Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação e Benefícios

Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. — Allan Kardec

O NATAL DO CRISTO

Projetam-se, anualmente, sobre a Terra os mesmos raios excelsos da Estrela de Belém, clareando a estrada dos corações na esteira dos dias incessantes, convocando-nos a alma, em silêncio, à ascensão de todos os recursos para o bem supremo.

A recordação do Mestre desperta novas vibrações no sentimento da Cristandade.

Não mais o estábulo simples, mas nosso próprio espírito, em cujo íntimo o Senhor deseja fazer mais luz...

Santas alegrias nos procuram a alma, em todos os campos do idealismo evangélico.

Natural o tom festivo das nossas manifestações de confiança renovada. Entretanto, não podemos olvidar o trabalho renovador a que o Natal nos convida, cada ano, não obstante o pessimismo cristalizado de muitos companheiros, que desistiram temporariamente da comunhão fraternal.

É o ensejo de novas relações, acordando raciocínios enregelados com as notas harmoniosas do amor que o Mestre nos legou.

É a oportunidade de curar as nossas próprias fraquezas retificando atitudes menos felizes, ou de esquecer as faltas alheias para conosco, restabelecendo os elos da harmonia quebrada entre nós e os demais, em obediência à lição da desculpa espontânea, quantas vezes se fizerem necessárias.

É o passo definitivo para a descoberta de novas sementeiras de serviço edificante, através da visita aos irmãos mais sofredores do que nós mesmos e da aproximação com aqueles que se mostram inclinados à cooperação no progresso, a fim de praticarmos, mais intensivamente, o princípio do “amemo-nos uns aos outros”.

Conforme a nossa atitude espiritual ante o Natal, assim aparece o Ano Novo à nossa vida.

O aniversário de Jesus precede o natalício do Tempo.

Com o Mestre, recebemos o Dia do Amor e da Concórdia.

Com o tempo, encontramos o Dia da Fraternidade Universal.

O primeiro renova a alegria.

O segundo reforma a responsabilidade.

Comecemos oferecendo a Ele cinco minutos de pensamento e atividade e, a breve espaço, nosso espírito se achará convertido em altar vivo de sua infinita boa vontade para com as criaturas, nas bases da Sabedoria e do Amor.

Não nos esqueçamos. Se Jesus não nascer e crescer na manjedoura de nossa alma, em vão os Anos Novos se abrirão iluminados para nós.

Pelo Espírito Emmanuel - XAVIER, Francisco Cândido. Fonte de Paz. Espíritos Diversos. IDE. Capítulo 12


REENCARNAÇÃO

Paz e Amor em Jesus.

A reencarnação é a nova vestimenta que o Pai Celeste nos concede, como oportunidade de aproveitamento de que necessitamos para evoluir, ganhando a experiência que somente poderemos adquirir nas provas pelas quais passamos. Assim, podemos limpar as vestes que sujamos com os erros do passado, embora muitas vezes ainda as sujemos mais com os erros do presente. O corpo carnal é portanto, a nova roupa concedida pelo Pai, Sabio e Bom, Criador dos seres e das coisas. Permitiu Ele que, na Grande Oficina Universal, usemos a roupa adequada para o trabalho que nos é confiado.

Obedecemos às leis divinas que regem os três reinos da Natureza: Mineral. Vegetal e Animal, acatando, do mesmo modo, as leis da Física e da Química. A veste de carne que usamos nas provas terrenas para adquirirmos o grau de evolução a que fizemos jus, atende ao feitio determinado pelas leis das combinações fluídicas, as quais tornam os corpos densos de matéria. Muitas vezes, porém, vestimos roupas limpas e bem adequadas a determinado compromisso, sem termos, entretanto, o conteúdo desejado para satisfaze-lo. Se, no entanto, com elas nos apresentarmos em condições capazes à realização dos compromissos que nos aguardam não as sujamos e, quando as sujamos, logo percebemos, que apenas aparentávamos por fora, o que ainda não éramos por dentro.

Dessa forma, o Pai nos vai dando, pacientemente, novas roupas até que aprendamos a usá-las com amor e sabedoria, apurando as lições que poderão promover-nos a uma classe superior. Há roupas de todas as cores e feitios: roupas muito limpas por fora, mas sujas interiormente; roupas de tecidos finíssimos, que parecem de grande valor, representadas pela beleza física e pela riqueza da Terra, mas são roupas frágeis, que não resistem à lama nem ao pó das estradas, por serem vestes fracas, criadas pela ilusão, não possuindo o forro que protege e fortalece para o serviço de Deus no mundo, sem temor da lama ou do pó, nem receio do contato com os mais necessitados... Assim, faz-se mister que as vestes sejam humildes, para que a humildade nos ajude a aproveitar os ensinamentos e a adquirir a experiência que vêm das provas.

Vamos relatar a vida de um Espírito, que bem ilustra esta lição.

