconhecidos caminhos da realidade.
Deixando à margem as fantasias e as superstições defluentes da ignorância ancestral, de que se utilizavam algumas doutrinas religiosas, que estabeleceram o período do terror da fé, gerador de crimes hediondos, os cientistas sinceros e os investigadores comprometidos com a consciência livre de dogmatismos e preconceitos penetraram nos arcanos da Natureza e foram interpretando as leis que a constituem, ultrapassando os mitos e estabelecendo novos paradigmas de segurança para o avanço cultural e o progresso em geral.
É compreensível que, após milênios de escravidão e subserviência de qualquer natureza, quando se alcança a liberdade de pensamento e de ação, ocorra o desequilíbrio decorrente da falta de novos conceitos que estabeleçam o que é lícito em relação àquilo que o não é, e o materialismo na sua ampla feição, como era natural, passou a impor-se mediante os métodos absolutistas que condenava nos comportamentos ancestrais.
Filósofos apaixonados e imprevidentes, assinalados alguns por amarguras e conflitos, declararam a morte de Deus; e investigadores entusiasmados proclamaram que a alma é uma sudorese do cérebro, à semelhança da urina que é uma excrementação dos rins...
Sem os suportes do bom senso e da razão harmonizada com a emoção, a ética-moral entrou em desvario e muitos descalabros morais e sociais passaram a ser considerados legais, em nome da liberdade individual e coletiva das massas, tais como: a pena de morte, o suicídio, a eutanásia, o aborto provocado, o gozo exaustivo...
O hedonismo substituiu o sentido psicológico profundo da existência humana e o prazer tornou-se a meta anelada, tendo-se em vista a brevidade da existência carnal e o exíguo tempo para a fruição de todos os favores do prazer.
O monstro da guerra encontrou suporte para prosseguir na alucinada destruição de vidas e de culturas, por apoiar-se em falsos conceitos de superioridade étnica, econômica, cultural e nos enganos do poder capaz de esmagar os outros, a fim de dispor de mais recursos para a ociosidade e para a opulência, sem qualquer respeito pelas vidas que passaram a estorcegar nas suas tenazes vigorosas.
O consumismo substituiu o comportamento saudável do uso correto de todos os recursos, as disputas individuais, coletivas e internacionais tornaram-se perversas e egoístas, demonstrando, porém, que todas as conquistas do conhecimento exterior não lograram tornar mais felizes os indivíduos, nem mais ditosos do que os seus antepassados.
Eliminaram-se, sem dúvida, enfermidades dizimadoras, mas outras surgiram não menos destrutivas, conseguiu-se expulsar da Terra pandemias ultrajantes, enquanto que outras apareceram mais cruéis, ao tempo em que a técnica de diagnóstico mediante tecnologias avançadas descobriu outros fatores de aniquilamento do corpo com caráter degenerativo, ao lado das tremendas perturbações nascidas no vazio existencial, na perda de sentido psicológico, nos tormentos do sexo e nas fugas pelas drogas aditivas e pelos vícios devastadores...
A paisagem humana do materialismo tem sido sombria, atormentada, e os sorrisos que a mascaram, na grande maioria, são mais esgares e extravagâncias do que júbilos...
Para onde caminha a Humanidade? Sem dúvida, apesar de tudo, para Deus!

Diante das circunstâncias e negativas ostensivas, cheias de agressividade e revolta, Deus existe e vela pelo Universo...
Lenta e seguramente, cientistas de valor moral e coragem incomum erguem suas vozes para afirmar que encontraram Deus nas suas retortas, através dos seus instrumentos avançados, seja nas lentes ópticas dos telescópios fora do planeta, como dos microscópios, dos aparelhos da nanotecnologia, da holografia, das ultrassonografias, dos choques de micropartículas, demonstrando a Sua autoria em relação ao Cosmo e a tudo quanto existe.
Alguns deles confirmaram que existe uma Lei Moral no Universo que se encarrega de tudo, de maneira consciente e adequada, estabelecendo os paradigmas da realidade.
Outros, deslumbram-se, ao concluírem que existe no ser humano um DNA de Deus, responsável pela crença natural de que todas as criaturas são constituídas.
Diversos outros experimentadores audaciosos, definem que o rastro de luz, também chamado bóson de Higgs, resultante do choque de prótons que reproduz a grande explosão, é a assinatura de Deus na Criação.
Ressoa na astrofísica a afirmativa de um grande sábio, afirmando que o Universo é um Grande Pensamento, tem vida, expande-se, e na sua infinita grandiosidade é uma Unidade pulsante.
