Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação
e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

Conheça também e inscreva-se
em nosso Canal de vídeo

Logo do Youtube

MUSEU ROUSTAING - ARTIGOS:

REVELAÇÃO DA REVELAÇÃO:
HISTÓRIA DE UMA EXPRESSÃO

(Texto transcrito / adaptado da obra “Jean Baptiste Roustaing, Apóstolo do Espiritismo”, de Jorge Damas Martins e Stenio Monteiro de Barros)

Os Espíritos do Senhor que, segundo a promessa do Cristo aos seus apóstolos bem-amados, se espalharam sobre a Terra, a fim de trazer a seus irmãos essa Revelação da Revelação há tanto tempo esperada, quererão também, disso temos a íntima convicção, ajudar-nos em nossa difícil tarefa. – AUGUSTE BEZ, por ocasião do lançamento do jornal espírita L’Union Spirite Bordelaise, - Junho de 1865

Joseph de MaîstreEncanta ver, no texto em destaque acima, a expressão Revelação da Revelação, tão questionada pelos que não compreenderam, ainda, o papel da obra de Roustaing como coadjuvante e complementar da Codificação Kardequiana.

Aqui, tudo fica claro: O editorial é de junho de 1865, cerca de dez meses antes do lançamento de Os quatro Evangelhos ou Revelação da Revelação, em 5 de abril de 1866. Então, não há dúvida, o texto diz que os Espíritos do Senhor, como o Cristo anunciou, se espalham na Terra, a fim de trazer a seus irmãos o Espiritismo ou essa Revelação da Revelação. A primeira palavra Revelação está como sinônimo de Espiritismo, e a segunda, é sinônimo de Cristianismo. Assim se pode ler: o Espiritismo é a revelação posterior da Revelação anterior de Cristo.

Ao utilizá-la, portanto, os Espíritos autores de “Os Quatro Evangelhos” serviram-se de expressão corrente e, com ela, referiam-se ao ESPIRITISMO CRISTÃO em geral, como TERCEIRA REVELAÇÃO, como obra COLETIVA das VIRTUDES DO CÉU, e não específica e exclusivamente à obra coordenada e publicada por Roustaing, como que a defini-la como uma revelação distinta e muito menos concorrente da Codificada por Kardec, como muitas vezes equivocadamente se interpretou.

Conhecer um pouco mais sobre a história dessa expressão reforça o entendimento acima apresentado. Ela foi bastante estudada por P.-G. Leymarie, o fiel discípulo e continuador de Allan Kardec. Lemarie diz que ela se origina de Joseph de Maîstre, no seu Soirées de St-Pétersbourg, publicado em 1821. Escreve Leymarie:

Sim, Joseph de Maîstre, em 1821, anunciou uma revelação da revelação pelo espírito, uma nova e divina involução [descida] sobre nossa Terra e cada um estará saturado dessa bondade suprema; o que chegará, dizia ele, será inacreditável, até para os crentes, de tal modo sua manifestação será evidente e tomará desenvolvimentos declarados impossíveis por todas as faculdades (Revue Spirite, novembro de 1897, p. 648).

Um ponto da profecia de Maîstre não convence P.-G. Leymarie; é quando ele fala que esta revelação da revelação, esta nova efusão do espírito profético, será reunida numa única cabeça de um homem de gênio:

A aparição desse homem não poderia estar longe; talvez mesmo já exista...(p. 650).

Leymarie não concorda com esta figura pessoal, e, baseado no profeta Joel, ensina:

Não haverá dessa vez um único Messias, mas um número grande de encarregados de diversas funções, disse Joel, enquanto que de Maîstre esquece o fato e pretende que um único homem de gênio pode modificar tudo, o que é uma asserção arriscada (p. 650).

