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Bezerra de Menezes

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SEMPRE AGORA

Na sua grandeza e magnitude incomparáveis o tempo não passa. [...]

Em verdade, todas as ocorrências de um momento cederam lugar a outras em dimensão convencional, tendo em vista os movimentos de rotação e de translação do planeta, em torno de si mesmo e do Sol, que deram lugar ao estabelecimento do dia e da noite, das estações do ano, todos defluentes da sua posição em relação ao astro-rei.

Daí partindo, foram sendo estabelecidas convenções denominadas horas para facilitar ao ser humano em sua racionalidade dimensioná-lo, estabelecendo períodos próprios à conduta existencial.

Entretanto, a luz que banha a beleza arquitetônica e tecnológica do mundo, hoje deslumbrante, é a mesma que manteve os sáurios colossais em épocas bastante recuadas e os acompanhou no extermínio oportunamente.

Em uma análise profunda, portanto, o tempo é agora, um sempre este momento que se defronta no corpo ou fora da argamassa celular.

Em assim considerando, é atitude injustificável lamentar-se o passado, nele fixado, ou atormentar-se pelo futuro em clima de ansiedade perturbadora e desnecessária. [...]

Recuperar o tempo, no sentido convencional, significa apressar o presente e preenchê-lo de ação. Apesar disso, o que sucede não é uma recuperação do tempo mal-aplicado, mas a conquista pela ação daquilo que não foi realizado. [...]

Para onde se projete o pensamento haverá a existência deste momento, evoque-se o passado ou avance-se no futuro. [...]

A medida do tempo, portanto, é a métrica da ação bem-direcionada, contínua, constante, atual.

Hoje é o dia, sempre o hoje. [...]

*

Mão de cujos dedos gotas de água regam brotos em crescimento.O presente prolonga-se indefinidamente, mas quando mal-utilizado, transforma-se em fardo de aflição pela ocasião malograda. [...]

Quando tenhas um compromisso a atender, seja qual for: uma leitura, uma visita, uma edificação, uma correspondência, um telefonema, etc, não o adies em justificativa da preguiça com o enganoso argumento: Uma hora dessas eu o farei.

Essa hora não existe, senão na imaginação sonhadora e vã. Entre este momento e o futuro surgirão outros e novos deveres que se imporão inapeláveis. [...]

Como consequência, não assumas responsabilidades maiores ou mais numerosas do que os teus recursos de execução.

Sê sincero para contigo mesmo, aceitando apenas os encargos que podes e deves atender. [...]

Programa-te, portanto, no tempo-agora, agindo com harmonia, com equilíbrio em respeito à ocasião que vivencias. [...]

É expressão de sabedoria fazer-se com segurança, mesmo que de pequena monta, o que diz respeito a cada um, do que aguardar-se poder realizá-lo de maneira bombástica, volumosa. [...]

Disciplina a vontade e aprende a produzir o melhor dentro do teu limite de forças. O que não realizes hoje, logo mais, em novo agora, o farás, desde que te encontres vigilante e disposto.

Considera a brevidade do corpo e a infinitude de bênçãos para a tua auto-iluminação, ganhando cada agora com um acréscimo de conhecimento e de amor ao que já acumulaste.

Não te facultes escravidão ao tempo, malbaratando-o com reflexões inúteis, em relação ao que poderias ter feito e não o realizaste ou em formulação contínua ao que irás realizar, sem que o estejas produzindo. [...]

O tempo é dimensão especial para cada criatura, conforme sua consciência, sua emoção, seus conhecimentos, sua evolução moral...

*

Jesus, que nos deu as mais belas lições de sabedoria, aproveitou todo o tempo-hoje, nunca retrocedendo nem antecipando acontecimentos.

Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal asseverou, amoroso, significando que cada ocorrência, cada fenômeno tem o seu momento, sem saudade pelo ido nem inquietação pelo porvindouro.

Quando se age bem em cada tempo-agora, o futuro está presente e o passado nunca se foi.

(Jesus e Vida – Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco)


COMO CONVERSAR COM DEUS

“Ainda aqui, a prece do coração é tudo...” (O Livro dos Espíritos)

Nazareno Tourinho


A verdadeira oração, segundo o Espiritismo, é aquela que nasce das profundezas ignotas da alma, nos momentos de sincera contrição.