Alguns graves investigadores optaram por substituir o verbo crer, relativo às várias mudanças que se permite, pelo saber, e quando interrogados se acreditavam em Deus, responderam com simplicidade e sem explicações: Eu sei!
Mais alguns atentos observadores encontraram no cérebro humano, graças às pesquisas de avançada tecnologia, um ponto de luz, que denominaram como ponto de Deus, e vários outros investigam as inúmeras expressões de tudo quanto existe, atribuindo-lhes uma causa única, inteligente, que tudo elaborou partindo de apenas um princípio... [...]
Inelutavelmente Deus está de volta à cultura hodierna.
Não somente através do encontro com Ele nas Leis Universais, assim como no íntimo dos sentimentos que O necessitam, a fim de serem equacionados os tormentos que infelicitam, atirando as suas vítimas aos abismos da insensatez e do suicídio.
Fundamentado todo o seu contributo libertador na crença em Deus, o Espiritismo afirma que Deus é a inteligência suprema e a Causa primeira de todas as coisas, em sintética definição que deram os Espíritos ao Codificador, quando os interrogou.
Deus, portanto, encontra-se ínsito no ser, aguardando ser descoberto e ampliado, assim como no Universo, em todas as suas manifestações.
Docemente Jesus chamava-O Pai numa expressão de infinita doçura e afabilidade, facultando a todos buscá-lO e vivenciá-lO ao longo da experiência evolutiva, que mais os aproxima d’Ele.
Permear-se do Seu Amor e auscultá-lO na mente e no coração é o dever que a todos cumpre vivenciar neste grave momento de aflições e dores que domina os indivíduos e a sociedade terrena.
...Enquanto isso Deus ama e aguarda!
(Rejubila-te em Deus – Joanna de Ângelis / Divaldo Franco)
Holocausto pela Verdade
As ideias revolucionárias de John Wyclife eram uma claridade esfuziante na terrível noite medieval. O eminente sacerdote e teólogo inglês havia compreendido que não é necessário qualquer intermediário a fim de a criatura alcançar o seu Criador. A Doutrina cristã, que luzia na palavra de Jesus, era muito diferente daquela que se ensinava nos púlpitos das igrejas e que se vivia na intimidade palaciana, onde se homiziavam em luxo e poder aqueles que se diziam representantes do Mestre sem teto, despojado de quase tudo, mas enriquecido de Deus.
Foi o primeiro grande clarão que deveria incendiar o pensamento do futuro, abrindo os espaços para o amanhecer da cultura e da dignidade humana, ao lado das grandes conquistas da ciência, da filosofia e da arte.
A Boêmia então se encontrava sob a governança do imperador Sigismundo que negociava com a Igreja de Roma a segurança do trono. Todo o Império Tcheco-eslovaco obedecia cegamente à religião dominante qual acontecia praticamente com todo o mundo ocidental.
O tribunal da Inquisição levava à fogueira milhares de vidas em toda parte. Era o braço forte da doutrina católica estrangulando todos quantos se lhe opunham, realmente ou não, ameaçando igualmente o poder civil, que se lhe submetia sem qualquer disfarce ante a ameaça da ignominiosa excomunhão. [...]

Nesse clima de incomparável desconforto moral, o eminente pregador Jan Huss tomou conhecimento da revolução ideológica wyclifeana e por ela deixou-se tocar. Interiormente, também sentia a decadência da religião e a distância que existia entre os seus teólogos e o conteúdo cristalino do Evangelho, conforme Jesus o pregara às multidões que O buscavam. Ao ler as elucubrações e propostas novas, deixou-se arrebatar, e começou a expô-las abertamente, chocando os corifeus do poder e escandalizando a hipocrisia, enquanto as multidões esfaimadas na busca da verdade, acorriam pressurosas para escutá-lo na igreja que o tornara famoso. A cada domingo, a sua voz harmônica, expressando o seu pensamento inspirado que deveria preparar o futuro, atraía maior número de ouvintes ávidos que acorriam de toda parte, da cidade como do campo, incomodando as autoridades invejosas e prepotentes.
Ademais, explicava Huss, que a Doutrina deveria ser exposta no idioma nacional, a fim de que todos tivessem acesso aos ensinamentos libertadores de Jesus, o que mais preocupava os dominadores religiosos, que se ocultavam na ignorância das verdades evangélicas para intimidar e impor-se.