Esta revelação profetizada por de J. Maîstre é o espiritismo, a terceira efusão após a primeira dos profetas judeus, e a segunda do Cristo. E esta terceira manifestação é conduzida por uma coletividade espiritual, como bem alerta Kardec:

“O Espiritismo ... não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu criador. É fruto do ensino coletivo dos Espíritos, ensino que preside o Espírito de Verdade” (A gênese, cap. XVII, item 40).

Leymarie, então, faz uma citação que confirma não só que ele pensava assim, mas também J. B. Roustaing e seus discípulos eram partidários da mesma ideia:

J. de Maîstre foi o profeta disso. J. B. Roustaing em seus quatro evangelhos é partidário da revelação da revelação, do mesmo modo seus discípulos Jean Guérin e o barão du Boscq (p. 648).

Kardec conhecia bem as profecias de J. Maîstre, pois escreve um longo artigo na Revista Espírita (RE, abril de 1867, pp. 148-158) sobre elas e, muito interessado, evoca o precursor do espiritismo, Joseph de Maîstre, na Sociedade de Paris, em 22 de maio de 1867. Antes, porém, da mensagem espiritual, ele cita alguns pensamentos deste homem de um mérito incontestável como escritor, e que é tido em grande estima no meio religioso (p. 155). Vamos grifar apenas alguns destes pensamentos:

Não há mais religião na Terra: o gênero humano não pode ficar neste estado. Oráculos terríveis, aliás, anunciam que os tempos são chegados (p. 148).

A nação francesa deveria ser o grande instrumento da maior das revelações (p. 149).

Deus fala uma primeira vez no Monte Sinai e esta revelação foi concentrada, por motivos que ignoramos, nos estreitos limites de um só povo e de um só país. Após quinze séculos, uma segunda revelação se dirigiu a todos os homens sem distinção, e é a que desfrutamos ... Contemplai .... e vereis ... como mais ou menos próxima uma terceira explosão da onipotente bondade em favor do gênero humano (pp. 153-154).

E não digais que tudo está dito, que tudo está revelado e que não nos é permitido esperar nada de novo. Sem dúvida, nada nos falta para a salvação. Mas, do lado dos conhecimentos divinos, falta-nos muito (p. 154).

Ainda uma vez não censureis as pessoas que disto se ocupam e que veem na revelação as mesmas razões para prever uma REVELAÇÃO DA REVELAÇÃO” (p. 154, [caixa alta dos autores, no original francês a expressão se enconta destacada em itálico por Kardec: une révélation de la révélation [Revue spirite, p. 106])

Pergunto-vos: disso resulta que Deus se interdita toda manifestação nova e não lhe é mais permitido ensinar-nos nada além do que sabemos? Força é confessar que seria um estranho argumento (p. 155).

Evocado J. de Maîstre por Kardec, através do médium Sr. Armand Théodore Desliens (secretário pessoal do Codificador e uma das testemunhas na certidão de seu óbito), ele confirma suas profecias e ensina a abrangência da revelação da revelação (expressão colocada em itálico por Kardec), por todo mundo:

O espírito profético abrasa o mundo inteiro com seus eflúvios regeneradores. – na Europa, como na América, na Ásia, em toda a parte, entre católicos como entre os muçulmanos, em todos os países, em todos os climas, em todas as seitas religiosas ... A aspiração a novos conhecimentos está no ar que se respira, no livro que se escreve, no quadro que se pinta; a ideia se imprime no mármore do estatuário como na pena do historiador, e aquele que muito se admirasse de ser colocado entre os espíritas é um instrumento do Todo-Poderoso para a edificação do Espiritismo (pp. 157-158).

Lembro ao amigo leitor que J. B. Roustaing também evocou Joseph de Maîstre em 1861, seis anos antes de Allan Kardec, em Bordeaux, e enviou, através do Sr. Sabò, a mensagem para o Codificador (RE, junho de 1861, p. 254). Roustaing fez um pequeno comentário desta mensagem de Maîstre e de outras recebidas. Kardec gostou do que leu, e comentou:

Vê-se que, embora iniciado recentemente, o Sr. Roustaing passou a mestre em assunto de apreciação ... pelas citações que o autor desta carta faz dos pensamentos contidos nas comunicações que ele recebeu, prova de que não se limitou a admirá-las como belos trechos literários, bons para conservar num álbum; mas as estuda, medita e tira proveito (p. 258).