É um frêmito interior, um anseio palpitante, virgem, sutil, acendendo-se dentro do ser como um fogo sagrado que aquece, que ilumina, que purifica!

É mais uma emoção autêntica que um pensamento elaborado.

Qual límpida torrente d’água que rebenta, vibrátil e espumante, de uma fonte de pedra, para lavar o musgo verde do chão, ela brota, espontânea e transparente, do âmago da consciência, banhando de luz todos os recantos de nosso íntimo.

Cultivemos, assim, a prece que desabrocha da inspiração e não a prece convencional; a prece do coração, que é tudo, e não a prece do raciocínio, que às vezes é apenas sofisma da inteligência.

Há muitas maneiras de orar.

Imagem de mãos em concha segurando uma vela acesa em formato de coração.– Uns oram discursando, na vã tentativa de impressionar o Senhor com frases de retórica.

Ignoram que, consoante as lições evangélicas, não seremos atendidos pelo muito falar...

– Outros oram repetindo palavras decoradas, acreditando que o simples movimento do aparelho vocal tem alta significação perante a Divindade.

Esquecem que Jesus lamentou, repetindo o profeta Isaías: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está vazio de mim.”

– Muitos oram solenemente, crendo que as pompas dos cerimoniais possuem o poder milagroso de comover o Criador.

Desconhecem a judiciosa advertência do Mestre: “Orai em secreto e o vosso Pai, que vê em secreto, vos recompensará...”

– Diversos oram através de reiteradas afirmações mentais, como se pudessem, com isso, sugestionar a Vontade Celeste.

Não compreendem, ainda, que “o reino do Céu não será tomado pela violência ...”

E, nada obstante, conversar com Deus é tão fácil. É tão suave e tão natural, quando sabemos articular a linguagem da fé viva!

A Doutrina que nos sustenta o ideal religioso menciona três qualidades da prece:

Glorificação,

Súplica,

Agradecimento.

Qualquer que seja, no entanto, a intenção predominante em nosso singelo colóquio com o Pai, devemos buscar, no dicionário da humildade, as expressões formosas do amor puro, a fim de que a nossa prece não se transforme em exigência descabida ou lamúria inconsequente.

O amor, que cobre a multidão dos pecados, que é o móvel central de todos os atos dignificantes, a essência de todas as aspirações elevadas, há de ser, hoje e sempre, a substância transcendente de nossas orações, porque somente ele, na esperança ou na dor, no trabalho ou na tristeza, na angústia ou na desilusão, nos poderá colocar em contacto com a glorificante Presença Divina.

(Reformador – Junho de 1963)


ESTA É A MENSAGEM

“ Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.” ( João 3:11)

Ilustração mostrando diversas maõs portando e ofertando corações brancos e vermelhos em fundo azul.Em todo o mundo sentimos a enorme inquietação por novas mensagens do Céu. Forças dinâmicas do pensamento insistem em receber modernas expressões de velhas verdades, ensaiando-se criações mentais diferentes. Notamos, porém, que a arte procura novas experimentações e se povoa de imagens negativas, que a política inventa ideologias e processos inéditos de governar e dilata o curso da guerra destruidora, que a ciência busca desferir voos mais altos e institui teorias dissolventes da concórdia e do bem-estar.

Grandes facções religiosas efetuam trabalho heroico na demonstração da eternidade da vida, suplicando sinais espetaculares do reino invisível ao homem comum.

Convenhamos que haverá sempre benefício nas aspirações elevadas do espírito humano, quando sinceramente procura as vibrações de natureza divina; todavia, necessitamos reconhecer que se há inúmeras mensagens substanciosas, edificantes e iluminadas na Terra, a maior e mais preciosa de todas, desde o princípio da organização planetária, é aquela da solidariedade fraternal, no “amemo-nos uns aos outros”.

Esta é a recomendação primordial. Sentindo-a, cada discípulo pode examinar, nos círculos da luta diária, o índice de compreensão que já possui, acerca dos Desígnios Divinos.

Mesmo que esse ou aquele irmão ainda não a tenha entendido, inicia a execução do paternal conselho em ti mesmo.

