Retrato de Bezerra de Menezes

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e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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A BENÇÃO DO SILÊNCIO

Apesar das comunicações virtuais, que vêm diminuindo a verbalização oral entre os indivíduos, a balbúrdia domina os relacionamentos humanos em toda parte.

Lutas orais e discussões inúteis avolumam-se aos ruídos de todos os tipos de máquinas em altos volumes, tornando as cidades verdadeiras babéis onde se misturam as confusões ambientais com os distúrbios humanos.

As criaturas automatizadas tornam-se verdadeiros robôs que atendem os compromissos com velocidade, na ânsia de ganharem tempo ou de fruírem ao máximo os resultados das ambições atendidas.

Há transtornos neuróticos inúmeros que defluem dessa conduta desorganizada, gerando mais perturbação e tormento.

O tempo apresenta-se insuficiente para o cumprimento de todos os deveres, e os novos planos estabelecidos para solucionar a questão resultam do volume imenso de informações e falsas necessidades.

O cristão decidido, nesse báratro, não poucas vezes se perturba ante as injunções enfrentadas, perdendo o rumo existencial. As distrações e variedade de divertimentos, as licenças morais que liberam as condutas esdrúxulas produzem, no seu conjunto, aturdimento e perda de foco espiritual, necessário à existência saudável. [...]

É preciso enfrentar os problemas onde surgem, viver no mundo sem lhe pertencer, livre para Deus e a iluminação interior. [...]

*

Ilustração de homem sentado em posição de relaxamento e meditação.Reserva-te algum tempo para o silêncio interior.

É necessário estabeleceres um deserto no íntimo para servir-te de refúgio nos momentos em que necessites de harmonia.

Procura compreender que o teu equilíbrio irá contribuir de maneira eficaz para a harmonia geral.

Como estás informado sobre a imortalidade do Espírito, conduze o teu pensamento e os teus atos dentro das seguras diretrizes do bem.

"Tudo aquilo que é conforme a Lei de Deus" deve constituir-te a meta a ser alcançada.

A cada realização ou empreendimento, uma reflexão a respeito da maneira como atuaste, recebendo o aplauso ou não da consciência, que te proporcionará a medida e os recursos para que prossigas ou corrijas. [...]

Dá a cada acontecimento o valor que lhe seja próprio, não te permitindo aumentar a dor nem desconsiderar o significado pernicioso.

Mas nunca te detenhas nos deveres que te cumpre desempenhar. [...]

Viaja, pois, com frequência ao teu deserto, onde poderás repousar, renovar conceitos e ser harmônico, a fim de poderes atender os labores que aceitas como mensageiros da tua felicidade.

Quando estrugir a tempestade ameaçadora que devasta, tranquilamente te mantém em paz, confiando que somente te acontecerá o que seja de melhor para a tua elevação espiritual

O deserto é lugar em que a vida também estua de forma especial.

O Mestre buscava-o com frequência, quando convivia mais proximamente com o Pai. [...]

Não desconsideres o silêncio periódico em tua existência, a fim de poderes alcançar as fontes de origem da vida. [...]

(Luz nas Trevas – Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)


QUEM SOU EU?

Conta-se que, ao atravessar uma fase particularmente difícil de sua existência, Teresa de Ávila ter-se-ia queixado docemente ao Senhor, ouvindo, em resposta, uma voz misteriosa que lhe dizia ser assim que Deus trata aqueles a quem Ele ama.

"É por isso - responde Teresa, conformada, mas dolorida - que Ele tem tão poucos amigos."

A tribulação do justo e do bom sempre foi um grave problema filosófico e moral. Por que sofre a criatura que tanto se empenha nas tarefas do bem, que se recolhe ao silêncio da renúncia, que se esforça por servir em lugar de ser servida, que sonha, como o amado Francisco, em se tomar dócil instrumento da vontade do Pai? Por quê?

A Doutrina dos Espíritos nos trouxe explicações lógicas e indiscutíveis, ao ensinar que a dor é a moeda difícil de ganhar, com a qual resgatamos compromissos vencidos de há muito, os quais a bondade infinita de Deus não permitiu fossem a protesto. A cobrança é sempre amigável, se nos dispomos, honestamente, ao resgate, ainda que, às vezes, possamos estranhar as circunstâncias sob as quais ele se realiza. [...] A verdade é que não estamos sós, nem nos faltam recursos para a tarefa regeneradora. Nem a pena é superior à culpa, nem nossas forças inferiores às necessidades. Tudo está na medida certa. Só a impaciência continua impaciente; a revolta, revoltada. E, por isso, aquele que segue sob o peso da dor, mas sereno, parece um ser estranho, insensível e incompreensível. [...]