Desenhava-se a Nova Era pela palavra do missionário que, sem receio, invectivava contra o abuso do comportamento, exigindo o retorno à simplicidade, à fidelidade aos dias messiânicos em que vivera o Senhor.
Como primeira medida, os seus inimigos proibiram-no de pregar na igreja, expulsando-o para pequena paróquia nos arredores de Praga, o que levou as multidões fascinadas a seguirem o seu pastor intimorato.
Não podendo silenciá-lo com a medida arbitrária, fecharam todas as igrejas, impedindo que os fiéis tivessem onde e como se comunicar com Deus, apavorando-os.
As acusações e impropérios dos fracos dominadores não foram suficientes para silenciá-lo, quando a terrível ameaça de excomunhão pairou no ar. [...]
Compreendendo a manobra dos inimigos do Bem, houvera recorrido ao auxílio de Sigismundo, que lhe era simpático às ideias, dele conseguindo um salvo-conduto, a fim de não ser molestado, podendo defender-se em liberdade.
A construção da verdade no mundo, porém, sempre se fez a esforço hercúleo e sob o elevado preço do sacrifício. [...]
Chegando a Constança, o pregador de Husinec procurou o cardeal Antony para justificar-se, e após diálogo caloroso, que somente aumentou o ódio do adversário, foi atirado ao cárcere infecto sem qualquer acusação formal.
O sínodo reuniu-se e começou a julgar o doutor de Praga, não lhe concedendo o direito de defesa.
Nas poucas vezes em que foi convocado, esteve sob os camartelos do ódio gratuito, não conseguindo expor suas ideias.
Coibido o imperador, ante a ameaça de excomunhão por estar defendendo um herege, esse, covardemente, anulou o documento, traindo o súdito que nele confiara, e deixando-o ao abandono, à própria sorte.
Foram inúteis os seus argumentos contra as artimanhas e soezes sofismas criados pelo cinismo e pelo fanatismo dos hábeis adversários, que o acusavam de ser discípulo do arquicondenado John Wyclife, sendo humilhado, destituído publicamente dos seus títulos, inclusive o de sacerdote, exposto ao ridículo público, e, por fim, condenado à fogueira... [...]

Ao serem ateadas as labaredas, em um momento de percepção do futuro, ante o aturdimento dos tresloucados verdugos e as lágrimas daqueles que o admiravam, mas nada podiam fazer, exclamou:
Vós hoje assais o pato (Huss, em tcheco). Um dia, porém, virá um cisne de luz, que voará acima das vossas labaredas e essas não o alcançarão.
E enquanto enunciava com dificuldade uma Ave-Maria, conforme a fé que abraçava, não conseguiu terminá-la...
Era o triste e sombrio período medieval, na manhã de 7 de julho de 1414. [...]
Os seus adversários foram também consumidos pelo túmulo, vencidos pelas paixões a que se entregavam, enquanto ele, após a ressurreição gloriosa, passados quase quatrocentos anos, voltou à Terra, no momento em que outro clarão anunciava Novo Dia - a claridade da ciência que se libertara das masmorras religiosas - na indumentária de Hippolyte Léon Denizard Rivail, a 3 de outubro de 1804.
Mais tarde, adotando o pseudônimo de Allan Kardec, tornou-se o missionário do Consolador, assim restaurando a doutrina de Jesus que pôde ser confirmada pelo bisturi da investigação científica, pela óptica superior do pensamento filosófico e através do seu superior código de ética-moral, que é a do próprio Evangelho, vir a ser a Religião cósmica do amor, fundamentada na lógica, afirmando que fé verdadeira, somente o é, aquela que pode enfrentar a razão face a face em todas as épocas da Humanidade.
O progresso é inestancável e nada pode impedir-lhe a marcha. Toda tentativa de obstaculizar-lhe o avanço redunda em vã loucura, que cede lugar à realidade.
Apesar disso, ainda hoje se multiplicam os inimigos da Verdade e do Bem que, aferrados a conveniente materialismo, conspiram contra os idealistas que os ameaçam com os seus pensamentos libertários, buscando impedir-lhes o avanço.
O holocausto de todo missionário, porém, transforma-se no combustível que irá sustentar as suas ideias e erguer continuadores que conseguirão implantá-las no mundo, ampliando os horizontes do progresso e abençoando o futuro.
Vianna de Carvalho
Praga (República Tcheca), 03 de junho de 1998.
(Luzes do Alvorecer – Diversos Espíritos / Divaldo Franco)
XXII Congresso Roustaing: o congresso da ALEGRIA!