Ama sempre. Faze todo bem. Começa estimando os que te não compreendem, convicto de que esses, mais depressa, te farão melhor.

( Pão Nosso – Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)


OS EVANGELHOS EXPLICADOS

Origem e Evolução do Espírito

(Mateus, 1: 1 a 17 - Lucas, 3: 23 a 38 - continuação)

Ilustração mostrando a evolução desde o primata até o homem.O princípio inteligente se desenvolve ao mesmo tempo que a matéria e com ela progride, passando da inércia à vida. Deus preside ao começo de todas as coisas, acompanha paternalmente as fases de cada progresso e atrai a si tudo o que haja atingido a perfeição.

Essa multidão de princípios latentes aguarda, no estado cataléptico, em o meio e sob a influência dos ambientes destinados a fazê-los desabrochar, que o soberano Mestre lhes dê destino e os aproprie ao fim a que devam servir, segundo as leis naturais, imutáveis e eternas por Ele mesmo estabelecidas.

Tais princípios sofrem passivamente, através das eternidades e sob a vigilância dos Espíritos prepostos, as transformações que os hão de desenvolver, passando sucessivamente pelos reinos mineral, vegetal e animal e pelas formas e espécies intermediárias que se sucedem entre cada dois desses reinos.

Chegam dessa maneira, numa progressão contínua, ao período preparatório do estado de Espírito formado, isto é, ao estado intermédio da encarnação animal e do estado espiritual consciente. Depois, vencido esse período preparatório, chegam ao estado de criaturas possuidoras do livre-arbítrio, com inteligência capaz de raciocínio, independentes e responsáveis pelos seus atos. Galgam assim o fastígio da inteligência, da ciência e da grandeza.

(Fonte: "Os Quatro Evangelhos", org. de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Ed. Ibbis, Brasília, 2022. Tomo I, Item 56, parágrafos 10 a 13)



ESTUDOS FILOSÓFICOS:
A maior e melhor série de artigos
da literatura espírita brasileira está de volta!

Artigo CDXXXII - Gazeta de Notícias, 15-03-1896

Capa dos cinco volumes de Estudos Filosóficos editados pela CRBBM.O sábio Dr. Chambers, depois de uma importante sessão espírita, disse:

“Em quarenta minutos de experiência sinto derrocados quarenta anos de ciência, estou aterrado!”

Aqui, há dias passados, um dos nossos sábios, em coisa de quarenta linhas do Jornal do Comércio, viu derrocados 40 anos de experiências espíritas. Ele só derrocou-as!

Quiséramos pôr um defronte do outro os dois sábios, para vermo-los degladiarem; visto porém que não podemos realizar nosso desejo, pedimos vênia ao do Jornal para arriscarmos algumas reflexões sobre seus conceitos

A descoberta de Röntgen tem tanto com o Espiritismo, como a água de Lourdes com a Astronomia. Nem a luz penetrante dos corpos opacos pôde fazer descobrir relações, por mais longínquas, entre a nova lei, que veio revelar ao mundo, e a cosmogonia ou teogonia espíritas – enre essa lei e o Espiritismo científico ou religioso.

Em que e por que a luz Röntgen destrói a existência dos Espíritos – sua comunicação com os que ainda vivem na Terra – sua evolução de acordo com a grande lei do progresso universal – seu progresso intelectual e moral, mediante vidas corpóreas múltiplas, solidárias e reparadoras – sua responsabilidade pelo uso que fizeram do seu livre-arbítrio – e mais – e mais princípios fundamentais do Espiritismo?

Só se for por um raciocínio de novo molde, como este: o fogo queima, logo não há habitantes na Lua. A nova descoberta prova a fraude de Crookes, quanto a ter tirado o retrato de um Espírito.

Quid inde? A Astronomia deixa de ser, porque um astrônomo errou ou falsificou o cálculo de uma paralaxe? A Química deixa de ser, porque existem alquimistas? Semelhantemente, o que importa à ciência espírita que sejam falsas as experiências de Crookes – que não se possa mesmo tirar fotos de Espíritos?

Não envolve tal fato um princípio fundamental do Espiritismo, que de tal não faz, sequer, menção. Como, pois, e porque há de o Espiritismo deixar de ser, pela simples razão de serem falsos os retratos de Crookes ou de não ser possível tirar-se retratos de Espíritos?

