Sarah e Jacob - Destaques - CRBBM

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Destaque da semana

A Verdade, para triunfar e ser aceita, tem primeiro que se chocar com as contradições dos homens. — J.B.Roustaing

SARAH E JACOB em...
"EU NÃO DISSE?"

"Jacob e Sarah eram amigos na infância, na época em que certo Messias andava fazendo sucesso lá pela Galiléia. Certo dia Jacob chamou a Sarah porque soube que Ele estava fazendo um sermão não muito distante de onde moravam.

- Quem é esse Messias? – perguntou Sarah, tentando se apressar para acompanhar Jacob.

- Olha... uns dizem que o cara é o próprio Deus... outros dizem que é enganação, que tá se fazendo passar por quem não é ...

- E por que você quer vê-lo, então?

- Pra ter minha própria opinião, ué... eu tenho um tio que é amigo deste Messias e ele sempre diz que a gente tem que ver pra crer, se não, não dá pra confirmar nada.

- Tio Tomé?

- Esse mesmo...

Quando chegaram ao local onde estava o Messias, os dois ficaram muito assustados quando viram a quantidade de gente que o cercava. Estavam muito longe dele e, embora conseguissem ouvi-lo com perfeição, queriam mesmo é chegar perto, como toda criança.

- Temos que chegar mais perto – falou Jacob. - Não podemos ouvir daqui? Parece que está falando aqui pertinho...

- E se ele fizer um milagre? Como vamos saber?

- Milagre? Que milagre?

- Mas em que mundo você vive, Sarah? Não ouviu falar do morto que viveu, do paralítico que andou... da água que virou vinho?

- Vai me dizer que ele fez tudo isso?

- É o que eu vim descobrir... vamos... Então eles foram se infiltrando entre as pessoas, mas quando conseguiram chegar perto o Messias já havia terminado de falar e estava saindo.

- E agora? Como vamos falar com ele, se está cercado de seguranças? – perguntou Sarah.

- São os apóstolos, não seguranças... olha lá, meu tio tá com eles, quem sabe ele não me dá uma força?

Jacob correu e deixou Sarah para trás. Então ela resolveu sentar e esperar, pois já estava cansada. Só que o tempo passou e todo mundo foi embora. Jacob não voltou e ela não sabia voltar sozinha para casa. E agora? Quando o desespero começou a tomar conta, um homem apareceu na frente dela e perguntou:

- Por que você está chorando?

A Sarah deu um pulo da pedra onde estava sentada e respondeu, com o coração quase saindo pela boca:

- De onde você apareceu, criatura?

- O que você faz sozinha aqui? – perguntou o desconhecido.

- Eu me perdi do meu amigo... e não sei voltar para casa...

- Venha comigo, vou levar

- Mas você sabe onde eu moro?

- Ah! Vamos na direção da cidade... em algum momento você há de reconhecer o caminho, não é?

Então os dois foram e aquele homem foi puxando uma conversa atrás da outra com Sarah, que gostava muito de uma conversa. Só que Sarah começou a andar mais rápido do que ele, com medo de levar algum castigo por ter chegar tão tarde. Então, de repente, olhou para trás e cadê o homem? Ele tinha sumido. Logo em seguida virou para frente e ali estava ele a esperando com um sorriso, a um passo dela.

- O que houve? – ele

- Você ficou para trás e sumiu... agora apareceu aí na frente... como fez isso?

- Eu não fiz nada de especial... você é que me perdeu. Sarah ficou encucada. O cara tinha aparecido de repente quando ela tava sozinha e ela nem o ouviu chegando. Agora sumia atrás dela e aparecia na frente. Então ela resolveu ficar atenta e não tirou mais o olho dele. Só que, de repente, uma coruja piou do lado da estrada e tirou a atenção dela. Foi uma fração de segundo. Bastou olhar para o lado e, pronto, quando olhou de novo, cadê ele? Rodopiou em volta dela mesma e não o viu. Já ia chorar por estar sozinha, quando ele cutucou seu ombro. Estava ali, e sorria de novo.

- Como é que você faz isso? – perguntou Sarah.

- Faço o que?

- Some, depois volta... eu nunca vi ninguém fazer isso. Você é um fantasma? – perguntou Sarah, jurando a si mesma que não tirava mais os olhos dele, mas, enquanto ela falava, olhando para ele, tropeçou numa pedra e teve que olhar para o chão, e já não o encontrou mais quando olhou novamente. Só que desta vez não se assustou. Cruzou os braços e falou:

- Espertinho, né? ... onde você está agora? Então o homem apareceu nas suas costas e com uma força que ela nem podia imaginar que ele tinha, levantou-a no colo e sorriu, para depois dizer:

- Vamos nos apressar porque seus pais devem estar muito preocupados. Já é quase noite. Vou levar você no meu braço para irmos mais ligeiro. E assim foram chegando perto da casa da Sarah, mas ela ainda estava encucada com aquele homem que aparecia e desaparecia. Então, como já iam chegar, o desafiou:

- Tá ... e você não vai me dizer como faz isso, né?