Não é difícil encontrar no Evangelho a explicação que o próprio Mestre antecipou ao ensinamento que o Consolador haveria de trazer no futuro, segundo suas próprias observações. [...]

- "Se o mundo vos odeia, sabei que me há odiado antes de vós. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que é seu, mas como não sois do mundo, porque vos retirei do mundo, por isso o mundo vos odeia."

Nada mais claro e profundo, verdadeiro e preciso. [...]

Ilustração de homem sentado trabalhando de modo sereno.Como, porém, realizar a evangelização do mundo se não misturar os que já entreviram a luz com aqueles que tateiam nas trevas? Se os desesperados ficassem entregues ao seu desespero, jamais encontrariam o caminho que pode levá-los para fora daquele dédalo de paixões em que se perderam. Quem vai buscá-los, senão os que já aprenderam a sair de lá?

São esses os que Jesus retirou do mundo. Ao retirá-los e investi-los das tarefas salvadoras, embora humildes, marcou-os com o selo indelével do amor, e o mundo, que não mais os reconhece como seus, hostiliza-os abertamente. Se continuassem entregues ao mundo, seriam tolerados e até amados. [...] Aqueles a quem distinguiu com a sua marca, concedeu não apenas o privilégio de servir, mas também o de se redimirem. [...]

É por isso que a Doutrina abençoada dos Espíritos nos previne, a cada instante, que não podemos cruzar os braços ante nossas próprias limitações, ou quando nos sentimos fustigados pela dor e pela incompreensão. Se insistíssemos em esperar a purificação e o equilíbrio para, então, começar a tarefa, nunca ela seria iniciada, e nunca alcançaríamos os primeiros estágios da purificação. Pode ser um belo sinal de humildade dizer ante a tarefa espírita:

- Quem sou eu?

Mas é também falsa modéstia, vaidade mal escondida, comodismo pernicioso a falar por nós, e em nós. Sim, quem sou eu, é verdade, mas mãos à obra, que o trabalho aí está, não apenas nos outros, mas, principalmente, no território agreste do nosso íntimo, à espera de sacrifícios e renúncias anônimas.

E quando a dor nos sacudir mais fortemente do que desejaríamos ou esperávamos, lembremos daquela advertência imortal:

"sabei que (o mundo) me há odiado antes de vós."

E graças daremos a Deus, por sermos alguns daqueles poucos amigos que Ele tem.

(Candeias na Noite Escura – Hermínio C. Miranda)


O GRITO

- Uma boa palavra auxilia sempre. Às vezes, supomo-nos sozinhos e proferimos inconveniências. Desajudamos quando podíamos ajudar. É preciso aproveitar oportunidades. Falar é um dom de Deus. Se abrirmos a boca para dizer algo, saibamos dizer o melhor.

A pequena assembleia ouvia atenta a palavra de Sálus, o instrutor espiritual que falava pelo médium.

- Não adianta repetir frases inúteis. E é sempre falta grave conferir saliência ao mal. Comentemos o bem. Destaquemos o bem.

Dentre todos os presentes, Belmiro Arruda, escutava em silêncio.

*

Ilustração de um homem com um megafone anunciando uma boa notícia.Decorridos alguns dias, Arruda, nas funções de pedreiro-chefe, orientava o término da construção de grande recinto. O enorme salão parecia completo. Tudo pronto. Acabamento esmerado. Pintura primorosa.

- Experimentemos a acústica – disse o engenheiro superior.

E virando-se para Belmiro:

- Grite algo.

Arruda, recordando a lição, bradou:

- Confia em Jesus!... Confia em Jesus!...

O som estava admiravelmente distribuído.

Os operários continuavam na sua faina, quando triste homem penetra o recinto.

Cabeleira revolta. Semblante transtornado.

- Quem mandou confiar em Jesus? – perguntou.

Alguém aponta Belmiro, para quem ele se dirige, abrindo os braços.

- Obrigado, amigo! – exclamou.

E mostrando um revólver:

- Ia encostar o cano no ouvido, entretanto, escutei seu apelo e sustei o tiro... Queria morrer no terreno baldio da construção, mas sua voz acordou-me... Estou desempregado, há muito tempo, e sou pai de oito filhos... Jesus, sim! Confiarei em Jesus!...