Nos meados do último século, em Roma, cidade próspera, onde a força do poder religioso e político - ou seja, de religiosos que buscavam exaltar-se, escorados pelo poder politico, nessa época - havia uma jovem de rara beleza, que reencarnara para que, possuidora de grande riqueza e poder, ajudasse a muitas almas aflitas, que a buscariam a fim de as abrigarem na sua proteção. Mas o coração endurecido da jovem não se compenetrou da missão que lhe fora atribuída ao assumir tal compromisso, antes de reencarnar. Por isso, fugiu a todas as oportunidades de ajudar o próximo. Quando os infelizes, aflitos, a procuravam, dizia, com altanaria e orguIho, que jamais se deixaria prender numa gaiola, pois queria liberdade de ação. Acrescentava mesmo: "quero ser livre, quero viver a minha vida..."

Só pensava em festas e prazeres e, como era linda, a todos fascinava. Gabava-se da maciez de sua pele e da perfeição de suas formas. Certa vez, entregaram-lhe trinta crianças famintas e friorentas, vítimas de uma catástrofe que destruíra a terra de suas famílias e as deixara na mais terrível situação. Dominadas pela extrema miséria, acicatadas pela fome, essas crianças foram entregues a alguém que delas cuidasse até levá-las à cidade, onde a jovem citada as deveria proteger e amparar, como se comprometera quando ainda no mundo espiritual. Ela, no entanto, esqueceu-se do compromisso assumido, envolvida que fora pelo ambiente de luxo e prazer que a cercava. Tornara-se dia a dia mais egoísta e vaidosa. Desse modo, a Bela Adormecida pelo luxo, orgulhosa de sua beleza, julgando que com ela poderia conquistar a eterna felicidade, seguiu imprevidentemente seu caminho, usando a delicada roupa de aspecto suntuoso - a sua formosura e elegância passou a enchê-la de lama e pó, sem dela tirar o proveito de galgar uma classe mais alta, pois não deu assistência às desditosas crianças, deixando-as em completo abandono. Perdeu assim a oportunidade de valorizar-se, servindo.

Noiva de belo patrício (membro da classe dos nobres romanos), a quem enganava e subjugava, apesar do grande carinho que a sua futura sogra lhe dedicava, pois tudo fazia para que ambos se casassem e fossem felizes, a jovem relutava, ciosa da sua liberdade. Duma feita, estavam ambas em luxuosa sala, diante duma lareira. A jovem tagarelava, alegre, contando as suas faceirices, e a matrona de quando em quando lhe dirigia conselhos, ditados pela experiência que tinha da vida. Em dado momento o fogo estalou e algumas brases saltaram, queimando a mão da moça, que gritou de dor. Ao ser socorrida pela futura sogra, observou que algumas brasas haviam atingido o colo da senhora, sem que esta se apercebesse disso. Deduziu daí, apressadamente, que a senhora não demonstrava sensibilidade por estar atacada do mal de Hansen, a lepra, a terrível moléstia que tanto temia, manifestando nojo e desprezo pelos que sofriam dessa enfermidade, passando por tão dura e dolorosa prova. Ao ter este pensamento, afastou-se depressa, abandonando a senhora sem piedade e nunca mais quis ver o noivo, que tanto a amava. Portanto, mais uma vz não soube aproveitar a veste carnal que recebera de Deus e somente quando o seu Espírito despiu essa roupa foi que ela pôde compreender que desperdiçara a grande oportunidade, não aproveitando a lição.

Depois de muitas provas, durante as quais adquiriu algum aprimoramento, seu Espírito reencarnou novamente na Terra trazendo,de início, traços de sua antiga beleza carnal quando vivera em Roma, mas agora em condições humildes, embora ainda conservasse algumas tendências do velho orgulho. Surge, então, o reverso da medalha: a mãe de seu ex-noivo dela recebia todo o carinho e dedicação,e o seu amor pelo rapaz era algo de sublime. Era, entretando, necessário que seu Espírito se engrandecesse, aprendendo a lição que a Divina Sabedoria lhe ministrava, para que pudesse alcançar e aprender as lições perdidas em outras eras. Estava-lhe ainda destinada uma provação terrível: contraiu a moléstia que tanto temera, perdendo completamente a beleza física. Conseguiu, porém, curar-se, recuperando-se relativamente quanto ao físico. Todavia mais se recuperou na iluminação de sua alma, pois, desprezada e suportando sua enorme dor, ainda nos ajudou a servir a Deus em sua grandiosa obra de amor e caridade.

Que esta impressionante lição inspire a todos na compreensão do Evangelho de Jesus, ajudando-nos a conhecer a Verdade que nos libertará, superando hoje com o bem o mal que ontem fizemos.

Desça sobre todos a Paz de Jesus.

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.07, Agosto-Setembro 1966)

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