Salve o Espiritismo Cristão! Salve a Revelação da Revelação!

KARDEC E ROUSTAING,
CONCORDÂNCIA UNIVERSAL

“Até nova ordem não daremos às suas teorias nem aprovação, nem desaprovação, deixando ao tempo o cuidado de as sancionar ou as contraditar. Convém, pois, considerar essas explicações como opiniões pessoais dos Espíritos que as formularam, opiniões que podem ser justas ou falsas, e que, em todo o caso, necessitam da sanção do controle universal, e, até mais ampla confirmação, não poderiam ser consideradas como partes integrantes da Doutrina Espírita”. (Allan Kardec, sobre a obra “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing - RE, Junho de 1866, pág.258 da Ed. FEB)

Há algumas “lendas urbanas” que curiosamente se propagam na sociedade e adquirem às vezes o status de “verdades estabelecidas” sem que ninguém saiba exatamente como surgiram ou o porquê de sua existência.

O fenômeno é universal, não respeita fronteiras e independe de idioma, cultura, gênero ou religião. Simplesmente acontece.

Fulano disse, Beltrano acreditou, Sicrano “compartilhou” e... pronto!, muitos outros deram fé sem parar para refletir, apurar e avaliar se realmente procede ou não o que foi dito, acreditado e compartilhado. A propagação de boatos e fofocas e a promoção das pseudocelebridades talvez sejam os melhores exemplos dessas ocorrências, e elas podem ocorrer tanto para o bem, quanto para o mal. Por esse meio “fabrica-se” heróis, mas também destroi-se reputações, muitas vezes de pessoas e instituições sérias, com muita rapidez.

Aliás, nesse sentido, as advertências do apóstolo Tiago, em sua epístola, a propósito dos perigos da “língua” nos parecem de uma atualidade impressionante... imaginem o que ele diria se ao seu tempo já houvesse a internet:

“Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus”.(Tiago 3:8-9)

Em nosso meio, no movimento espírita, temos também as nossas “lendas urbanas”.

Uma delas é a de que a obra de Jean-Baptiste Roustaing e Émilie Collignon, “Os Quatro Evangelhos”, e em especial a revelação do Corpo Fluídico de Jesus não teriam recebido a sansão do “Controle Universal(1), e que portanto não seriam parte integrante da Doutrina Espírita, conforme o proposto por Kardec no texto reproduzido na epígrafe acima.

A trajetória dessa história é em tudo impressionante e muito instrutiva para aqueles que se interessam em observar como as ideias “correm” e adquirem “vida própria”... Da reserva inicial do Codificador sobre o assunto, e da sua posterior manifestação aparentemente contrária à ideia do Corpo Fluídico, em “A Gênese”, avançou-se aos poucos para a condenação, mais tarde para a segregação da obra e, finalmente, até para a difamação livre e aberta de seus autores humanos e mesmo daqueles que ousassem defendê-los...

A “boa notícia” nestes casos é que, como a base é frágil, eles também caem por si mesmos ao primeiro vento, como um castelo de cartas. “Palavras o vento leva”, diz o ditado popular, e o que se aprende, ao final desses episódios, é que a Verdade sabe se impor por si mesma quando o seu tempo é chegado, sem depender para isso dos favores humanos...

A pergunta que fazemos nessas oportunidades é sempre a mesma, talvez como fruto da nossa formação em jornalismo: Alguém já apurou? Já se parou para verificar, de fato, se há ou não citações de diferentes e relevantes médiuns, de épocas e lugares distintos, sobre o corpo fluídico, por exemplo? Na dúvida, procuramos deixar de lado as opiniões dos homens, muitas vezes controversas, para nos concentrar na pesquisa.