Arruda abraçou-o, de olhos úmidos. O caso foi conduzido ao conhecimento do diretor do serviço. E o diretor, visivelmente emocionado, estendeu a mão ao desconhecido e falou:

- Venha amanhã. Pode vir trabalhar amanhã.

(A Vida Escreve – Hilário Silva/Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier)


OS EVANGELHOS EXPLICADOS

Origem e Evolução do Espírito

(Mateus, 1: 1 a 17 - Lucas, 3: 23 a 38 - continuação)

Foto de samambaia e outras plantas.Depois de haver passado por essas formas e espécies intermediárias, que se ligam entre si numa progressão contínua, e de se haver, sob a influência da dupla ação magnética que operou a vida e a morte nas fases de existências já percorridas, preparado para sofrer no vegetal a prova, que a espera, da sensação, a essência espiritual, Espírito em estado de formação, passa ao reino vegetal.

É um desenvolvimento, mas ainda sem que o ser tenha consciência de si. A existência material é então mais curta, porém mais progressiva. Não há nem consciência, nem sofrimento. Há sensação.

Assim, a árvore da qual se retira um galho experimenta uma espécie do eco da seção feita, mas não sofrimento. É como que uma repercussão que vai de um ponto a outro, sucedendo o mesmo quando a planta é violentamente arrancada do solo, antes de completado o tempo da maturidade.

Repetimos: há sensação, não há consciência nem sofrimento. É um abalo magnético o que a árvore experimenta, abalo que prepara o Espírito em estado de formação para o desenvolvimento do seu ser.

Morto o vegetal, a essência espiritual é transportada para outro ponto e, depois de haver passado, sempre em marcha progressiva, pelas necessárias e sucessivas materializações, percorre as formas e espécies intermediárias, que participam do vegetal e do animal. Só então, nestas últimas fases de existência, que são as em que aquela essência começa a ter a impressão de um ato exterior, ainda que sem consciência de sua causa e de seus efeitos, há sensação de sofrimento.

Sob a direção e a vigilância dos Espíritos prepostos, o Espírito em formação efetua assim, sempre numa progressão contínua, o seu desenvolvimento com relação à matéria que o envolve e chega a adquirir a consciência de ser.

Preparado para a vida ativa, exterior, para a vida de relação, passa ele ao reino animal.

(Fonte: "Os Quatro Evangelhos", org. de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Ed. Ibbis, Brasília, 2022. Tomo I, Item 56, parágrafos 28 a 34)



ESTUDOS FILOSÓFICOS:
A maior e melhor série de artigos
da literatura espírita brasileira está de volta!

Artigo CDXXXIV - Gazeta de Notícias, 07-04-1896

Foto antiga de Bezerra de Menezes que ilustra capa do livro de Luciano Klein.Ainda uma dose contra a monomania demoníaca ou demonomania do clero católico, em geral, e dos padres do Apóstolo, em particular.

Ainda alguns trechos da obra do ilustrado e virtuoso abade Almignana.

“Certa pessoa muito piedosa, achando-se abandonada pela Medicina oficial, num estado desesperador, foi magnetizada pelo pai, e caiu em completo sonambulismo.

“Num dos seus primeiros sonos, disse ela que via uma pessoa que, pelos sinais que deu, parecia ser sua avó, falecida alguns anos antes de seu nascimento.

“Mediante os conselhos que em seus sonos magnéticos lhe dava a dita sua avó, a doente conseguiu curar-se.

“Porque me parecesse digno de consideração este fato, que devia interessar à ciência tanto como à religião, publiquei-o em o no. 19 do Magnetismo Espiritual, fazendo ao mesmo tempo um apelo a todos quantos, por seus conhecimentos, estivessem na condição de poder explicá-lo.

“Entre as pessoas a quem dirigi o meu apelo figuravam teólogos, aos quais, falando da pessoa aparecida, dizia eu: não será o demônio, que, tomando um corpo fantástico, apresentou-se e, revestido com o da avó da Sra. xx., e aparecendo-lhe assim, curou-a de uma moléstia por ele próprio produzida?

“Alguns exemplares do número do referido jornal foram enviados ao Sumo Pontífice, por intermédio do Núncio Apostólico de Paris; ao Monsenhor Arcebispo de Paris, à Faculdade de Teologia de Sorbonne, aos K.K.P.P. jesuítas da rua dos Postes, ao K. P. Lacordaire e ao Consistório Calvinista de Paris, rogando-lhes eu que esclarecessem a respeito de um fato tão grave.