Amigos, que júbilo no coração! Está de volta o Cristianismo do Cristo! Durante dois dias - 19 e 20 de setembro últimos - recebemos em nossa CASA irmãos de ideal de todo o Brasil! Presencialmente e pelas “ondas” da TV Ibbis, via Youtube!
Vieram com o coração cheio de expectativa; voltaram abastecidos de paz, alimentados de fé e com a bagagem lotada de esperança e alegria de viver!

Nosso Congresso começou com música! A mocidade cantou e encantou a todos nos dois dias, na hora que antecedeu à abertura dos trabalhos, trazendo um repertório repleto de emoção e espiritualidade.
A primeira palestra, na tarde do sábado, coube ao prezado escritor e conferencista Jorge Damas Martins, que apresentou aos presentes nos salões de nossa Sede e ao público da internet um verdadeiro panorama sobre a história do Espiritismo em França, no século XIX, fazendo dos médiuns que trabalharam com Roustaing o “fio condutor” de sua exposição.
Na sequência tivemos a participação sempre especial do igualmente prezado Dr. Maurício Neiva Crispim, fundador e diretor do Instituto Brasileiro de Benemerência e Integração do Ser - Ibbis - de Brasília e Goiânia - que “sacudiu” a plateia física e virtual demonstrando a concordância de Os Quatro Evangelhos com alguns dos mais recentes e desconcertantes postulados da Física Quântica em pleno século XXI.
O melhor, porém, ainda estava por vir! Nosso presidente, Roberto Assad, surpreendeu o auditório ao encerrar as atividades do dia presenteando aos oradores e mais algumas figuras queridas de nossa CASA com um pequeno mimo - uma geleia de morango artesanal, feita pelo próprio - explicando ao público que era ela o símbolo perfeito da DOÇURA com que desejávamos acolhê-los em nossa oficina cristã!
Foi um sucesso! Contentamento geral! Ficaram todos sensibilizados com a singeleza e a delicadeza do símbolo de fraternidade escolhido para representar o ânimo com que os recebíamos! Dezoito horas “fechamos as cortinas” - hora de descanso.
Manhã de domingo: mais emoção!
Rodrigo Crispim - outro estimado fundador e diretor do Ibbis - muda o rumo da prosa ao abordar o tema dos Vinhateiros dos Novos Tempos. Deu assim uma verdadeira “aula” sobre as Escrituras, abordando igualmente temas relevantes como cidadania, espiritualidade e brasilidade. Salientou com argumentação irretorquível o abençoado destino de nossa nação como “Pátria do Evangelho”, conclamando-nos à participação ativa e fraterna neste grande ciclo de transição que vivemos.
A continuidade coube a outro Rodrigo, esse “prata da Casa”, o nosso querido Rodrigo Costa, falando do tema “A Sagrada Família”, que foi o “toque” de emoção daquela manhã. Sensibilizou a todos falando da relação estreita e amorosa de Jesus e Maria, como grande e puríssima “médium” de sua corporificação entre nós; bem como explicando um pouco de como se deu esse processo de materialização ectoplasmática.
Finalmente, cumpriu ao nosso Júlio Damasceno - outra “prata da Casa” - a difícil missão de encerrar aquela sequência de exposições tão inspiradoras, tão felizes em forma e conteúdo. Discorreu sobre a Transposição da Árvore do Evangelho de Israel para o Brasil, aproveitando o ensejo para homenagear a alguns dos “gigantes” de nosso movimento - Bezerra de Menezes, Bittencourt Sampaio, Antônio Luiz Sayão e Frederico Jr. - e ao mesmo tempo destacar o papel fundamental do binômio Kardec-Roustaing nos alicerces do movimento espírita brasileiro, no século XIX.
Eram 12,15h quando Roberto Assad assumiu novamente o microfone para encerrar os trabalhos. Nos dois dias coube aos nossos Orientadores - Vera Lúcia Abrantes e Paulo Roberto Serrão - fazer a prece de encerramento.
A de abertura foi feita pelo nosso amigo de fé e irmão camarada Luiz Carlos de Carvalho, presidente do Conselho da Associação Espírita Estudantes da Verdade, de Volta Redonda, que será, por sinal, a anfitriã da XXIII edição do Congresso Roustaing, em agosto do ano que vem, na Cidade do Aço! Luiz trouxe consigo também o seu “mimo” para a audiência do evento - livros e mais livros, distribuídos gratuitamente, uma das mais queridas tradições dos Congressos Roustaing!