Não demorou muito para descobrirmos que elas existem.

O fato – independentemente do que se diga ou da opinião de quem quer que seja – é que há farta literatura mediúnica em favor da obra “Os Quatro Evangelhos”, e inclusive sobre o corpo fluídico. São mensagens e obras variadas, em bom número e de excelente qualidade, moral e doutrinária. De bons médiuns. De Espíritos relevantes.

Por que não são, então, conhecidas? Não sabemos dizer.

Algumas encontramos em prateleiras empoeiradas, em obras que pelo seu valor não mereciam olvido. Outras estão em textos de fácil acesso, mas parece que foram simplesmente ignoradas, talvez porque ao deparar-se com elas, em numerosos volumes, não estivéssemos com a atenção voltada ao tema. Ou ainda - quem poderá saber? - fosse necessário mesmo que o tempo apenas passasse, para que nós todos crescêssemos espiritualmente, e amadurecêssemos o suficiente para ter “olhos de ver”.

O mais curioso, nesse caso, é justamente a circunstância de não trazermos novidade... O que se propõe, aqui, é uma leitura mais cuidadosa, mais atenta. Vamos iluminar pedras preciosas e translúcidas em meio a uma sala escura, para observar vagarosamente os raios de luz atravessando a sua transparência, admirando passo a passo os seus variados matizes de cor...

Não temos pressa, mas calma. A Verdade fala por si mesma, em muitos casos, mas é preciso um estado de espírito de certa quietude para poder ouvi-la, clara, em nossos próprios corações...

Para facilitar o acesso a essas citações, nós as reunimos, as principais. Elas podem ser vistas no capítulo homônimo a esse artigo – CONCORDÂNCIA UNIVERSAL (constante no volume PÃO VIVO, publicado pela nossa Casa) ou acessando o nosso blog, DE VOLTA AO CRISTIANISMO DO CRISTO, publicado em 2013, mas que traz aproximadamente 50 destas “pérolas” maravilhosas, mas esquecidas, de nossa literatura espírita.

Àqueles que têm interesse sobre o tema, uma boa leitura!

Muita paz.

(1)“Uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos: a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares”. – Introd. de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, item II.


EURÍPEDES BARSANULFO E GABRIEL,
O ARAUTO DA ANUNCIAÇÃO

Na semana passada destacamos aqui a preciosidade desta obra mediúnica psicografada por Eurípedes Barsanulfo, o nosso Apóstolo de Sacramento - "Eurípedes Barsanulfo, Médium de Jesus" - com preciosíssimas mensagens de algumas das "Virtudes dos Céus", Espíritos Superiores, em sua maioria participantes da Revelação Crística, que vieram também manifestar a sua presença e participar do advento do Consolador prometido por Jesus, o Espírito da Verdade, a Terceira Revelação: Os Evangelistas, Isabel, Zacarias, João Batista, José, Maria... então todos lá. Na oportunidade, para salientar o valor dessa obra e das mensagens que traz, publicamos a primeira mensagem de Maria contida em suas páginas. Hoje damos sequência a esse esforço, publicando desta vez pequeno trecho das palavras de Gabriel, o "Anjo" ou "Espírito" que fez o papel de arauto da anunciação, do encontro entre o Céu e a Terra que se concluiu com a histórica e belíssima sentença de Maria: "Faça-se em mim conforme a vontade do Senhor". Não vamos nos alongar em nossos comentários, a mensagem fala por si. Importante é poder testemunhar o fato de que as três revelações "se falam", e que a Revelação Espírita confirma e esclarece em todos os pontos as passagens relacionadas à presença de Jesus na Terra, entre as quais, claro, o episódio da anunciação e da encarnação especial empreendida pelo Espírito Crístico para poder se fazer presente, visível e tangível entre nós. Vamos ao texto, pois:

A paz bendita do Senhor seja o rubi mais caro que, engastado, brilha em vossos Espíritos.