“Pois bem, até hoje, que são já decorridos três anos, nenhum destes importantes personagens se dignou dizer-me que o fenômeno para o qual lhes chamei a atenção fosse obra do demônio; o que prova que, na opinião deles, o demônio era estranho ao fenômeno, porque, se assim não fosse, não teriam deixado de m’o advertir, ainda que fosse somente no interesse da religião e por caridade para comigo.

“Interrogai ao Monsenhor Sibour sobre o sonambulismo – e sua grandeza responder-vos-á que as ideias emitidas pelos sonâmbulos não são senão o reflexo dos de seus magnetizadores, sem dizer-vos uma única palavra acerca do demônio”.

Paremos neste ponto – e reflitamos. A sonâmbula ou médium sonambúlica, desenganada pela Medicina oficial, cura-se com os remédios indicados por um Espírito.

Aos milhares temos aqui, na nossa terra, curas feitas pelos Espíritos, por médiuns, chamados receitistas. O fato, pois, tem-se generalizado.

Serão, porém, esses Espíritos, como pensa Mirville – e com ele o clero católico, manifestações diabólicas?

Se efetivamente existe o demônio, rival de Deus, ao seu rebanho pertencem aqueles – que lhe atribuem obras de caridade, como é curar aos doentes, não um ou outro, porém milhares e dezenas de milhares.

Nós sempre ouvimos dizer que o demônio repudia todo o bem: e pois, se estes fatos são obra sua – se ele espalha a caridade, curando os enfermos, caluniam-no os que o chamam Espírito do mal.

A cegueira, porém, é tal – tal o fanatismo, que para combaterem as manifestações dos Espíritos, chegam a atribuir aos que chamam eterno inimigo do bem todo o bem que é feito pelos habitantes do mundo invisível!

Antes reconhecer que o demônio é caridoso – exercita a virtude mais seleta aos olhos de Deus, do que admitir que os mortos podem comunicar com os vivos!!

E pur si muove.

E queiram ou não queiram, a verdade é que o mundo invisível está em relação imediata e constante com o mundo visível – e que o mundo invisível é povoado pelos Espíritos dos que morrem no mundo visível.

A lei de Deus é lei de Deus – e o Senhor não precisa da licença dos sábios e dos infalíveis para que sua obra seja como a talhou.

Roma coagiu Galileu a retratar-se, ante as fogueiras acesas, firmada nas sagradas letras, que não soube interpretar em espírito e verdade; mas a verdade era contra a infalível.

Pois bem; Roma anatematiza o Espiritismo, que revela a comunicação dos Espíritos, firmada ainda nas sagradas letras, que mais uma vez [não] sabe interpretar; mas o desastre é certo – novo desastre para sua infalibilidade.

Não é um profano, é um virtuoso sacerdote quem tenta rasgar o véu do Templo, para fazer a luz aos obcecados – e o próprio Papa, diante do fato por ele atestado, não querendo confessar a verdade, mas podendo contestá-la, cala-se.

Será a seu exemplo que os ilustres padres do Apóstolo deixam passar, sem contradita, as nossas demoníacas demonstrações?

No fato observado e atestado por Almignana, há muito especialmente a notar a circunstância de não ter o médium conhecido uma avó (o Espírito que se lhe manifestou), mas tê-la assinalado tão bem, que fê-la reconhecer pelos que a conheceram em vida.

Ora, quem tem o cérebro varrido de teias de aranha, não descobre o interesse que pudesse ter o demônio em tomar a figura da avó da doente.

Para enganar, a fim de passar por um amigo?

Por amigo passaria, desde que veio medicar e curou a doente, qualquer que fosse a figura que tomasse.

E, entre nós, qual o fim que pode ter, curando em massa aos enfermos pobres, em nome da caridade cristã?

Enfim, dessas coisas de Igreja e de religião, dizem os padres que só eles podem falar, porque Deus só com eles se entende; mas nós sempre dir-lhes-emos: que Deus também nos deu a razão – e que, pela nossa, julgamos bem difícil a posição dos reverendos diante das observações e conceitos de Almignana, tão reverendo como eles. E esperem que a mina ainda não está esgotada.

Max.

Reproduzido conforme texto original. Confira na edição da Gazeta de Notícias de 07-04-1896 Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
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