Irmãos amados, que essa alegria se esparja por todo o Brasil, e nos envolva a todos em uma onda de fraternidade. Que assim seja! E até 2027!
Abaixo, na íntegra, os vídeos dos dois dias de Congressso:
XXII Congresso Jean Baptiste Roustaing | 1º Dia | 19/09/2026
XXII Congresso Jean Baptiste Roustaing | 2º Dia | 20/09/2026
OS EVANGELHOS EXPLICADOS
Evolução em Linha Reta

“Pois que há Espíritos que desde o princípio seguem o caminho do bem absoluto e outros o do mal absoluto, deve haver, sem dúvida, gradações entre esses dois extremos. Não? Sim, certamente, e os que se acham nos graus intermédios constituem a maioria.” (O Livro dos Espíritos, Q. 124)
“Todas as entidades espirituais encarnadas no orbe terrestre são Espíritos que se resgatam ou aprendem nas experiências humanas, após as quedas do passado, com exceção de Jesus Cristo, fundamento de toda a verdade neste mundo, cuja evolução se verificou em linha reta para Deus, e em cujas mãos angélicas repousa o governo espiritual do planeta, desde os seus primórdios.” (Emmanuel, O Consolador, Q. 243, psicog. F.C. Xavier)
Os Espíritos que, dóceis aos seus guias, seguem a diretriz que lhes é indicada para progredirem, esses trilham o caminho do progresso através de esferas fluídicas sucessivamente mais elevadas, onde tudo está em relação com as inteligências que as habitam.
Permanecendo dóceis, elevam-se dessa forma pela eternidade em fora, depois de haverem passado por todas as fases de existências, por todas as provas necessárias a uma ascensão tão alta, até chegarem à perfeição. Nula se torna então sobre eles a influência da matéria. Dizemos: — da matéria, porque, para o Espírito, os fluidos do perispírito e os que ele assimila são matéria.
Para atingirem essa perfeição, aos Espíritos que se mantiveram puros na infância, na fase de instrução e ao longo da senda do progresso, cumpre também que, dirigidos pelos seus guias, percorram, na medida e na conformidade da elevação alcançada, todas as esferas, as terras primitivas, os mundos inferiores e superiores de todos os graus, as inúmeras moradas dos que, por terem falido, sofrem as encarnações e reencarnações sucessivas, tanto materiais como fluídicas em suas diversas gradações, até que, tornada nula sobre eles a influência da matéria, tenham entrada na categoria dos Espíritos puros. Esse percurso, porém, aqueles Espíritos o executam sempre na qualidade de Espíritos, porquanto, seus estudos se fazem no espaço, no grande livro do Universo. [...]
Jesus é um Espirito que, puro na fase da inocência e da ignorância, na da infância e da instrução, sempre dócil aos que tinham o encargo de o guiar e desenvolver, seguiu simples e gradualmente a diretriz que lhe era indicada para progredir; que, não tendo falido nunca, se conservou puro, atingiu a perfeição sideral e se tornou Espírito de pureza perfeita e imaculada.
(Fonte: "Os Quatro Evangelhos", org. de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Ed. Ibbis, Brasília, 2022. Tomo I, Item 56, parágrafos 67 a 69 e 72)
ESTUDOS FILOSÓFICOS:
A maior e melhor série de artigos
da literatura espírita brasileira está de volta!
Artigo CDXLI - Gazeta de Notícias, 31-05-1896

Talvez em breve, diz o Sr. Xavier de Carvalho, os mistérios tenebrosos da desagregação da personalidade, segundo a Doutrina Espírita, tenha uma explicação tão completa pelos sábios como hoje a fotografia através dos corpos opacos.
Quero dizer: talvez se volte a explicar pelo materialismo os fenômenos espíritas que revelam a existência do Espírito e a comunicação do mundo visível com o invisível.
Este – talvez – é o mais tremendo diluente que se possa imaginar para tudo o que entende com o homem intelectual e moral.
Se com um talvez se põe à margem uma Doutrina, quais serão os conhecimentos firmados da humanidade, desde que a todos se pode aplicá-lo?
Um dia, o mais ousado dos exploradores deste novum organum lembrar-se-á de aplicá-lo ao mais alto característico do ser humano – e dizer: talvez em breve os sábios cheguem a demonstrar que o homem não é racional. Não é, pois, razoável conceder foros de cidade a semelhante forma de argumento, que nunca será concludente, tendo por fundamento uma hipótese enquanto hipótese.