Oh! Quando, há milhares de anos recebi ordens para descer a uma pobre cabana, ordens de Deus, todo poderoso, sim, há milhares de anos que desci nesta cabana para assim pedir: salve, oh! donzela, oh! Espírito eleito do Senhor!

Salve, Maria.

A cheia de graça! Bem aventurada és tu porque de teu ventre nascerá o Redentor que conduzirá ao reino do Senhor a humanidade pela palavra, pelos atos, pelas virtudes e pelos ensinamentos. Quando a mulher, humilde e fervorosa, recebe a minha anunciação, Ela se cora e tomada de um doce enleio por não saber como é que Ela se constituiria a mãe de Jesus. Sim, Maria, sobre vós virá a sobra do Espírito Santo e o vosso ventre dele recebendo os puríssimos fluidos que devem constituir o corpo do divino Nazareno. Vós, Maria, sereis destarte aquela que há de gozar primeiro da presença do Salvador neste mundo.

No ímpeto de toda humildade, Maria recorda-se de que por Deus viera à Terra mandada ao desempenho da sublime missão de ser mãe de Jesus. E então, Maria, de joelhos, como estava, volvendo os olhos ao céu, declara: "faça-se em mim a vontade do Senhor".

Realizado estava o pacto, feita estava a aliança da humanidade terrena com seu Deus, chegado foi, no relógio da eternidade, o momento em que Maria, em êxtase sublime, recebe nos braços o farol iluminador da humanidade terrena - Jesus.

Correm os tempos e ei-Lo, com o verbo divino, convidando a humanidade a se redimir.

Jesus, o Senhor Divino, sai a pregar à Humanidade!

Capa do livro Eurípedes Barsanulfo, O Médium de JesusJesus prega a Caridade!

Jesus! Jesus, ei-Lo entre o povo, ei-Lo entre a humanidade dizendo: "Deixar vir a mim as criancinhas porque delas é o Reino dos Céus"; "Bem aventurados os que choram porque serão consolados; Bem aventurados os humildes porque verão a Deus". Eis Jesus, ensinando, curando os paralíticos. Eis Jesus entregando à humanidade a chave da caridade que tem por fim abrir as portas dos mundos que povoam o universo!

Eis Jesus dizendo à humanidade que, para a salvação de seus Espíritos, esta tinha de trilhar seus passos por caminhos de crueis sacrifícios e declarar peremptoriamente: homens, amai-vos uns aos outros. Eu vos dou ensinamento único capaz de vos constituir filhos de Deus e tornar-vos puros. Sim, meus irmãos, entregai-vos à prática do bem, à prática da caridade e tereis salvo e redimido a vossa alma.

Ah! Jesus, então, em troca do amorável sentimento da fraternidade e do amor recebe o sentimento da perseguição e do ódio e da vingança!

Ei-lo que escala o gólgota para ensinar à humanidade ver-se submissa à vontade de Deus.

Eis Jesus que saindo ao mundo dissse que mandaria o Consolador para revelar outros ensinamentos, para receber os que a humanidade não se achava preparada!

Este Consolador, este Espírito da Verdade, na Terra está desde o dia em que o Divino Senhor reergueu para, de novo, tornar ao seio de seus discípulos e de seu apóstolos[...] ide e pregai [...]!

(Mensagem recebida a 09-05-1908,às páginas 167-169 da ed. citada).

A EVOLUÇÃO E A ESPIRITUALIZAÇÃO DO SEXO E DAS FORMAS DE REPRODUÇÃO

Esse é um tema pouco estudado / comentado em nosso meio, e no entanto é fundamental para plena compreensão do processo evolutivo e progressiva evolução das formas. Se os mundos se fluidizam e os corpos se sutilizam, ao longo do carreiro evolutivo, é natural e necessário que os modos de reprodução acompanhem esse mesmo processo, deixando para trás a animalidade e adaptando-se a regimes superiores de espiritualidade. Encontramos a respeito, na edição de Fevereiro de 1864, da Revista Espírita, interessante artigo (e raro) sobre o tema, que transcrevemos abaixo.