- Isso o quê?

- De sumir e aparecer... então quero ver sumir comigo no colo...

Pronto. Lá foi a Sarah para o chão. Mas o lugar era de areia macia, por isso não se machucou. Logo ela viu que estava bem pertinho de casa e sua mãe já vinha correndo, desesperada porque não sabia onde ela estava. Depois de muito falatório, Sarah conseguiu explicar tudo. Jacob estava lá, cheio de desculpas por ter perdido a amiga e era quem mais fazia perguntas, sempre desconfiado.

- Mas quem a trouxe, afinal.

- Um homem que aparecia e desaparecia.

- O quê?

- É verdade. Eu deixava ele para trás e ele aparecia na minha frente. Eu olhava para a coruja e ele já tinha sumido, depois aparecia do meu lado. Eu tropecei numa pedra e quando olhei, cadê ele?

- Sim, onde ele estava – perguntou a mãe de Sarah, aflita.

- Não sei, mas de repente fui parar no braço dele. Era tão forte, me carregou até aqui, mas depois eu falei que duvidava que ele podia desaparecer comigo no colo... e agora tô assim, toda suja de areia.

O pais de Sarah, e também, Jacob, ficaram muito preocupados. Muito preocupados mesmo. Tá certo que ela já era meio estranhazinha, sempre, mas, essa agora ia além dos limites. Tentaram fazê-la acreditar que aquilo não era possível. Que ia contra as leis de Deus. Que um corpo não pode aparecer e desaparecer como se fosse feito de ar e que, se fosse um fantasma, não conseguiria carregar ninguém no colo. Mas ela tinha visto, e não visto, e visto, e não visto, tantas vezes, que se recusava a mudar de ideia.

- E como era o nome deste homem? – Perguntou, por fim, o pai de Sarah.

- Ele disse que era Jesus... ei! Jesus não é o tal Messias que você foi ver pra crer? –perguntou Sarah ao Jacob. Todos se olharam. O caso era bem mais grave do que pensavam. Jacob, que não tinha visto aquilo e seguia as normas do tio famoso, falou:

- Tá ... você tá querendo dizer que o cara, que é “o cara”, veio até aqui só pra trazer você? Então o cara, que é O CARA, veio trazer você e ficou brincando de aparecer e desaparecer, como se fosse um fantasma? Tá ... tudo bem... o que mais você vai inventar pra ficar famosa? Heim?

O pai de Sarah puxou a mãe pelo braço e falou baixinho:

- Olha... eu já ouvi mais gente falar por aí que esse Jesus tem essa mania...

- Ah! Você também? Ela tem por quem puxar mesmo!

E o tempo passou. E Sarah continuou contando sua história do homem que aparecia e desaparecia, mas ninguém acreditava. Virou motivo de piadas. Amiguinha do fantasma... “Como você pode acreditar que alguém pode aparecer e desaparecer?” “só você mesmo”...

E o tempo passou. E quanto mais o Messias ficava conhecido, mais deixavam de acreditar nela. Até que correu a notícia da morte do Messias na cruz. Sarah entristeceu. Estivera com ele tempo tão pequeno que nem podia provar pra ninguém que estivera com ele, mas nunca o esqueceu. Todos comentavam que fizeram com o Messias. Uns estavam indignados por ele não ter queimado com um raio todos os agressores. Outros reclamavam que os mais chegados tinham que ter tomado uma atitude. Outros silenciavam e tentavam entender o que significava tudo aquilo. O importante é que todos falavam do assunto e Sarah estava triste. Dois dias depois, Sarah estava reunida em casa com os pais e o amigo Jacob, quando uma amiga da mãe dela chegou apavorada, contanto a notícia que corria de boca em boca:

"O corpo do Messias sumiu... o corpo de Jesus sumiu..."

- Sumiu como? – perguntaram.

Sumiu, desapareceu no ar... e não foi roubado não, desapareceu de verdade...

Um profundo silêncio tomou conta da casa. Todos ficaram um longo tempo pensativos. Até que a ficha caiu. Então olharam para Sarah, que estava com a expressão de sabedoria desenhada no rosto. E ela apenas falou:

- Eu não disse?"



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