Um princípio novo não deve ser aceito sem exame, é certo – e o Espiritismo provoca o exame sobre os que emite; mas, também não deve ser repelido, senão pela observação e pela experiência e nunca por simples presunção de que talvez um dia se possa demonstrar a sua falsidade.
Uma inteligência como a do Sr. Xavier de Carvalho não tem o direito de emitir moeda falsa em dialética, como em qualquer outro gênero de exercícios intelectuais.
Não é com ela – com um talvez eu possa pagar - que S. S. alcançará de um desconhecido que lhe fie sua mercadoria.
Mais abaixo, S.S. refere o fato de Katie Fox: “uma menina de 9 anos, que conversava com os Espíritos e que n’uma longa conversa com entes sobrenaturais descobriu um crime, que depois foi confirmado”.
Por que serem os Espíritos entes sobrenaturais? Por que S. S. e muitos outros não creem neles?
Então, só é natural o que esses senhores conhecem – o que admitem – aquilo em que creem?
Muito limitado é, neste caso, o seu natural; pois que a ciência humana não passa de uma gota do oceano da ciência sideral – da ciência do Universo!
Mas, por que, se isso que ainda não conhecemos, procede da mesma fonte – é efeito de leis, tão leis, como as que conhecemos?
Só não é natural, porque a ciência do homem não conhece!
E o vapor, cujas leis são hoje conhecidas? Já foi sobrenatural – e hoje é natural!
E a eletricidade – o magnetismo, em suas maravilhosas aplicações – e o movimento da Terra – e os fenômenos químicos? Antes de serem conhecidos, eram sobrenaturais – depois de conhecidos, viraram naturais.
Ora! Isto parece infantilidades.
Tudo, no Universo, obedece às leis eternas e imutáveis – e, portanto, tudo, no Universo, é natural, tão natural o que conhecemos, como o que se nos apresenta desconhecido.
Aceitamos a dúvida sobre a existência dos Espíritos; quanto, porém, à classificação de entes sobrenaturais, não, não; porque, se existem, são seres naturais.
De que existem, parece que o Sr. Xavier de Carvalho não põe em dúvida; pois que, ele mesmo, diz: que Katie Fox, em conversa com esses entes, descobriu um crime, que depois foi confirmado.
Como podia aquela menina de 9 anos descobrir o que estava oculto a todos?
Pelo personalismo – pelo animismo – ou por coisas supraterrestres, as três divisões dos fenômenos espíritas, estabelecidas pelo ilustre escritor?
Pelo personalismo, não; porque não é fenômeno que se produza na esfera corporal.
Pelo animismo, menos; porque, nesta hipótese, só poderia dar-se o fato por transmissão do pensamento – e não há quem seriamente acredite que alguém lhe transmitisse o pensamento de um crime por todos ignorado.
Restam as causas supraterrestres.
E, pois, que o fato se deu e foi reconhecido verdadeiro – e não pode ter sido revelado à menina, nem por personalismo nem por animismo, é de rigor que o tenha sido pelas tais causas supraterrestres.
As deduções são rigorosamente tiradas das premissas postas pelo escritor.
Quais são estas causas exteriores?
Certamente não são o calor, a eletricidade, a luz, o vento etc., pois que estas nem têm olhos de ver o que está oculto, nem tem inteligência para transmitir o conhecimento que adquiriram.
As tais causas ocultas são, pois, inteligentes e comunicam com os homens.
Tanto podem ser Espíritos humanos, que possuem a inteligência como podem ser outra espécie de seres, que possuam igualmente aquela faculdade.
Nesta alternativa, perguntamos: qual a razão que faz pender a concha da balança, antes para estes do que para aqueles?
Sim, a menina evidentemente comunicou com seres inteligentes extraterrestres. Por que serem estes seres antes outros do que Espíritos?
Notando-se que a maior parte da humanidade acredita na existência dos Espíritos, ao passo que ninguém acredita na existência de seres supraterrestres, dotados de inteligência, que comuniquem com os homens.
E, apesar disto, só para não admitirem a existência dos Espíritos, apegam-se a uma invenção de seres desconhecidos em que são eles os primeiros a não acreditar.
Não há maior escândalo do que atribuir-se aos Espíritos um fenômeno evidentemente produzido por forças inteligentes supraterrestres.
E, ainda mesmo que se mostre o Espírito materializado ou fotografado, não deixam de ser sábios.
Pois sejam sábios como a cúria romana, que nós somos contentes com a ignorância de Galileu.
Max.
Reproduzido conforme texto original. Confira na edição da Gazeta de Notícias de 31-05-1896 Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
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