Até aqui a reencarnação tem sido admitida de maneira muito prolongada; não se pensou que esse prolongamento da corporeidade, embora cada vez menos material, acarretava necessidades que deviam atrasar o progresso do Espírito. Com efeito, admitindo a persistência da geração nos mundos superiores, se atribuem ao Espírito encarnado necessidades corporais, dão-lhe deveres e ocupações ainda materiais, que o sujeitam e detêm o impulso dos estudos espirituais. Qual a necessidade desses entraves? Não pode o Espírito gozar das alegrias do amor sem sofrer as enfermidades corporais? Mesmo na Terra, esse sentimento existe por si mesmo, independente da parte material do nosso ser; por mais raros que sejam, há exemplos suficientes para provar que deve ser sentido, de modo mais geral, entre os seres mais espiritualizados.

A reencarnação proporciona a união dos corpos; o amor puro, apenas a união das almas. Os Espíritos se unem segundo afeições iniciadas em mundos inferiores, e trabalham juntos por seu progresso espiritual. Têm uma organização fluídica totalmente diferente da que era conseqüência de seu aparelho corporal, e seus trabalhos se exercem sobre os fluidos, e não sobre os objetos materiais. Vão a esferas que, também, realizaram seu período material e cujo trabalho humano ensejou a desmaterialização, esferas que, chegadas ao apogeu de seu aperfeiçoamento, também passaram por uma transformação superior que as torna apropriadas a experimentar outras modificações, mas num sentido inteiramente fluídico.

Agora compreendeis a imensa força do fluido, força que mal podeis constatar, mas que não vedes nem apalpais. Num estado menos pesado ao em que estais, tereis outros meios de ver, tocar, trabalhar esse fluido, que é o grande agente da vida universal. Por que, então, o Espírito ainda teria necessidade de um corpo para um trabalho que está fora das apreciações corporais? Dir-me-eis que esse corpo estará em relação com os novos trabalhos que o Espírito deverá realizar; mas, levando-se em conta que esses trabalhos serão completamente fluídicos e espirituais nas esferas superiores, por que lhe dar o embaraço das necessidades corporais, uma vez que a reencarnação determina sempre, como já disse, geração e alimentação, isto é, necessidades da matéria a satisfazer e, em contrapartida, entraves para o Espírito? Compreendei que o Espírito deve ser livre em seu vôo para o infinito; compreendei que, tendo saído das fraldas da matéria, aspira, como a criança, a marchar e a correr sem ser detido pelo zelo materno, e que essas primeiras necessidades da primeira educação da criança são supérfluas para a criança crescida, e insuportáveis para o adolescente. Não desejeis, pois, ficar na infância; olhai-vos como alunos que fazem os últimos estudos escolares e se dispõem a entrar no mundo, a nele ter a sua posição e a começar trabalhos de outro gênero, que seus estudos preliminares terão facilitado.

O Espiritismo é a alavanca que, de um salto, erguerá ao estado espiritual todo encarnado que, querendo bem compreendêlo e o pôr em prática, se empenhará em dominar a matéria, a tornar-se seu senhor, a aniquilá-la; todo Espírito de boa vontade pode pôr-se em condição de passar, ao deixar este mundo, para um estado espiritual sem retorno terrestre. Falta-lhe apenas fé ou vontade ativa. O Espiritismo a oferece a todos os que o quiserem compreender em seu sentido moralizador.