É a tal coisa: o fogo queima, logo não há habitantes na Lua!

Mas Crookes? Afinal de contas é louco ou prestidigitador?

Enquanto não apareceu Röntgen, o recurso foi a loucura do sábio, visto que seu venerando caráter excluía todo o pensamento de uma mistificação.

A tática, porém, não tolheu; visto continuar o homem em suas experimentações científicas, tão equilibrado como sempre – e foi preciso ir ao termo: atacar-lhe o caráter, acatado por todos os sábios do mundo!

E atacá-lo por que modo?

Crookes já conhecia a luz penetrante dos corpos opacos; mas declinou da glória de ser o descobridor de tão surpreendente fenômeno, só para oferecer uma pedra, aliás dispensável ao edifício do Espiritismo, que, entretanto, tinha o propósito de destruir, quando iniciou seus estudos!

Ou seja, a tática da difamação não conseguir fazer frente aos trabalhos de Crookes devido à consistência de seus trabalhos científicos, mesmo depois de seus estudos espíritas.

Confessemos que este pensamento do sábio brasileiro vale mais o invento da luz Röntgen!

E, sobretudo, reconheçamos que os trabalhos de Crookes são de tal valia, que os inimigos da luz desatinam à cata de meios de nulificá-los.

Ninguém, e muito menos sábios, se preocupam com o que não tem valor!

As experiências do sábio inglês, embora não assentem sobre princípios fundamentais do Espiritismo, são-lhes uma prova indestrutível inde irae.

O ilustre escritor do Jornal, depois de ter cuspido a injúria sobre o caráter e precedentes, sempre acatados, do grande sábio – depois de lhe atribuir a inépcia de privar-se da glória de um im portante invento, só para dar força ao que ele chamava “teias de aranha”, e foi estudar “varrê-las do cérebro de seus compatriotas” – depois destes dois brilhantes cometimentos, passou a explicar o fato dos retratos, imaginando um manequim metálico fora da sala onde se achavam os assistentes.

Crookes pôs a máquina na sala, à vista de todos, como diz em sua descrição autenticada, e tirou o retrato do manequim, oculto dos assistentes, mediante a luz Röntgen, que ele já conhecia, apresentando-o como retrato de Katie, o Espírito.

Parece que o sábio brasileiro viu ou adivinhou a obra; mas esqueceu-se de uma circunstância, e é: que Katie já era conhecida de todos, que o retrato era a sua perfeita imagem e que, portanto, o manequim devia ser a expressão fiel de seus traços fisionômicos.

Daí resulta que: tão impossível era à máquina apanhar diretamente os traços de Katie, como apanhá-los o fabricante do manequim.

Se Katie, Espírito materializado, tocado pelos assistentes, não podia ser fotografado, como poderia ser esculturado?

Tão inexplicável é o retrato direto, com o indireto, pelo busto metálico do Espírito!

Pode ser, porém, que o talento imaginativo do escritor do Jornal, assim como descobriu que a base do Espiritismo era a experiência de Crookes, descubra, também, que um manequim metálico qualquer, pela luz Röntgen, dê à máquina fotográfica a perfeita fisionomia de uma determinada pessoa!

Quanta grandeza naquelas quarenta linhas do Jornal, para esmagar os quarenta minutos de experiências científicas de Chambers!

E este pobre sábio abandonar seus quarenta anos de ciência, exatamente quando o Espiritismo, por quem abandonou seus conhecimentos científicos, ruísse por terra, ao golpe mortal que lhe desfechou um brasileiro, provando, com um lógica de ferro temperado, que os retratos de Crookes são falsos!

Uma nota – O ilustre escritor do Jornal não leu a descrição dos trabalhos de Crookes.

Um conselho prudente – Procure a obra do sábio inglês e conhecerá quanto são descabidas suas imaginativas hipóteses.

Uma desculpa – Nunca temos diante dos olhos, senão para respeitar, a pessoas, cujas ideias combatemos.

Max. (Do Centro União Espírita)

Reproduzido conforme texto original. Confira na edição da Gazeta de Notícias de 15-03-1896 Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
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