Um Espírito protetor do médium (Revista Espírita Fev/1864, Ed. FEB, págs.81 e 82)

O CENTENÁRIO DE "OS QUATRO EVANGELHOS"

Capa da Edição Original de Os Quatro EvangelhosNão, por favor não se assustem os prezados leitores e visitantes de nosso site, esta matéria não está equivocada e sabemos bem que a magistral obra "Os Quatro Evangelhos", de Roustaing, foi publicada em 1866, e por isso celebramos em 2016 os seus 150 anos... ocorre que recentemente achamos esse texto notável, publicado em "O Cristão Espírita", em sua edição de abril/maio 1966, durante as comemorações do centenário dessa obra tão bem definida por Bezerra de Menezes como "sagrada", e decidimos resgatá-lo e republicá-lo. Não temos com precisão a definição de sua autoria, mas provavelmente deve ser ou do então redator-chefe de nosso jornal, nosso prezado Indalício Mendes, ou do valoroso e igualmente admirado Ivo de Magalhães, grande estudioso da revelação recebida por Emílie Collignon. Como saudade não tem idade... esperamos que apreciem!

"O ESPIRITISMO vê passar agora o primeiro centenário da extraordinária obra "Os Quatro Evangelho" - Espiritismo Cristão ou Revelação da Revelação - recebida pela médium Emílie Collignon, cujas excelentes faculdades justificaram inteiramente a sua escolha pelo Alto. Não temos dados para fixar o dia e o mês do lançamento do primeiro volume dessa notável obra.(1)

As revelações começaram a ser recebida» mediunicamente em dezembro de 1861, terminando em maio de 1865, perfazendo um total de três volumes, aparecidos em 1866.

Guillon Ribeiro escreve à página 43 da edição de 1920 o seguinte: "Em 1866 [Roustaing] publicou os três volumes dos QUATRO EVANGELHOS e ofereceu um exemplar a Allan Kardec que, na sua REVISTA, em junho de 1867, apreciou a obra", etc.(2)

É curioso assinalar a "coincidência": Assim como coube a Kardec coordenar (e codificar) as obras fundamentais do Espiritismo, coube igualmente a Roustaing coordenar 'Os Quatro Evantelhos", desenvolvendo também estafante trabalho. Se Allan Kardec teve do "Espírito da Verdade" a incumbência de sua gloriosa e fecunda tarefa, supreendido, quando menos o esperava, pela honra e responsabilidade do comentimento, Jean Baptiste Roustain, do mesmo modo, foi supreendido pelo Espírito do Apóstolo Pedro, em 30 de junho de 1861, à realização do importante trabalho, o que constituiu inesperada revelação para ele e para a médium Emílie Collignon. Fora ele visitar essa senhora, a quem não conhecia, a fim de apreciar um grande quadro mediunicamente desenhado, representando um aspecto dos mundos que povoam o espaço. Oito dias depois, voltou, por dever de cortesia, para agradecer à Mme. Colligon o acolhimento distinto que lhe havia dispensado. Quando se preparava para sair, a médium sentiu a agitação fluídica indicadora da presença de um Espírito desejoso de manifestar-se. Tudo começou com a mensagem recebida de Mateus, Marcos, Lucas e João, assistidos pelos Apóstolos.(3)

Como cristãos espiritas, rogamos ao Pai que abençoe o Espirito de J. B. Roustaing e de quantos contribuíram para doar à humanidade essa obra magnífica, que "alem de ser obra de estudos e meditação metódica dos Evangelhos, será sempre também indispensável obra de consulta, não só para os que já lhe hajam perlustrado às páginas, como ainda para os que, sem o terem feito, busquem no momento elucidar qualquer das grandes questões que o Espiritismo veio por em foco" (Guillon Ribeiro, tradutor, no prefácio da 4a. edição).

Outro vulto eminente do Espiritismo brasileiro, Manoel Quintão, assim se referiu, em O CRISTO DE DEUS (ed. FEB) a "Os Quatrro Evangelhos": "estudar o Espiritismo não é limitar-se a Kardec, nem limitar-se a Roustaing, nem particularizar com qualquer outro, porque o caráter do Espiritismo está na imanência de suas fontes, que asseguram sempre conhecimentos sempre progressivos para amplitudes infinitas". Guillon Ribeiro disse que essa obra, "em tempo não muito distante, se tornará para os espíritas todos, uma fonte onde todos irão constantemente beber, desde que do seio deles desapareça o nefasto personalismo que ainda os traz desunidos, desde que os liguem o pensamento e o desejo únicos de servirem a Jesus, exemplificando o amor e a fraternidade, demonstrando ao mundo que todos são um com o Mestre Divino como Ele é um com o Pai" ("Jesus - nem Deus, nem homem").

Anúncio do laçnamento de Os Quatro EvangelhosO grande mestre Kardec, na "Revue Spirite", de 1861, págs. 167 a 172, teve palavras justas acerca dos pontos de vista de Roustaing: "Os princípios que aí são altamente expressos (na carta que lhe escrevera Roustaing), por um homem cuja posição o coloca entre os mais esclarecidos, darão que pensar aos que, supondo possuirem o privilégio da razão, classificam todos os adeptos do Espiritismo como imbecis. Vê-se que Roustaing, apesar de recentemente iniciado, se tornou mestre em matéria de apreciação; é que ele tem séria e profundamente estudado, o que lhe permitiu apreender rapidamente todas as consequências da importante questão do Espiritismo, e que, ao contrário de muitos, ele não ficou na superfície. Infelizmente, nem todos têm, como ele, (Roustaing) a coragem de dar a sua opinião, e é isso que alimenta os adversários (citação feita em "Elos Doutrinários", de Ismael Gomes Braga, págs. 13 e 14).

Este último autor, no livro citado, acrescenta: "A autoridade indiscutível de Kardec reconhecia, pois, na médium e no compilador de "Os Quatro Evangelhos", criaturas superiores, capazes; e hoje, diante da aprovação geral por parte dos Espíritos,nós, espíritas conscienciosos, que seguimos o conselho do Codificador, lendo e consultando a Roustaing, temos o dever de aproximar as obras dos dois Missionários e não nos orientarmos por processos dissolventes, como fazem os confrades de outros países, onde até hoje combatem a Codificação Kardequiana por não aceitarem ao que chamam de "dogma da reencarnação" (pág.14).

Nesta oportunidade de real contentamento espiritual, unamo-nos em torno de Kardec e Roustaing, estudando-lhes as obras e preparando nosso espírito para a mais alta e profunda compreensão dos Evangelhos e da Doutrina Espírita, ou, melhor dizendo, do Cristianismo puro, em espírito e verdade, porque Espiritismo e Cristianismo são uma só doutrina, uma só ideia, um só corpo e uma só alma, com um único objetivo: a felicidade da criatura humana nos dois planos em que se divide a vida, o espiritual e o material. Ambos preparam o homem e a mulher para a vida de hoje na Terra e para a vida de amanhã, na Espiritualidade. Ambos mostram a relação íntima entre o Passado, o Presente e o Futuro, pelos lindes do Carma, através da Justiça Divina representada na reencarnação."

(1) - A intuição de Azamor, Indalício e Ivo foi certeira! Publicam a homenagem ao centenário de "Os Quatro Evangelhos" na edição de Abr/Maio de 1966 e, anos mais tarde, a pesquisa coordenada pelos nossos irmãos Jorge Damas Martins e Stenio Monteiro de Barros conseguiu recuperar o anúncio de lançamento da obra - confirmando como suas datas de lançamento exatamente a 05 de abril (1o e 2o. volumes) e 05 de maio de 1866 (3o. volume). Vide figura acima, à direita. Quem desejar mais informações a respeito favor consultar "Jean Baptiste Roustaing, Apóstolo do Espiritismo", em nossa Biblioteca virtual.

(2) Aqui houve um erro material, o correto é junho de 1862.

(3) Há também mais detalhes sobre essa visita e sobre a natureza e autoria desse quadro mediúnica na obra acima referida, vale consultar...